O estudo da expressão “politicamente correto” nasceu há cerca de quatro décadas, num contexto americano muito especial, o racismo, e uma década mais tarde na Europa, mas abrangendo outros temas, que não apenas o segregacionismo. Com esta expressão, os “pseudopuristas” da política pretenderam evitar, e até limitar, o uso de linguagem que pudesse ser ofensiva para certas pessoas ou grupos sociais, como o imaginário racista ou sexista, mas foi-se alargando a muitos outros temas e hoje está integrada nos relacionamentos profissionais e interpessoais e também no desporto, nas finanças e na economia. 

Verifica-se que agora, em tudo na vida está o “politicamente correto”. Esta tentativa de impor, de um modo inflexível, um conjunto monolítico de atitudes consideradas como corretas também se verifica, com muita acuidade, no mundo da política e num certo tipo de comunicação social, em que o cunho “esquerdista” é bem vincado. Muitas questões graves para a humanidade não são tratadas na Comunicação Social. Apetece dizer: politicamente correto? Uma “ova”! Será que só Hitler, uma das maiores vergonhas da humanidade, é que foi um facínora, que mandou matar os seus opositores? A história diz que Hitler mandou matar cerca de 1,5 milhões de pessoas. José Estaline, que foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética entre 1922 e 1953 e o chefe do estado da URSS durante cerca de um quarto de século, foi um dos arquitetos do sistema totalitário soviético, que destruiu as liberdades individuais e, em nome da igualdade, do socialismo e do comunismo, mandou prender, deportar e executar opositores em massa. Foram milhões de pessoas mortas à ordem de Estaline. São números verdadeiramente assustadores, se comparados com o número de pessoas mortas às ordens de Hitler ou mesmo se comparados com os milhões de pessoas mortas devido à escravidão, entre os séculos XVI e XIX e a morte durante a peste negra, entre 1347 e 1351. O extermínio em massa na URSS é um horrível exemplo de omissão.

Muitos outros assuntos, mais recentes, poderiam ser enquadrados na omissão por politicamente correto. Não foi só Pinochet que mandou matar os seus opositores, também Pol Pot, líder do partido Comunista do Camboja, foi responsável pela morte de 2 milhões de pessoas, um terço da população do seu país, pois durante quatro anos, na década de 70 do século XX, torturou e matou homens, mulheres, crianças e bebês, que muitas vezes foram brutalmente agredidos com martelos e enterrados vivos.

Também não deve ser esquecida, a repressão sangrenta aos protestos na praça de Tiananmen, em 1989. O número de mortos nunca será conhecido, mas estima-se que milhares de manifestantes tenham sido assassinados, no mais importante movimento de contestação contra o regime chinês, que tem como secretário-geral do Partido Comunista, um dos homens mais poderosos e mais ricos do mundo. Em nome da igualdade, do socialismo e do comunismo. As atitudes consideradas como corretas são muitas vezes impostas de um modo inflexível por uma certa esquerda “esclerosada” ou de “caviar”. Goste-se ou não se goste, esta tradicional imposição da ideologia do “politicamente correto” caracteriza-se por uma verdadeira atitude de censura e cerceamento da liberdade de expressão. É demais!

José Maria Moreira da Silva
moreira.da.silva@sapo.pt
www.moreiradasilva.pt

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