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Opinião

Pilar Solar

No dia 09 de maio, segunda-feira, observou-se um pôr do Sol pouco habitual – o Sol, que se afundava no horizonte, projetava uma coluna de luz na vertical criando um cenário raro, mas de espetacular efeito.

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No dia 09 de maio, segunda-feira, observou-se um pôr do Sol pouco habitual – o Sol, que se afundava no horizonte, projetava uma coluna de luz na vertical criando um cenário raro, mas de espetacular efeito. Tratou-se de um fenómeno ótico conhecido genericamente por Pilares de Luz, neste caso concreto por Pilar Solar, por usar o Sol como fonte de luz.

Estes fenómenos podem ser produzidos também a partir do luar ou até de fontes de iluminação pública, criando, em qualquer dos casos, um cenário surreal que alguns tendem a associar a avistamentos OVNI, outros até a causas religiosas. Os Pilares de Luz na realidade são um fenómeno ótico resultante da reflexão da luz do Sol (ou de outra fonte luminosa) na superfície de pequenos cristais de gelo, cujas dimensões, que rondam os 0,02 mm, permitem que se mantenham suspensos ou caiam de forma muito lenta através da atmosfera. Esses cristais de gelo formam-se em massas de ar muito estáveis em condições de baixa humidade, constituindo as nuvens cirrostratus, que criam assim uma aparência semelhante a um véu muito fino, de aspeto leitoso, quase transparente que se estende até às camadas de baixa altitude, o que leva este fenómeno a ser particularmente visível quando o Sol se encontra próximo ou mesmo abaixo da linha do horizonte, ou seja, ao pôr do sol.

Por todas estas razões, é um fenómeno raro que merece ser contemplado e apreciado. Não é de natureza metafísica, mas está apenas ao alcance de quem se autorizar a olhar os céus e apreciar o mundo que nos rodeia.

Álvaro Folhas

NUCLIO – Núcleo Interativo de Astronomia e Inovação em Educação

CITEUC – Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra

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Edição 777

Linha do Equilíbrio: A importância da Psicologia

A primeira crónica “Linha do Equilíbrio”, que nasce da parceria entre NT e a psicóloga Sandra Maia.

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Atualmente, muito se tem falado sobre o conceito saúde mental e da sua importância para o nosso bem-estar. Mas, afinal, o que é a saúde mental? Por que será tão relevante para a nossa vida? Como pode o/a psicólogo/a ajudar a encontrar o equilíbrio?
Segundo o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) menciona, saúde é um conceito muito amplo que não se refere apenas à ausência da doença, sendo um modelo biopsicossocial que engloba todos os outros estados de saúde: a física, a mental e a social. É, por isso, imprescindível prestar atenção a todas estas vertentes.

Se a saúde mental afeta a forma como as pessoas pensam, sentem e agem, vai influenciar, inevitavelmente, as nossas relações e decisões. Daí a importância de as pessoas reconhecerem e perceberem como lidam com o stress normal e diário. Em particular, a nível laboral, as pessoas precisam de estar atentas se existem condições para desempenharem as suas funções; se há adequação às exigências do cargo e às suas capacidades; se a segurança e a remuneração são adequadas. Similarmente nas relações interpessoais, as pessoas necessitam de perceber como se relacionam com os outros, aprendendo a gerir conflitos. Já nas relações intrapessoais, as pessoas devem reconhecer e identificar a relação que estabelecem consigo mesmo, aprendendo a regular as emoções. Estes multifatores elencados poderão conduzir a sofrimento e desequilíbrios mentais.
Historicamente, há uma grande falta de investimento em saúde mental, fruto de as políticas vigentes se revelarem insuficientes face às necessidades, o que origina graves lacunas na prevenção de perturbações mentais que seriam facilmente prevenidas, caso fossem alocados mais recursos a esta especialidade.
Porém, erradamente, o conceito de saúde mental está comummente associado a um estado negativo de saúde, ou seja, só nos preocupamos com a nossa saúde mental quando precisamos de remendar uma situação que causa desconforto na nossa vida ou então em acontecimentos de crise/ trauma pessoal e, ainda, em acontecimentos sociais, como exemplo a pandemia e, mais recentemente, a guerra e as suas consequências.
Hoje, a saúde mental preventiva deveria ser uma preocupação crescente da nossa sociedade, ir ao/à psicólogo/a deveria ser semelhante a ir ao médico, pois, como diz o ditado, “mais vale prevenir do que remediar”. Desta forma, será importante prestar atenção aos possíveis indicadores de sofrimento, tais como: a insónia, a irritabilidade, a perda ou o excesso de apetite, o consumo e/ou o aumento do consumo de substâncias aditivas, o isolamento, a procrastinação (sentir que não tem vontade para nada e/ou adiar tarefas), sentir culpa e, até mesmo, perda de esperança no futuro.
Para manter uma boa saúde mental, há algumas estratégias que podemos adotar na vossa vida, desde logo, cuidarmos de nós, nomeadamente, aumentar o nosso “amor-próprio”. Este cuidar de nós implica seguir uma boa rotina diária dotada de uma alimentação equilibrada, de um sono reparador e de qualidade, de ingestão regular de água, prática de exercício físico e de terapias meditativas, além de atividades prazerosas e de lazer, como é certamente estar em família, com os amigos ou, até mesmo, com os animais.
No fundo, a adoção de hábitos e rotinas de vida saudáveis são fundamentais para o nosso equilíbrio, mas, caso não consiga autorregular-se, procure sempre a ajuda de um profissional.

sandramaia.psicologa@linhadoequilibrio.pt

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Edição 777

Memórias e Histórias da Trofa: A centenária Fábrica do Pereiró

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Seguramente que o estimado leitor e os restantes elementos da comunidade trofense associam as empresas e o respetivo tecido empresarial da Trofa à freguesia de S. Martinho de Bougado e num passado recente a Guidões, fruto dos grandes investimentos do setor secundário concretizados no seu território.

Uma alusão que ocorre por razões óbvias da motivação pela história mais recente que alimenta a cultura popular, mas, a fábrica mais antiga em funcionamento neste momento no concelho localiza-se fora do seu principal núcleo urbano.
Na estrada nacional 318, na “descida” para S. Romão do Coronado, surge, no lado direito, um edifício simples em termos arquitetónicos, embora com alguns apontamentos que indicam a finalidade da sua construção e com tanta história para contar. Estou a anunciar através desta descrição física a Fábrica do Pereiró, popularmente conhecida como serração do Pereiró, que viu o seu nome a atravessar várias décadas e no passado dia 19 de outubro comemorou o 100.º aniversário, um facto único para o tecido empresarial local, permitindo a entrada no lote muito restrito de empresas na região do Vale do Ave que viveram o mesmo tempo.
Os fundos de arquivo são locais mágicos em que, por vezes, conseguimos encontrar informações fundamentais para a construção da nossa identidade e com relativa facilidade nos arquivos notariais tirsenses acabaria por surgir a escritura de uma importante sociedade para a economia local.
A 19 de outubro de 1922 foi lavrada a escritura no notário de Santo Tirso, constando os nomes: Augusto de Sousa Mamede, natural da lugar de Mendões que era também proprietário, Joaquim Machado da Silva Júnior, outro habitante de S. Mamede do Coronado, Francisco da Silva, também natural de S. Mamede, Candino (?) Sousa Mamede, Joaquim Moreira da Silva e a sua esposa de nome Aurora e Manuel Moreira da Silva, que eram os únicos até aquele momento a residirem fora de S. Mamede do Coronadom, concretamente na freguesia da Folgosa.
Um grupo de capitalistas com ligações à terra que iam investir, o que não era normal, recorda-se a situação de várias fábricas têxteis na região que recorriam a empréstimos ou até capital próprio para a construção e sustento daquele projeto. Os investidores decidiram fazer uma sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, sendo as funções de serração, carpintaria, com a distribuição das quotas a pagar pelos associados 8 mil e 500 escudos. Um valor elevado para a época quando comparado com outros investimentos concretizados na época.
Assim se escrevia mais uma página do nosso burgo em que os fundadores, apesar de serem pioneiros na região, iriam construir um legado que perdura até hoje e honra as gentes de S. Mamede.
Parabéns!

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