Lary Yannick, de 24 anos, ex-jogador do Gil Vicente, onde cumpriu duas temporadas, fez uma rotura de ligamentos já com a camisola do clube do Marco de Canaveses vestida. "O último jogo foi em Maio de 2006, para o Campeonato Nacional", recorda. Pedala agora dentro de água com uma meta recuperar mais rapidamente.

É um dos 102 pacientes do Hospital da Trofa, incluindo crianças, que recorrem à piscina terapêutica, onde, desde o início deste ano, é possível optar por uma modalidade de fisioterapia diferente o aquabike, ou bicicleta na água.

Paula Costa não contraiu qualquer lesão, mas frequenta a piscina como terapia física e mental há dois meses. Faz diversos exercícios na água, incluindo bicicleta, a par de outros tratamentos de fisioterapia realizados em ambiente seco. "Tinha isto quase colado", explica, exemplificando a situação do queixo e do peito no início da terapia.

Além de ter sido surpreendida por uma depressão profunda, Paula Costa sofre de hipertiroidismo e de fibromialgia. "Tinha os movimentos presos" e a água devolveu-lhe alguma mobilidade. E ânimo. "É uma forma de relaxar. Sinto-me muito melhor", confessa.

O tratamento dentro de água permite reduzir o tempo de recuperação em "quase dois meses", esclarece a directora do serviço de fisiatria do hospital, Inês Ruvina.

"Alguma resistência"

Apesar disso, a fisioterapeuta Ana Maria Campos lamenta que o método seja ainda avaliado com "alguma resistência" por parte da classe médica.

Por isso, fala das terapias aquáticas como embriões de algo mais complexo. "Isto são sementinhas que andamos a plantar para ver se inovamos no tratamento, que não é só físico. É, também, emocional", descreve a fisioterapeuta.

Além de proporcionar "recuperações mais rápidas" em patologias musculares e ósseas, a piscina terapêutica, existente desde a abertura do hospital, há sete anos, também é indicada em casos de doenças psiquiátricas.

Lary Yannick prevê recomeçar a treinar em Julho e calcula poder jogar entre o final de Outubro e início de Novembro. Para já, faz fisioterapia de segunda a sexta-feira, durante duas horas.

Paula Costa sente-se muito melhor desde que passa algum tempo em meio líquido, todos os dias. "É muito mais fácil fazer os exercícios dentro de água do que fora".

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Filipe Pereira dá a explicação científica. "Dentro de água, o peso do corpo é um terço", diminuindo a sensação de dor provocada por certos movimentos feitos em seco, esclarece o fisioterapeuta.