PCP condenou os “responsáveis” pela dívida da Câmara Municipal da Trofa e sugere que se dê prioridade aos trofenses e fornecedores e só depois aos bancos. A extinção das empresas municipais também foi uma das propostas.

“Um erro”. É desta forma que a Comissão Política do Partido Comunista da Trofa caracteriza “a linha política seguida” no concelho da Trofa e que conduziu a um montante de dívida e responsabilidades assumidas de 66 milhões de euros, contabilizados a 30 de junho de 2011. Face à reunião da Deloitte, consultora que analisou as contas da autarquia, os comunistas consideram que “existe uma dívida, existem algumas obras, existem empresas municipais inúteis, existem projetos, estudos e consultores, existem sacrifícios a serem pedidos, existe a política dos cortes, cortes, cortes… mas existem responsáveis pela dívida”. “Após anos de governação desastrosa, torna-se claro para os trabalhadores e para toda a população que os responsáveis estão identificados e que a linha política seguida tem sido, em grande parte, um erro”, atestaram em comunicado.

O PCP da Trofa considera que os trofenses “têm o direito a saber e a ser esclarecidos sobre a origem destas dívidas e não apenas saber os montantes dos compromissos assumidos com a banca e outros”.

Os comunistas criticam o facto de a Trofa-Park, empresa municipal “sem qualquer obra no terreno, tenha uma dívida de curto prazo de 1,3 milhões de euros só com projetos e estudos”.

“As dívidas aos bancos de 15,726 milhões de euros (a curto prazo) carecem de esclarecimentos. Sabendo que esta dívida vem do anterior executivo, é importante saber a origem destas dívidas. O preço da água na Trofa é dos mais caros do País e, no entanto, temos a curto prazo uma dívida de 7,073 milhões de euros”.

Perante esta situação, os elementos da Comissão Política do PCP Trofa sugerem a “renegociação da dívida com os bancos e a exigência que o pagamento da dívida não coloque em causa o desenvolvimento do concelho” e “a colocação dos serviços municipais sob a alçada da Câmara para extinguir as empresas municipais”. “Pagar a dívida legítima do concelho é uma obrigação, mas primeiro estão os trofenses – população, trabalhadores e fornecedores – e só depois estão os bancos e outros interesses. Há possibilidade de poupar em eventos megalómanos e reverter essa mesma poupança para as associações da Trofa, sendo elas as verdadeiras protagonistas da atividade cultural do concelho”, sublinharam.

Sobre a reforma administrativa

No que respeita à Reforma Administrativa, que prevê a junção das freguesias, os comunistas consideram que, “dos vários depoimentos vindos a público de responsáveis políticos, é de lamentar a centralização das discussões sobre ‘bairrismos’, ‘manter o nome da freguesia’, ‘a necessidade de poupar’, etc… Os problemas centrais desta reforma são constantemente esquecidos pelos ditos ‘responsáveis’ mas não pelas populações”. “Os ‘entendidos’ da matéria esquecem-se de ouvir a população e não fazem a mínima ideia do que ela realmente pensa. Falam em ‘fusões’ de freguesias quando ainda não foi aprovada esta reforma, e ela será combatida, senão mesmo derrotada, pela luta das populações”, asseveraram.

Comício do PCP na Trofa

Está marcado para o dia 17 de dezembro, no auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, um comício do PCP, com a presença do secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa. Com início pelas 16 horas, o comício tem como tema “Contra o pacto de agressão lutar por um Portugal de futuro”, que constitui “mais um momento de afirmação do Partido Comunista e de uma análise das políticas seguidas aqui no concelho, no distrito e no País”.

A iniciativa é aberta aos militantes, aos trabalhadores e à população da Trofa.

 

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