Joana Lima, responsável do PS Trofa está contra a construção dos Paços do Concelho no Parque Nossa Senhora das Dores e para mostrar esta posição do Partido foi colocado um outdoor em pleno Catulo. Já o PCP tem opinião mais moderada e em vez de “No Parque não” defende alterações no projecto.

“No Parque Não” é a mensagem que pode ler-se num outdoor à entrada da rua de acesso à Capela de Nossa Senhora das Dores, com a subscrição do Partido Socialista. Os socialistas da Trofa estão contra uma das opções apresentadas pela Câmara Municipal da Trofa para construir no Parque de Estacionamento do Parque Nossa Senhora das Dores o edifício dos Paços do Concelho.

Em declarações ao NT Joana Lima, presidente da concelhia da Trofa do PS justificou a posição : “O PS é contra tudo o que seja destruir o que está bem feito para tentar reconstruir. Nós temos muitos espaços, temos muitos sítios em que podemos fazer os Paços do Concelho, não precisamos destruir a nossa identidade, de destruir o nosso pulmão, não precisamos de destruir o único parque que a nossa cidade tem”.

Joana Lima lembrou ainda que “o Sr. Presidente da Câmara não manda na Trofa, quem manda são os trofenses e estes não vão deixar que ele faça obras que prejudiquem a nossa identidade e o nosso parque”.

A vereadora socialista foi mais longe e frisou que a autarquia liderada por Bernardino Vasconcelos”tem maioria pode fazer o que quiser, mas jamais terá a conivência e a indiferença do PS”.

Já Paulo Queirós, membro do Partido Comunista Português (PCP), não se mostra totalmente contra a construção do edifício camarário no Parque Nossa Senhora das Dores. “A nossa posição neste momento é a que sempre foi, não é uma recusa terminante pela posição da construção no Parque Nossa Senhora das Dores, pelo menos se for feito um recuo da área de construção, não queremos dizer que somos frontalmente contra”. No entanto, a primeira opção “seria na zona da Feruni, em segundo lugar na zona da estação por uma questão de custos. Já na zona da capela só com outro enquadramento, mas continuamos a dizer que iria trazer mais pressão imobiliária, mais carros e pessoas para a zona do Catulo”, acrescentou.

Quanto à consulta da população sobre a construção dos Paços do Concelho, Paulo Queirós alertou: “se a população validar a opção do presidente da Câmara, ele diz que está com a população, se não validar, ele diz que a opção dele é que é válida”, acusando ainda de haver “incongruências” no projecto, visto que “está mais pormenorizado no local da capela, e nos outros está assim um bocadinho mais feio, para também afastar a opinião das pessoas visualmente”. Assim, o membro comunista pede a clarificação quanto à validade desta consulta, ou seja, “se é apenas mais uma consulta popular para ratificar aquilo que a câmara quer, ou se vão realmente aceitar a opinião da população”.

Reacções ao PIDDAC

“O PS e o governo liderado por José Sócrates olharam para a Trofa com olhos de ver, porque pela Câmara não chegávamos lá”. Foi desta forma que Joana Lima explicou a vinda de 27,6 milhões de euros para a Trofa no âmbito do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) para 2009.

Segundo a líder socialista “a Trofa precisa de sair do marasmo”, mas “o presidente da Câmara tentou colar-se a estes investimentos por parte do governo, teve uma atitude inteligente, mas o povo sabe quem teve responsabilidade na vinda desta verbas”, acrescentou.

Joana Lima frisou ainda: “estas verbas existem graças ao Primeiro-ministro, ao senhor ministro das Obras Públicas e também posso dizer que tive alguma responsabilidade, porque enquanto deputada e membro da comissão das Obras Públicas, eu não me calo até que a Trofa tenha as obras a que tem direito”.

Paulo Queirós também lamentou o regozijo do edil trofense, “eu pergunto onde estava o poder de negociação nos PIDDAC’s anteriores”.

Para o membro comunista, Bernardino Vasconcelos está a “esconder o sol com a peneira”, porque “a verba, para quem está afastado, parece muito grande, e é, mas é para uma obra que já devia ter sido feita há muito tempo e já devia estar noutras verbas que não o PIDDAC”, afirmou.

“Não podemos dizer que estamos satisfeitos com esta verba, não com o valor, mas relativamente à direcção para que ela foi”, porque para Paulo Queirós a Trofa tem ainda mais necessidades: “não nos podemos esquecer que a própria esquadra da PSP já esteve em PIDDAC diversas vezes e nunca avançou”, concluiu.