Um “diamante em bruto” com muito para explorar

Está prestes a ser inaugurada uma das obras mais emblemáticas do concelho da Trofa. Oficialmente, o Parque das Azenhas abre a 15 de setembro, às 10 horas, mas ainda a obra estava em terra batida e muitas eram as pessoas que aproveitavam para caminhar pelo percurso que devolve o Rio Ave à população.

São quatro quilómetros e cem metros de corredor que abre as margens e oferece um sem número de paisagens e perspetivas que estavam escondidas e agora podem ser descobertas. Ainda assim, muito mais pode ser feito. Para Joana Lima, presidente da Câmara Municipal da Trofa, o Parque das Azenhas é um “diamante em bruto” que ainda pode ser “aperfeiçoado”.

“Depois da estrutura feita, vamos dinamizar o Parque através das nossas associações ligadas ao ambiente e ao património e, sobretudo, às escolas. Temos centros interpretativos, que disponibilizam informação aos jovens para os sensibilizar para a preservação da Natureza e bem-estar das pessoas. A mudança de mentalidades começa nos mais novos, pelo que creio que daqui a uns anos vamos ser mais amigos do ambiente”, frisou.

Ao possibilitar “o convívio intergeracional” e ser “transversal” a vários setores, como “desporto, cultura, património e ambiente”, o Parque das Azenhas também se assume como um “espaço multidisciplinar”, onde o enlace com o rio – e a fauna e flora a ele associados – é inevitável. “Aqui vamos fomentar o turismo, aproveitando as potencialidades do rio, como, por exemplo, promover passeios de barco. Não me falem em fazer mais novas pontes sobre o rio, porque uma já será feita na futura variante e já tem projeto aprovado do ponto de vista do impacto ambiental. Temos que ter um ambiente sustentável e reforçar a qualidade de vida que foi afetada com a industrialização há anos atrás”, defendeu.

Também a pesca desportiva, ressalvou, “foi minimamente acautelada”, ao garantir-se espaços de sete metros entre árvores para a realização de provas, até do campeonato nacional.

Riscos da obra “acautelados”

Sobre o risco que a obra corre devido a cheias que podem acontecer, Joana Lima asseverou que “a obra foi acompanhada e projetada por técnicos de grande qualidade”. “Este piso tem uma característica importante, é muito permeável e poroso, ou seja, a água passa o piso e não corremos o risco que estanque e empurre o piso. O enrocamento das margens é feito com madeira e pedra solta, permitindo que a água entre por um lado e saia por outro”, referiu a autarca que não enjeita a possibilidade de ter “que se fazer uma limpeza a seguir a uma cheia”.

 

Crianças com direito a maletas pedagógicas para estudar o rio

No dia da inauguração do Parque das Azenhas, a autarquia vai oferecer parte das 2500 maletas pedagógicas que adquiriu para as crianças poderem estudar o rio, assim como a fauna e a flora a ele associado. Com os objetos que estarão no interior das maletas, os mais pequenos poderão “verificar a qualidade da água e fazer experiências”.

A aquisição destes materiais constitui “o grande bolo” do investimento para inauguração da infraestrutura. Estão ainda previstas uma caminhada e uma prova de aeromodelismo, organizadas em concertação com o movimento associativo do concelho. “Já ouvi alguém dizer que 32 mil euros para uma inauguração eram dinheiro a mais, mas todo o dinheiro que é gasto na Câmara, é gasto com muito rigor e, neste caso, conta com uma comparticipação de 85 por cento de fundos comunitários.

Não temos dinheiro para gastar aos 150 e aos 200 mil euros como se gastava em inaugurações, como aconteceu com o Aquaplace”, frisou.

 

2ª fase do projeto já em equação

Para além de haver quase outro tanto comprimento de margem que deve ser requalificado, Joana Lima considera que este projeto deve incluir a reabilitação das azenhas, que estão degradadas. Isso só será possível, sublinhou, a partir de um novo projeto candidato a fundos comunitários, que já está a ser estudado.

“Queremos continuar o percurso existente até Guidões e até ao limite de Santo Tirso e criar no nosso roteiro cultural, a Rota das Azenhas, valorizando aquilo que temos do ponto de vista patrimonial tão importante que não podemos esquecer”, concluiu.