Encontramo-nos no pináculo daquele momento do ano em que desejamos a lareira flamejante, refeições que sustentem o corpo… e a família por perto.

Cada vez mais, é para mim evidente a quantidade de resíduos que geramos com o pico de consumo, embrulhos de Natal, decorações temporárias e, no final da época, os pinheirinhos de Natal (“emprestados” temporariamente da Natureza).

Com os pinheiros, espero eu que o saldo saia positivo para a floresta, com tantas iniciativas de plantação no concelho, contando com a ajuda de São Pedro (na rega e no combate aos incêndios) e cada vez mais pinheiros de plástico que ecologicamente “artificializam” o nosso Natal.

Entre rabanadas, bacalhau e bolo-rei (não necessariamente por esta ordem), penso que deveríamos refletir uns breves minutos na quantidade de lixo que vamos produzir nesta época. Se multiplicarmos o desperdício de papel de embrulho rasgado de uma casa pelos mais de 5 milhões de fogos habitacionais em Portugal, começaremos a perceber o custo ambiental do Natal – sem entrar em mais detalhes, pouco festivos!

Como reduzir então o impacto ambiental de uma época, que se quer animada para pequenos e graúdos? Pinheiros de plástico e presentes não embrulhados?

Não serão estes pinheiros de plástico o resultado de um processo de fabrico pouco ecológico, dependentes de matéria-prima derivada do petróleo e de muita energia?

Reduziremos a importância do espírito de Natal se não embrulharmos os presentes? Certamente que, de acordo com o atual estado da economia e finanças dos Portugueses, observar-se-á um menor consumo e consequente redução do impacto ambiental da época Natalícia… infelizmente, para os Portugueses, felizmente, para o ambiente!

Parece que sem saber, o Homem era em tempos, nas suas ações, mais amigo do ambiente. Reciclava por causa da escassez, compreendia o valor dos desperdícios e usava a criatividade (que é uma coisa fantástica, porque quanto mais criatividade se gasta, mais se tem!) para gerar valor a partir do que poderia parecer inútil e até trabalhoso de se eliminar.

Vem-me à memória o caso de Parma, em Itália (não por ser um caso extraordinário, mas sim de simples compreensão e porque refere boas referências… do paladar!).

Produzem em Parma o famoso Parmesão (Parmigiano-Reggiano), também produzido em Reggio Emilia, Módena, Bolonha e Mântua, exclusivamente devido às normas da Denominação de Origem Protegida. O caso de Parma é-me conhecido pelo facto de, na produção do queijo, de uma forma tradicional, utilizarem o soro de leite residual na alimentação de suínos. Lembro-me até de um documentário em que evidenciava que o soro do leite de uma indústria de queijos era canalizado diretamente para uma pocilga a centenas de metros de distância.

Isto tudo pode parecer mau… No entanto, se nos recordarmos no mal que fez o soro de leite quando descarregado nos ribeiros ou mesmo rios de grande caudal e na alternativa proteica inserida nas rações dos animais referidos (e o seu custo), certamente começa a fazer sentido, de um ponto de vista ecológico e económico.

Mas porquê o caso de Parma? O interessante neste exemplo é que o famoso presunto de Parma, supostamente tem uma qualidade ímpar (segundo os entendidos) que advém da alimentação e consequente gordura de alta qualidade, proporcionada pelo soro de leite. Ou seja, reciclam, economizam e produzem melhor…

No nosso Natal, não teremos bichos que comam o papel de embrulho… Será que a traça recicla?

Os Portugueses precisam de papel, mas não é de embrulho!

Um Bom Natal!

 

Pedro Sousa | APVC

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