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Edição 453

Parma e… embrulha!

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Encontramo-nos no pináculo daquele momento do ano em que desejamos a lareira flamejante, refeições que sustentem o corpo… e a família por perto.

Cada vez mais, é para mim evidente a quantidade de resíduos que geramos com o pico de consumo, embrulhos de Natal, decorações temporárias e, no final da época, os pinheirinhos de Natal (“emprestados” temporariamente da Natureza).

Com os pinheiros, espero eu que o saldo saia positivo para a floresta, com tantas iniciativas de plantação no concelho, contando com a ajuda de São Pedro (na rega e no combate aos incêndios) e cada vez mais pinheiros de plástico que ecologicamente “artificializam” o nosso Natal.

Entre rabanadas, bacalhau e bolo-rei (não necessariamente por esta ordem), penso que deveríamos refletir uns breves minutos na quantidade de lixo que vamos produzir nesta época. Se multiplicarmos o desperdício de papel de embrulho rasgado de uma casa pelos mais de 5 milhões de fogos habitacionais em Portugal, começaremos a perceber o custo ambiental do Natal – sem entrar em mais detalhes, pouco festivos!

Como reduzir então o impacto ambiental de uma época, que se quer animada para pequenos e graúdos? Pinheiros de plástico e presentes não embrulhados?

Não serão estes pinheiros de plástico o resultado de um processo de fabrico pouco ecológico, dependentes de matéria-prima derivada do petróleo e de muita energia?

Reduziremos a importância do espírito de Natal se não embrulharmos os presentes? Certamente que, de acordo com o atual estado da economia e finanças dos Portugueses, observar-se-á um menor consumo e consequente redução do impacto ambiental da época Natalícia… infelizmente, para os Portugueses, felizmente, para o ambiente!

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Parece que sem saber, o Homem era em tempos, nas suas ações, mais amigo do ambiente. Reciclava por causa da escassez, compreendia o valor dos desperdícios e usava a criatividade (que é uma coisa fantástica, porque quanto mais criatividade se gasta, mais se tem!) para gerar valor a partir do que poderia parecer inútil e até trabalhoso de se eliminar.

Vem-me à memória o caso de Parma, em Itália (não por ser um caso extraordinário, mas sim de simples compreensão e porque refere boas referências… do paladar!).

Produzem em Parma o famoso Parmesão (Parmigiano-Reggiano), também produzido em Reggio Emilia, Módena, Bolonha e Mântua, exclusivamente devido às normas da Denominação de Origem Protegida. O caso de Parma é-me conhecido pelo facto de, na produção do queijo, de uma forma tradicional, utilizarem o soro de leite residual na alimentação de suínos. Lembro-me até de um documentário em que evidenciava que o soro do leite de uma indústria de queijos era canalizado diretamente para uma pocilga a centenas de metros de distância.

Isto tudo pode parecer mau… No entanto, se nos recordarmos no mal que fez o soro de leite quando descarregado nos ribeiros ou mesmo rios de grande caudal e na alternativa proteica inserida nas rações dos animais referidos (e o seu custo), certamente começa a fazer sentido, de um ponto de vista ecológico e económico.

Mas porquê o caso de Parma? O interessante neste exemplo é que o famoso presunto de Parma, supostamente tem uma qualidade ímpar (segundo os entendidos) que advém da alimentação e consequente gordura de alta qualidade, proporcionada pelo soro de leite. Ou seja, reciclam, economizam e produzem melhor…

No nosso Natal, não teremos bichos que comam o papel de embrulho… Será que a traça recicla?

Os Portugueses precisam de papel, mas não é de embrulho!

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Um Bom Natal!

 

Pedro Sousa | APVC

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Edição 453

“O papel das bibliotecas escolares” em destaque na Trofa

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“As bibliotecas escolares são uma importante fonte de recursos que devem assumir, na escola, uma função preponderante e decisiva no apoio ao ensino e no processo educativo.” Dada a importância das bibliotecas escolares, o executivo da Câmara Municipal da Trofa vai promover, no início de janeiro, o seminário “O papel das bibliotecas escolares na aplicação das metas curriculares”.

A sessão tem como objetivo “criar um fórum de reflexão e discussão sobre esta matéria, procurando reforçar a importância da Biblioteca Escolar nas estratégias de ensino e aprendizagem, nomeadamente no que respeita ao cumprimento das metas curriculares”.

Nesta linha, a 16 de janeiro, entre as 16 e as 18 horas, o auditório da Escola Secundária da Trofa recebe este seminário, que contará com a presença de Fernando Pinto do Amaral, Comissário do Plano Nacional de Leitura, Elsa Conde, da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, Rosa Mesquita, professora e formadora na área das metas curriculares como oradores, e António Pires, coordenador inter-concelhio da Rede de Bibliotecas Escolares, como moderador.

A Rede de Bibliotecas da Trofa/SABETrofa é composto por um coordenador inter-concelhio do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, várias professoras das bibliotecas escolares do concelho, o Bibliotecário da Biblioteca Municipal da Trofa e ainda representantes das Divisões de Cultura e Educação da Câmara Municipal da Trofa.  

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Edição 453

A pobreza é um atentado à dignidade humana

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Antes de ser objeto das políticas sociais falhadas, a pobreza é sobretudo um problema das erradas políticas económicas que as diferentes governações têm tido ao longo dos anos. É verdade que a redução da pobreza (não a sua eliminação), tem sido um dos principais objetivos nos programas de governação, em vários países, mas sem qualquer efeito, pois os índices de pobreza têm aumentado vertiginosamente. Para sofrimento de muitos!

O conceito de pobreza, que é um fenómeno multidimensional, começou por estar relacionada com a falta de rendimentos necessários para a satisfação das necessidades alimentares e não alimentares básicas, mas tem tido alterações significativas. Nas décadas mais recentes, foi-se alargando o conceito de pobreza, para abranger outros aspetos, como a falta de acesso à saúde e à educação, a falta de água e saneamento, o isolamento, a exclusão social, a vulnerabilidade e também o acesso equitativo ao sistema judicial, a não existência de habitação e transportes públicos acessíveis.

A pobreza em Portugal é um problema estrutural gravíssimo, um atentado à dignidade humana, que nos deveria envergonhar a todos e deveria mobilizar toda a sociedade para a sua resolução, o mais rapidamente possível, pois é indigno que um ser humano possa estar privado do direito básico de participar plenamente na vida social, económica, cultural e política da comunidade em que está inserido.

As taxas de pobreza no nosso país são assustadoras. Mais de um quinto da população portuguesa é pobre. São mais de 2 milhões de pobres (gente como nós) e desses, quase metade são trabalhadores (no ativo ou reformados), pois mais de 1/3 são reformados e mais de 1/4 são trabalhadores por conta de outrem, com salários muito baixos e vínculos precários, mas também com contrato sem termo. Tem sido um abuso este tipo de contratação. Um abuso oportunista!

É verdade, e não pode ser escamoteada a ideia de que em Portugal existe uma cultura de dependência do Estado, mas também não pode ser esquecido o facto de que a pobreza reproduz-se, gera ciclos de vulnerabilidade social, processos de exclusão e de desfiliação social. A própria Cidadania está desligada, pois a pobreza condiciona os acessos aos direitos, à participação social e política. Infelizmente!

São muitas vezes os mais vulneráveis que são mais atingidos e atirados para a pobreza extrema, pois além da perda de postos de trabalho, muitos enfrentam dificuldades para cumprir os seus compromissos financeiros, ter uma habitação decente ou ter acesso ao crédito, para além de existirem muitos pensionistas e reformados, com as suas parcas pensões, a sustentar os filhos e os netos.

Para além do quadro triste da pobreza, ainda existe uma realidade chocante nas ruas das cidades, que são os sem-abrigo. Neste tempo de noites gélidas, o nosso quotidiano está povoado desses seres que se colocaram à margem da sociedade, dita civilizada. E já são alguns milhares! Estas constatações são uma violência que fazem partir o coração. São uma triste realidade, que não podem ser combatidas com indiferença, mas com a intolerância de quem considera a pobreza um atentado criminoso contra a dignidade humana. Que venha o Ano Novo com mais esperança. Para todos!

José Maria Moreira da Silva

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moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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