Com o aproximar do início do ano letivo surgem as dúvidas e incertezas do começo de uma nova etapa, que transformará inequivocamente a vida da criança e dos seus familiares. O NT falou com uma psicóloga para perceber que mudanças haverá na nova fase da vida de muitas crianças.

O primeiro contacto com a escola e, em alguns casos, a transição do pré-escolar para o ensino primário constituem “dois grandes momentos” da vida de uma criança. De acordo com Diana Pereira, licenciada em Ciências Psicológicas, estas etapas “exigem adaptação quer das crianças, quer dos pais face a novos horários, a um novo espaço, a novas regras, diferentes atividades, aprendizagens e interações”.

De acordo com a personalidade de cada um, há quem encare estes momentos “como uma experiência de descoberta e mundo cheio de possibilidades”. Mas no reverso da medalha, há crianças que “lidam mal com a separação, choram e ficam tristes e podem mesmo exigir voltar para casa com os pais”.

Nestes casos, Diana Pereira aconselha atenção redobrada. “Quando a criança entra para o ensino primário, é fundamental que os pais estabeleçam um vínculo com a escola”, referiu, acrescentando que os encarregados de educação “devem estar atentos ao grau de satisfação da criança, observar as suas carências, de modo a colaborarem com os professores para um processo de ensino/aprendizagem que considere as verdadeiras necessidades dos alunos”.

A psicóloga enunciou um estudo realizado por Grolnick e Slowiaczeck, em 1994, que refere que, “se os professores perceberem que os pais estão envolvidos e comprometidos com a vida escolar dos filhos, atendem melhor o aluno na escola”. “Por outro lado, se os pais estão envolvidos, os filhos são influenciados por essa atitude e desempenham melhor as suas tarefas escolares”, explicou.

Este vínculo deve estender-se com os outros pais. “Os familiares devem aproveitar para trocar opiniões sobre a vivência desta nova experiência. Verificarão que outros pais e crianças poderão estar a passar pelas mesmas angústias e podem, em conjunto, encontrar novas formas de gerir a situação”, afiançou.

A escola também tem um papel fundamental no estabelecimento desta ligação, pois na ausência de iniciativa por parte da família, cabe ao estabelecimento garantir esse vínculo: “A escola deve proporcionar aos pais o conhecimento da estrutura, da metodologia de ensino/aprendizagem que a escola oferece, de modo a amenizar a ansiedade dos pais e fortalecer o vínculo da criança com a família e, consequentemente, da criança com a escola”.

Ritmo da criança deve ser respeitado

Diana Pereira alerta ainda que mesmo as crianças que frequentaram o pré-escolar, a adaptação ao primeiro ciclo “pode demorar o seu tempo”, já que muitas delas refugiam-se na “falta de um ambiente mais lúdico, das idas ao parque e das brincadeiras”. Não será estranho se houver crianças a sentirem-se “cansadas no final do dia pela quantidade de tarefas realizadas”. Por isso, “o lúdico precisa de dar suporte à ação pedagógica, dado que as funções psicológicas da criança ainda estão em formação”, salientou.

No momento de deixar a criança na escola, mesmo que seja difícil, o pai terá que ter firmeza: “Devem agir com serenidade e segurança, transmitindo à criança a ideia de que tudo correrá bem e de que no final do dia estarão novamente juntos. Se os pais permanecerem hesitantes, a criança ganhará poder neste jogo e nos dias seguintes o mesmo esquema repetir-se-á”.

A psicóloga aconselha a que os encarregados de educação “estejam conscientes de que a adaptação da criança à escola é um processo que exige transformação, quer da criança que tem de se adaptar a uma nova realidade, quer da escola que tem de estar preparada para receber a criança e a família, quer dos próprios pais”.

Por ser um processo “que exige tempo”, o ritmo da criança “deve ser respeitado”. No entanto, afirma a psicóloga, “se as dificuldades persistirem, os pais devem procurar ajuda”.“Podem comunicar as dificuldades aos professores e eventualmente ao psicólogo da escola”, concluiu.


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