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Edição 726

Padre José Ricardo com receção calorosa no Muro

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José Ricardo Dias foi apresentado como pároco de S. Cristóvão do Muro, numa eucaristia, em que sentiu o carinho da comunidade.

Não precisa de grandes orientações, mas a hospitalidade das gentes do Muro fê-lo guiar-se por um tapete colorido até àquela que será, nos próximos tempos, a sua casa. O padre José Ricardo Dias apresentou-se à comunidade, a 27 de setembro, com uma eucaristia realizada ao ar livre, no largo de S. Cristóvão, junto à igreja paroquial, cumprindo as regras impostas pelo contexto sanitário que vivemos.

Apesar de estar numa comunidade nova, este é quase um regresso à Trofa, onde o sacerdote deu os últimos passos rumo à ordenação. “Foi em S. Martinho de Bougado que estagiei. Sempre gostei do município, onde me senti sempre bem tratado e acolhido. Por isso, este regresso é visto com muito bons olhos”, confessou o sacerdote, em entrevista ao NT.

Ordenado em 2012, José Ricardo Dias já acumulou experiência em paróquias dos concelhos de Amarante e Marco de Canaveses, mas abraçar uma nova comunidade exige sempre uma descoberta.

“A minha prioridade, neste momento, é conhecer as pessoas e a realidade desta paróquia e ajudar naquilo que são as especificidades da comunidade. Depois, sim, com o desenrolar das atividades, vão surgir os desafios”, detalhou, sem deixar de reconhecer que sentiu “a satisfação” dos fiéis, por terem “um pároco residente”.

Esta condição dá a José Ricardo Dias a possibilidade de manter uma “grande proximidade às pessoas e disponibilidade para os grupos paroquiais”, sendo certo que – e apesar de não haver nenhuma nomeação oficial – irá auxiliar o padre Luciano Lagoa nas paróquias de S. Martinho e Santiago de Bougado. Ainda assim, garante: “Eu sou o pároco do Muro e esse será a minha principal realidade nesta fase”.

Por outro lado, esta “exclusividade” acaba por atenuar a tristeza da comunidade, que viu o antigo pároco, Rui Alves, abraçar uma nova missão. “Os fiéis nunca gostam de perder um pároco, com o qual se identificam e com quem gostavam de trabalhar. É sempre difícil e, neste caso específico, senti que para a comunidade foi bom terem um pároco residente”, frisou.

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Padre campeão europeu de futsal

Além dos afazeres normais de um sacerdote, José Ricardo Dias destaca-se também no desporto, nomeadamente no futsal. É jogador da seleção nacional do clero e ostenta o título de pentacampeão europeu, num palmarés que, porém, foi interrompido este ano, com o 3.º lugar conquistado na prova.

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Edição 726

A Trofa na Rota do Linho? ( 1943-1979)

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“Triste linho. O que ele padeceu para chegar a ser branco e útil. Foi semeado, arrancado, ripado, moído, espadelado, sedado, fiado, ensarilhado, meado, cozido, corado, dobrado, novelado, urdido e tecido”. São estas as fases por que passa a transformação do linho, desde o seu cultivo até ao branqueamento final…

Mas, o que é o linho e qual a sua composição? É uma planta herbácea, que chega a atingir um metro de altura e pertence à família das lineáceas (com flor azulada). O linho compõe-se basicamente de uma substância fibrosa, da qual se extraem as fibras longas para a fabricação de tecidos e de substância lenhosa. Produz sementes oleaginosas e a sua farinha é utilizada para cata-plasmas de papas, usadas para fins medicinais. O linho é um dos tecidos mais antigos da humanidade; acredita-se que foi descoberto há mais de 36.000 anos. Para a antiga sociedade egípcia, era de uma importância fulcral, sendo igualmente reverenciada pelas tribos de Israel.

Esta crónica só pode ser lida integralmente na edição impressa do jornal ou através da edição disponível para assinaturas online. Mais informações aqui

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Edição 726

Maria Júlia Padrão (1923-2020): A menina da Farmácia partiu

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Em poucos dias, a Trofa perdeu duas referências, que, à boleia de um sentido cívico e muita ousadia, ajudaram a escrever a história do concelho. Uma dessas referências foi Maria Júlia Padrão, figura incontornável da sociedade trofense, que partiu a 2 de outubro, aos 96 anos, deixando um legado quase impossível de replicar. Para os anais da história desta comunidade fica o espírito emancipado e muito à frente do seu tempo, a mostrar o caminho do progresso.

Mais velha de cinco irmãos, dois rapazes e três raparigas, Maria Júlia herdou a vocação artística da mãe, exímia tocadora de piano, tendo sido orfeonista no Orfeão Universitário, mas inclinou-se mais para a pintura. Ainda assim, foram as pegadas do pai, Avelino Moreira Padrão, conhecido como “médico dos pobres”, que sustentaram muito do que foi a vida desta jovem que se formou, em 1945, na Faculdade de Farmácia do Porto.

Prontificou-se a apoiar o progenitor no atendimento aos doentes, mais concretamente na administração de vacinas e injetáveis, mas Avelino Moreira Padrão era exigente e quis que Maria Júlia se especializasse também em enfermagem. E assim foi. No último ano de licenciatura, a jovem inscreveu-se na Faculdade de Medicina do Porto e tirou, simultaneamente, o curso de enfermeira visitadora.

O sonho de ser médica, anulado por quase não ouvir do lado esquerdo, foi substituído pelo projeto que criou com a irmã, Maria José, depois de cinco anos a ajudar Avelino nas consultas: a Farmácia Moreira Padrão abriu em 1951, um ano depois do falecimento do pai. Este tinha aprovado os intentos das filhas, com uma condição: não entrar em guerras comerciais com a farmácia já existente na Trofa.

E naquele tempo, corrido sem o percalço de uma pandemia, as Marias foram empreendedoras, ao prestar serviços de enfermagem e entrega de medicamentos ao domicílio. Faziam-no a pedalar. Maria Júlia e Maria José saíam pelas aldeias de bicicleta, muitas vezes revezavam-se nas corridas. “Nesse tempo, não havia horário de trabalho. Aplicávamos injeções de penicilina de quatro em quatro horas. Enquanto uma descansava, a outra ia”, contou, numa entrevista à Saúda.

Teve a felicidade de nunca ter tido “um mau encontro” e de ser “muito respeitada” pela comunidade. À imagem do que acontecia com o pai, também estas jovens não cobravam nada pelos serviços que prestavam e quem podia oferecia géneros, como batatas, pão e hortaliças.

Maria Júlia não se destacou apenas nos cuidados médicos. Na política, também deixou marca, e bem vincada tendo em conta o tempo em que viveu. Tinha o “bichinho da política”, porque não conseguia “ficar alheada dos problemas do país”. Também neste capítulo, seguiu inspirada pelo pai, alistando-se no Partido Popular Monárquico. Mas apesar de preferir “um Rei, educado para isso”, em Portugal, não se furtava ao dever cívico do voto, mesmo nas presidenciais.

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Era amiga próxima de D. Duarte Pio, que a ajudou, aliás, a criar a Caixa de Crédito Agrícola na Trofa, e seguiu os preceitos do catolicismo, tendo apoiado vários projetos comunitários.

Viveu intensamente, trabalhou até ao fim, disponibilizando sempre um sorriso, sem exagerar na dose. A doutora Maria Júlia partiu sem dever nada a ninguém. A Trofa deve-lhe muito.

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