Em tempos de pandemia, toda a gente finalmente percebeu que o papel da comunicação social é essencial.

Por estes dias, a população, em especial a de Covelas, deu-se conta de que pode estar a caminho da freguesia uma “Epidemia” e a comunicação social lá volta a ser essencial.

Para quem não entendeu, ainda, sobre o que estou a escrever, eu explico.
Há mais de 2 anos que a Câmara Municipal da Trofa está em negociações com a Resinorte para pagar uma dívida de recolha de lixo, que já em 2009, e segundo o relatório de contas da própria Câmara, era superior a 1,8 milhões de euros.

O certo é que na edição de 14 de maio de 2020 do jornal O Notícias da Trofa (e acreditem que até a data é verdadeira), toda a população ficou a saber que essa dívida iria ser paga em troca da construção de um aterro sanitário, na freguesia de Covelas. O próprio presidente da Junta de Freguesia ficou a saber por mim, quando dois dias antes de publicarmos a notícia, o contactei para obter declarações.

Lembro-me de que a primeira reação foi: “Não sei de nada! Em tempos, falou-se, mas julguei que tinha ficado sem efeito”.

Ou seja, o “dono” da freguesia, eleito pela maioria dos covelenses, não foi informado pela Câmara de que o “negócio” ia avante e que os covelenses lá teriam que levar com um aterro, daqueles que toda a gente diz que não dá cheiro, que não atrai gaivotas (aos milhares), que não afeta as linhas de água. Em suma, não tem mal nenhum e é só vantagens.

Aliás, toda a gente sabe que os aterros só trazem vantagens. Todos os concelhos os querem. A Câmara da Trofa está de parabéns, pois conseguiu trazer para o concelho uma importante infraestrutura, há muito desejada por todos… acredito que perceberam que estou a ser irónico.

Para o combate às gaivotas, que podem vir a ser milhares, como em todos os aterros, Sérgio Humberto já pediu à Resinorte “milhafres e “Falcones”, águias não, apenas milhafres e “Falcones” e pediu em espanhol, para que um dos homens da empresa percebesse, pois espanhol é a sua língua materna.

As “coisas foram feitas pela calada”. Terá sido isso mesmo que os eleitos da Assembleia de Freguesia disseram ao presidente da Câmara, ao vereador do Ambiente (e candidato a futuro presidente da Câmara?), à chefe de gabinete, aos arquitetos da Câmara e aos “senhores da Resinorte”.

Rezam os covelenses presentes que “o Nicolau Silva, a Alexandra Ferreira e o Mário Oliveira” foram os que mais mostraram o descontentamento e que algumas pessoas ligadas à Câmara foram arrogantes durante toda a reunião”. Uma reunião que ocorreu na noite de 21 de maio, fechada à população, apenas para os representantes do Município, da Resinorte e eleitos da Assembleia de Freguesia… Ah e de um “infiltrado”, um jovem de Covelas, aspirante a líder J laranja da freguesia, quem nem a tesoureira da junta,a “Alexandra da Tibinha” sabia muito bem o porquê de ele lá estar (o cartão de militância dá acesso a locais que o comum dos mortais, que pense, não pode aceder). Certo é que para essa reunião de trabalho, para discutir um problema que será gravíssimo para a Trofa, o presidente da Câmara levou o seu filho, uma adorável criança de cinco anos.

Era ver o “Pequeno Príncipe” a brincar no Fórum Trofa XXI, com a líder da JSD Trofa e secretária no Município a fazer de babysitter, completamente alheado do que ali se estava a passar e sem nunca perceber, que naquele momento, eram os covelenses que estavam a olhar pelo seu futuro e não o seu pai.

Com esta “história” do aterro de Covelas, que ainda está no começo, percebemos que por estes dias a população e os eleitos da freguesia não foram respeitados, nem foram tidos nem ouvidos – e muito menos escutados – sobre a obra.

Portanto, a partir deste dia, é possível que as populações de qualquer freguesia do concelho da Trofa possam vir a ser alvo de “negócios” por parte do município.

Antes de terminar, e como acho que não escrevi, o novo aterro dista cerca de 2 quilómetros das habitações da Abelheira, assim como 2 quilómetros da capela de S. Gonçalo, e diz-me a minha experiência de vida que, “para o cheiro”, 2 quilómetros são peanuts, e afinal a Abelheira fica do lado de cá da autoestrada, não fica?

Não admira, portanto, que Sérgio Humberto “gostasse” de ver a Assembleia da República transformada em câmara de gás. Afinal, a nova infraestrutura em Covelas também vai ter libertação de gases e essa é logo ali, em pleno concelho da Trofa.

No dia que estiverem a cheirar o que os outros concelhos, e se calhar países, não quiseram, lembrem-se deste texto, o Rei vai nu e não respeita o seu povo.

Hermano Martins