As rotundas foram, nos anos sessenta, uma belíssima solução urbanística e de ordenamento de trânsito

 

Naquela época, para os volumes de trânsito que havia, uma rotunda dava um aspecto urbano às cidades e vilas e representava uma boa solução para o ordenamento do trânsito até aí pouco ordenado.

Com poucas viaturas a circular nas estradas, em Portugal como na Europa, era relativamente simples ordenar o trânsito e os mentores das rotundas descobriram uma solução brilhante para esse ordenamento e para o embelezamento das cidades.

Se repararmos, quase todas as rotundas dessa época estão activas, são bem dimensionadas e continuam imprescindíveis como na época em que foram construídas.

Significa isto que, uma rotunda devidamente dimensionada e colocada no lugar certo continua a representar uma boa solução.

Mas essa boa solução tem pouco a ver com o panorama de hoje: hoje usas-se e abusa-se das rotundas. Com falta de imaginação, os nossos urbanistas e os nossos políticos vão construindo rotundas fora do sítio, provocando uma lentidão inadmissível no trânsito e fazendo com que as nossas estradas continuem a ser das mais lentas do mundo, mesmo sem atingir os volumes de tráfego que atingem alguns países.

Hoje nota-se que muitas autarquias gostam que o trânsito não circule com a fluidez necessária nas suas cidades. Pensam que isso aumenta a importância das suas autarquias.

Como se enganam: terra onde o trânsito não flua com a rapidez necessária, provoca nas pessoas que visitam outras cidades ou vilas uma resistência que só grandes atractivos poderão minorar.

Todos esses inconvenientes, devemos acrescentar o acréscimo de toneladas de monóxido de carbono (gás venenoso), dióxido de carbono e outros compostos poluentes que prejudicam a saúde das pessoas que residem ou trabalham nessas zonas de trânsito lento.

Vem isto a propósito da rotunda em construção em Finzes, na Rua de D. Pedro V, ex-EN-14. Os urbanistas e projectistas da Câmara Municipal da Trofa merecem-me todo o respeito e consideração. Tenho-os por pessoas competentes. Mas não sei se pensaram que, mesmo quando vierem as variantes a essa rua ex-estrada, continua a existir ali uma entrada importante na cidade com volumes de tráfego consideráveis.

Aquela rua será uma avenida importante de entrada na cidade e no concelho. Sem pretendermos que o trânsito circule a velocidades próprias de estrada, não podemos pretender que circule a 20 quilómetros horários. Há outras formas de obrigar os condutores a diminuir a velocidade sem levar a extremos de provocar engarrafamentos, como se verificam e como continuarão a verificar-se.

Esperemos que a Trofa não venha a ser enxameada de rotundas porque os maiores prejudicados com os seus inconvenientes são os trofenses.

Não sou contrário às rotundas: sou contrário às rotundas fora do sítio certo. Uma boa solução pode ser muito má se não for implementada no local adequado.

Quando circulamos por essas estradas fora ficamos cansados por causa da lentidão irritante com que o andamento do trânsito se processa. Não queiramos fazer da nossa terra um desses locais onde os forasteiros dizem horrores com os prejuízos que resultam daí.

É que as pessoas que ficam revoltadas connosco, podem não voltar: não compram cá nada e vão animar o comércio doutras paragens.

A Câmara Municipal deve estar muito atenta a estes fenómenos e ter uma atitude crítica, mesmo que os projectistas sejam entusiastas.

As obras fazem-se mas os problemas de trânsito ficam. E ficam os problemas para os trofenses.

Esperemos que a nossa Câmara Municipal não se deixe seduzir pelo movimento nacional das rotundas. Pode ser uma praga difícil de combater.

 

 

Afonso Paixão