Quando há mais de uma década, se começou a falar no Metro, na Área Metropolitana do Porto, poucos pensaram e raros foram os que agiram, para que a Trofa, que ainda não tinha conquistado a sua autonomia, fosse contemplada na verdadeira revolução em todo o quadro de transportes e de mobilidade desta importante Região.

Na época ainda pertencíamos ao Concelho de Santo Tirso e o poder Municipal de então, por motivos óbvios, pouco ou nada se interessava pelo desenvolvimento destas nossas oito Freguesias e a vinda do Metro à Trofa, pouco o motivava. O mesmo acontecia com a oposição de então e agora poder na Trofa, que só tinha um objectivo: a conquista do poder Municipal de Santo Tirso.

jose maria .jpgNinguém, com poder efectivo, se interessou na época, pela vinda do Metro à Trofa, a não a ser a Junta de Freguesia do Muro, que sozinha na Trofa, meteu “pés a caminho” e “contra ventos e marés”, mas com a ajuda do saudoso Professor Vieira de Carvalho, Presidente da Câmara Municipal da Maia e do Engenheiro João Porto, Director-Geral da Empresa Metro do Porto, conseguiu que o Metro se prolongasse da Maia até à Trofa e fosse contemplada na 2ª fase da implantação, muito antes da 3ª, 4ª e 5ª fase, para tristeza de alguns mas para contento da maioria dos Trofenses que viam no Metro uma fabulosa oportunidade para que a Trofa se autonomizasse e assim desenvolvesse.

Passaram alguns anos e com a elevação de Trofa a Concelho, aqueles que eram oposição, passaram a ser poder, por imposição do actual Presidente do Conselho de Administração da Empresa do Metro, Valentim Loureiro, o mesmo que agora propôs ao Governo de Lisboa que o Metro não se prolongue até à Trofa. “Com amigos deste quilate a Trofa não precisa de inimigos”.

A falta de capacidade politica do poder Municipal da Trofa, ou a falta de peso político, levou a que a vinda do Metro à Trofa, passasse da 2ª fase para depois da 5ª fase e agora, ao que se noticia, passou para fase nenhuma, depois de se ter encerrado há mais de cinco anos a linha férrea, via estreita, que tão importante era para as gentes da Trofa, cujo encerramento tanto prejuízo tem causado.

É com muito espanto que hoje vemos a ida do metro ao centro da Maia, seguindo para a zona industrial do Castelo da Maia e terminando às portas da Trofa, no ISMAI. A prioridade da vinda do Metro à Trofa era a mesma da ida a Vila do Conde e à Póvoa de Varzim e este troço é já uma realidade, para não falar da ida a Gaia e a Pedras Rubras que num passado bem recente eram prioridades para depois da Trofa.

O braço de ferro que o Governo Central está a travar com a Empresa Metro do Porto, para chamar a si todo o controlo do concurso público da empreitada referente às obras do ISMAI até à Trofa para o prolongamento do Metro, é bom que acabe o mais depressa possível, pois já lá vão mais de cinco anos que foi encerrada a linha férrea, Trofa – Trindade, com muitos prejuízos causados às nossas gentes.

A Trofa não tem variantes rodoviárias. A Trofa é o único Concelho que a Estrada Nacional nº. 14 atravessa e que não tem variante. A variante ferroviária continua uma miragem. Tudo e todos passam à frente da Trofa, não só nesta matéria do Metro, como infelizmente em muitas mais!

Mesmo com todos os percalços é de acreditar que a linha C do Metro – Estádio do Dragão – Trofa, vai ser uma realidade, mais dia, menos dia, pois os Trofenses precisam e merecem este meio de transporte.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt