Há vários anos que se fala no mesmo assunto. Nos anos noventa, já se falava muito no metropolitano de superfície, Metro do Porto.

Foi, até, motivo de campanha eleitoral em 1997. Nessa altura, apontava-se para 2003, ano em que o metro de superfície chegaria à Trofa.

Nessa época, a oposição local criticava veementemente e acusava o poder autárquico de não ter capacidade de influenciar suficientemente as decisões. Pior do que isso, acusava o poder socialista de não se interessar pelo desenvolvimento da Trofa.

afonso_paixo_fo_1.jpgO poder autárquico passou ao PSD e os mais críticos ficaram calados, o que me faz questionar a dimensão e qualidade desse bairrismo.

Estamos em 2006 e o metro ainda não chegou cá. Já passa muito de 2003. Poderá dizer-se que a decisão pertence a outrem. É verdade, mas também era verdade em 1997.

O que mudou, afinal? No essencial, mudou o poder autárquico. Será isso razão suficiente para que mudem assim tantas coisas?

Estas considerações vêm a propósito de notícias recentes que colocam a dúvida sobre a vinda do metro de superfície até à Trofa. E impressiona certos “encolher de ombros”.

Um jornal diário, de dimensão nacional, noticiava a semana passada que a empresa Metro do Porto propôs a supressão da extensão até à Trofa.

A notícia surgiu, segundo o mesmo jornal, na sequência dum requerimento dirigido ao governo pelo deputado do Partido Comunista, Honório Novo. A resposta vinda do Ministério das Obras Públicas, a Empresa do Metro propôs a supressão da extensão até à Trofa.

A Câmara da Maia mostrou não ter conhecimento desta proposta e considerou inadmissível. O presidente da Câmara Municipal da Maia, de acordo com a notícia publicada, afirmou mesmo que “enganaram as pessoas esta tempo todo”.

Fonte da Câmara da Trofa afirmou que “não temos conhecimento dessa decisão”.

A questão é importante. Eliminaram a via estreita do caminho-de-ferro e seria o metro de superfície que funcionaria como alternativa ao comboio. E, se não tivermos o metro na Trofa, ficaremos ainda mais prejudicados.

É prejuízo em cima de prejuízo. Já nos retiraram uma série de serviços na estação ferroviária, que deixou de funcionar a partir de certa hora da noite. Com isso, deixaram de prestar alguns serviços importantes e que eram úteis aos utentes dos comboios.

Agora fala-se na supressão da linha do metro até à Trofa e já se especula que os transportes alternativos ao metro também cessar.

A confirmarem-se estas notícias, são os trofenses que são prejudicados, porque lhes é retirada uma das alternativas de transporte, e é a Trofa que é menosprezada e desconsiderada, na medida em que, tendo aderido à Grande Área Metropolitana do Porto, passará a ser o parente pobre da GAMP.

Esperemos que estas notícias não se confirmem e que as obras se realizem como estava previsto.

Da nossa Câmara Municipal, esperamos uma actuação firme na defesa dos nossos interesses.

Da parte dos Partidos, todos, é de esperar uma posição firme de apoio a todas as reivindicações que defendam os interesses da Trofa.

Obviamente, ao partido do poder ser-lhe-ão exigíveis mais acções, mas também não me choca que os partidos da oposição venham apoiar as reivindicações, independentemente de quem exerce o poder.

Entendo que a oposição deve ser constitutiva, e haverá sempre motivos para apoiar poder instalada sempre que tal se mostre de interesse para a Trofa.

O meu conceito de oposição é este. Apoiar quando é útil à Trofa e combater quando assim não seja. Foi isso que fiz num passado recente e é assim que entendo dever ser feito no presente.

Penso que está na hora de levantarmos a voz e lutar para que a Trofa não saia prejudicada deste processo.

 

 

 

Afonso Paixão