O fanatismo é um tipo de comportamento de fervor excessivo, perante factos ou situações, que origina uma atitude radical, impulsiva e muitas vezes impregnada de ódio, pois assenta num radicalismo de posições e numa absoluta intolerância, para quem tem opiniões divergentes. O fanatismo pode manifestar-se numa paixão, que pode estar perto do delírio, na política, na religião, na governança, no desporto ou mesmo no culto por alguém.

Sem entrar na temática da religião ou do futebol, que são “praias” favoritas do fanático, o culto excessivo por alguém é uma paixão que o transtorna e “traveste” de irracionalidade doentia, que o pode levar a cometer acções insensatas. O seu sectarismo, exaltação exagerada e intenso individualismo, derivam dum acentuado fervor assolapado, que não o deixam ver o que toda a gente vê com muita nitidez. As visões do fanático são quase sempre de natureza irracional.

Discutir ideias ou comentá-las com seriedade é sempre mais difícil para o fanático, pois exige tranquilidade, que o fanático não tem. Ele gosta de transformar-se num sniper que, emboscado nos telhados do seu fanatismo rancoroso, cedo ou tarde, dispara contra tudo o que mexe, de preferência contra as opiniões inteligentes, mas divergentes. São aberrações típicas de quem está permanentemente do outro lado do “mundo”.

Um fanático é de extrema ingenuidade quanto ao próprio sistema, mas de descrença total quanto a sistemas contrários. Por isso, um fanático, até pode ser um perigo para a humanidade, praticando actos insanos em nome de um ideal.

O terrorismo, que tem por missão a destruição aleatória de inimigos, serve-se de indivíduos fanáticos, facilmente instrumentalizados para esse fim. Para o terrorismo, que está sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos. Tem-se visto, infelizmente, vezes sem conta, por esse mundo fora.

É muito comum, encontrar-se ao “virar da página” ou ao “virar da esquina”, um indivíduo aparentemente normal e inteligente, com crenças “cegas” ou mesmo irracionais, que se transforma radicalmente, vociferando ódio, ao transcrever a sua opinião ou ao opinar numa simples discussão política, religiosa ou futebolística.

De um modo geral, o fanático tem uma visão do mundo um pouco maniqueísta. Ele vê o mundo à sua maneira, que é mundo muito diferente do mundo que as outras pessoas conseguem ver. A sua inteligência é afectada negativamente, pois o fanatismo tolda a lucidez.

A preocupação do fanático está respaldada, quase sempre, num cenário turbulento vivido num passado de traumas, ficando prisioneiro das suas próprias obsessões. Quando o fanatismo lhe “atacou” o cérebro a doença tornou-se quase incurável.

Este comportamento de fanatismo, que é uma atitude de intolerância extrema com os diferentes, está psicologicamente associado a uma atitude de fuga da realidade, que não o deixa ver a sua própria personalidade, nem perceber a individualidade alheia. Para mal da sua saúde mental!

José Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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