Ano 2012
O fanatismo tolda a lucidez

Sem entrar na temática da religião ou do futebol, que são “praias” favoritas do fanático, o culto excessivo por alguém é uma paixão que o transtorna e “traveste” de irracionalidade doentia, que o pode levar a cometer acções insensatas. O seu sectarismo, exaltação exagerada e intenso individualismo, derivam dum acentuado fervor assolapado, que não o deixam ver o que toda a gente vê com muita nitidez. As visões do fanático são quase sempre de natureza irracional.
Discutir ideias ou comentá-las com seriedade é sempre mais difícil para o fanático, pois exige tranquilidade, que o fanático não tem. Ele gosta de transformar-se num sniper que, emboscado nos telhados do seu fanatismo rancoroso, cedo ou tarde, dispara contra tudo o que mexe, de preferência contra as opiniões inteligentes, mas divergentes. São aberrações típicas de quem está permanentemente do outro lado do “mundo”.
Um fanático é de extrema ingenuidade quanto ao próprio sistema, mas de descrença total quanto a sistemas contrários. Por isso, um fanático, até pode ser um perigo para a humanidade, praticando actos insanos em nome de um ideal.
O terrorismo, que tem por missão a destruição aleatória de inimigos, serve-se de indivíduos fanáticos, facilmente instrumentalizados para esse fim. Para o terrorismo, que está sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos. Tem-se visto, infelizmente, vezes sem conta, por esse mundo fora.
É muito comum, encontrar-se ao “virar da página” ou ao “virar da esquina”, um indivíduo aparentemente normal e inteligente, com crenças “cegas” ou mesmo irracionais, que se transforma radicalmente, vociferando ódio, ao transcrever a sua opinião ou ao opinar numa simples discussão política, religiosa ou futebolística.
De um modo geral, o fanático tem uma visão do mundo um pouco maniqueísta. Ele vê o mundo à sua maneira, que é mundo muito diferente do mundo que as outras pessoas conseguem ver. A sua inteligência é afectada negativamente, pois o fanatismo tolda a lucidez.
A preocupação do fanático está respaldada, quase sempre, num cenário turbulento vivido num passado de traumas, ficando prisioneiro das suas próprias obsessões. Quando o fanatismo lhe “atacou” o cérebro a doença tornou-se quase incurável.
Este comportamento de fanatismo, que é uma atitude de intolerância extrema com os diferentes, está psicologicamente associado a uma atitude de fuga da realidade, que não o deixa ver a sua própria personalidade, nem perceber a individualidade alheia. Para mal da sua saúde mental!
José Moreira da Silva
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