Na história dos tempos, os jovens sempre foram considerados uma força importante para o desenvolvimento das sociedades e para a humanidade seguir adiante, mas na atualidade, e numa visão funcionalista e mercantilista da sociedade, os jovens são considerados descartáveis, em virtude de não responderem às lógicas produtivas, nem a qualquer critério útil de investimento. As consequências desta visão retrógrada são o flagelo do desemprego, e em particular o desemprego jovem.

Desempregado é o individuo com idade mínima de 15 anos que não tenha trabalho remunerado e esteja disponível para trabalhar. Se tem entre 15 e 34 anos, e está nestas condições é considerado, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), desempregado jovem. Esta triste realidade, que chega a atingir os 40%, não é só portuguesa; é também europeia. São muitos os países europeus, que atingem esta elevadíssima percentagem de desempregados jovens.

Os números do desemprego jovem, ainda são mais assustadores, pois é considerado empregado o individuo com idade mínima de 15 anos que tenha efetuado um trabalho de pelo menos 1 hora mediante o pagamento de uma remuneração. São muitos os jovens que, em situação de desespero, aceitam um trabalho temporário. Estes jovens, que aceitaram este trabalho precário e receberam uns parcos dinheiros, não contam para o desemprego. Também não se contabiliza os que emigram. Por estes motivos, os dados avançados pelo INE, referentes ao desemprego jovem, estão muito longe da realidade.

A legislação, que supostamente foi feita para originar a criação de novos postos de trabalho, define que os contratos de utilização de trabalho temporário podem renovar-se até ao limite máximo de dois anos, mas tem sido facilmente contornável. Os contratos nunca duram até ao limite temporal estabelecido, pois são rescindidos antes, para nunca atingir o limite, e volta-se a contratar o mesmo trabalhador, originando um círculo vicioso maléfico para a juventude.

O trabalho temporário, que seria importante para a flexibilização do mercado de trabalho, desde que adequadamente utilizado, transformou-se numa aberração e num abuso sem precedentes. Esta triste realidade, que tem tido beneplácito do poder político e também do poder judicial, demonstra o forrobodó que tem sido, principalmente para as grandes empresas multinacionais, que chegam a contratar o mesmo trabalhador para outras funções, ou com outra categoria, por novos períodos de tempo, chegando a atingir 10 e mais anos. Assim, formalmente, não corresponde a uma renovação contratual, mas a um novo contrato, mesmo que, na realidade, seja para ocupar o mesmo posto de trabalho.

O aproveitamento escandaloso dos estágios curriculares e o trabalho temporário têm sido um engulho ao desenvolvimento pessoal e profissional dos jovens, pondo em causa o seu futuro. Com esta nova realidade, e porque ser jovem é (devia ser) acreditar e correr atrás dos sonhos, surgiu um novo ciclo de emigração não voluntária, agora mais jovem e qualificada, com consequências graves para o futuro do país, que pagará caro por esta falta de visão.

Portugal está a empurrar para o estrangeiro uma geração, talvez a mais bem qualificada de sempre!

Num país onde não se pode ter esperança, nem sonhos, emigrar é o mais natural. O futuro comum é negro, pois está hipotecado. O flagelo do desemprego jovem é uma chaga social que hipoteca o futuro. Infelizmente, em Portugal, a história do futuro está a escrever-se na porta de saída. É triste que assim seja!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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