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Edição 675

O Bloco de Esquerda vai nu e mostra os seus atributos naturais

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O partido político português a que melhor lhe assenta o epíteto de “esquerda caviar” é o Bloco de Esquerda (BE), que nasceu em finais de fevereiro do século passado através de um “casamento de interesses” de partidos que se alimentavam de um ódio figadal histórico, como eram os marxistas-leninistas-maoístas da União Democrática Popular (UDP), os trotskistas do Partido Socialista Revolucionário (PSR) e os neocomunistas da Política XXI. O único fator comum entre estes partidos revolucionários era o controlo do poder através da instauração da ditadura do proletariado, para a implantação de um estado comunista.

O BE tem na sua génese estes princípios ideológicos retrógrados, que nasceram há mais de 150 anos (na segunda metade do século XIX), num contexto social e económico provocado pela transição dos métodos de produção artesanais para a produção mecanizada. Passados quase dois séculos, os principais representantes dessa ideologia esclerosada são os atuais dirigentes do BE, que continuam a defender a luta de classes (empregados contra empregadores, inquilinos contra senhorios), embora muitos bloquistas se situem, na sua génese, do outro lado da barricada da luta de classes, pois alguns são proprietários e senhorios abastados.

Num passado bem recente, os bloquistas vociferavam contra o neoliberalismo e as políticas de austeridade, mas como fizeram um casamento de conveniência (a “Geringonça”), para apoiar o atual governo (que tem abusado das políticas neoliberais, muitas vezes mal), já não se veem nem se ouvem os dirigentes do BE a gritar em manifestações de rua, contra o neoliberalismo e as políticas de austeridade. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, exceto quando alguém discorda deles que é logo apelidado de fascista, racista, machista, homofóbico. No insulto é que se mantêm iguais!

O Bloco de Esquerda vai nu e mostra os seus atributos naturais (pouco abonatórios), pois desde que se sentou à mesa do poder, muitos dos seus dirigentes começaram a utilizar uma nova dialética, embora nas manifestações continuem a utilizar a sua verborreia mais radical. 

O Bloco de Esquerda vai nu e mostra os seus atributos naturais (pouco abonatórios), pois desde que se sentou à mesa do poder, muitos dos seus dirigentes começaram a utilizar uma nova dialética, embora nas manifestações continuem a utilizar a sua verborreia mais radical. Esta postura não passa de uma tentativa frustrada, para ocultar a incoerência gritante entre o dizer e o fazer, pois estão sentados comodamente à mesa do poder, onde trocaram as suas grandes bandeiras por pequenos galhardetes. É também uma tentativa desesperada para segurar o seu eleitorado, que está a fugir para outras paragens, que não a sua.

É a incoerência gritante de políticos que num passado não muito longínquo apontavam a Albânia, como o exemplo europeu, de um país verdadeiramente socialista, governado por Enver Hoxha, um ditador comunista da pior espécie. Alguns dos atuais ideólogos bloquistas até organizavam excursões políticas, com o intuito de “mostrar in loco” o que era um “paraíso socialista”, na Europa, quando a Albânia não passava de um dos países mais pobres do mundo, como se veio a constatar após o colapso das ditaduras comunistas na Europa.

Incoerência e descaramento! Foi o que aconteceu quando apoiou o “Brexit” (a saída do Reino Unido da União Europeia) tendo por companheiros os partidos anti-imigração e xenófobos, como o partido de Marine Le Pen, mas depois teve o despudor de protestar contra a participação desta política francesa, como oradora convidada, na organização da Conferência de Lisboa da Web Summit, a maior conferência de tecnologia e startups da Europa.

Também há dirigentes bloquistas que criticam a política de interesses pessoais por parte de políticos, mas envolvem-se na aquisição de imóveis a entidades públicas, com isenção do IMI e o licenciamento de obras de beneficiação por parte da entidade pública onde desempenham um alto cargo executivo; manipulam os eleitores criticando a terrível especulação imobiliária, mas servem-se deste expediente para engordar a sua conta bancária; protestam contra os senhorios, mas são proprietários de edifícios de luxo com inquilinos; numa absoluta hipocrisia espalham pelas ruas do país cartazes que se anunciam contra os despejos, mas utilizam-nos para despejar os inquilinos que atrapalham o seu negócio imobiliário; tecem regularmente duras criticas à lei que criou o arrendamento local, mas são proprietários de vários alojamentos locais; apregoam ser os paladinos da moral e da verdade e os arautos do politicamente correto, mas praticam atos politicamente condenáveis e imorais. É a falsa “superioridade moral”; é a hipocrisia bloquista levada ao extremo!

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José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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Memórias e Histórias da Trofa: “A Gripe Espanhola no Vale do Ave”

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O Rio Ave fez nascer em seu torno o “Vale do Ave” que se destacaram pelo seu enorme dinamismo económico, uma das zonas mais industrializadas do país.

As fracas condições de vida da classe operária com os operários a viverem miseravelmente em habitações sem condições e a fraca alimentação contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento da epidemia.

No município famalicenses nas freguesias de maior desenvolvimento industrial (Delães, Bairro, etc. etc.) na fase mais elevada da propagação ultrapassava os oitocentos infetados. Um número nefasto, próximo do cataclismo em muito superior à população de muitas das freguesias.

No meio rural deverá ser destacada a mentalidade, nos meios rurais havia uma tendência de pertença a uma família mais intensa e muitos dos enfermos preferiam ficar em casa em vez de rumarem ao hospital e estando a viver no mesmo espaço da sua família facilmente a doença encontrava um terreno favorável para a sua propagação.

Na perspetiva de compreender as lacunas no Vale do Ave, na área do município de Vila Nova de Famalicão com perto de quarenta mil habitantes havia apenas seis médicos para prestar assistência a toda a população.

A vida da maioria dos operários era miserável e ocorria com elevada facilidade o surgimento de cadáveres em casas de operários. Uma das situações passou-se na cidade de Guimarães com uma das vítimas mortais da doença a ser encontrada com vários filhos em seu torno, inclusivamente com dois filhos de pouco tempo de vida no seu regaço.

O impacto da epidemia nos meios industriais era enorme, provocava por vezes situações surrealistas com o jornal, A Semana Tirsense, a anunciar nas suas páginas a 6 de outubro de 1918 que o jornal ao invés de ter as habituais quatro páginas tinha apenas duas, porque a maioria dos funcionários da sua gráfica estavam doentes e não foi possível manter o nível de trabalho das edições anteriores.

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O número de mortos era elevado e na tentativa de diminuir as ondas de pânico na população, optou-se por não tocar os sinos no momento das cerimónias fúnebres para que a própria população não se apercebesse do real número de mortos e a real dimensão da tragédia que os rodeava.

Havia situações inusitadas, enormes fogueiras nas cidades com ramos de eucalipto para tentar erradicar a doença, na realidade acabariam os casos de doença nas zonas onde se realizava essa prática por diminuírem os novos casos. Comum ver em Famalicão essa prática a decorrer por várias semanas.

Na tentativa de bloquear o avanço da doença eram por vezes tomadas medidas drásticas, no concelho de Guimarães foram proibidas em 1918 as celebrações religiosas para evitar a propagação de doenças.

Na ausência de respostas por parte da ciência no momento critico de propagação da epidemia, conduziu a que muitos habitantes de várias localidades optassem por realizarem procissões em honra do Mártir D. Sebastião pelas ruas da sua localidade para com ajuda do divino ser possível extinguir a doença. Momentos de enorme desespero das populações que procuravam uma solução divina.

José Pedro Maia Reis

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NO PÓ DOS ARQUIVOS… Rev. Hilário António de Faria

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Rev. Hilário António de Faria
11/10/1717 (S. M. Covelas) – 13/05/1794 (S. M. Bougado)

Calaram-se as bandas e os foguetes. Desceram-se os mastros e os arcos. Desligaram-se as luzes. Guardaram-se as bandeiras e as opas. Desfizeram-se os andores. Terminaram as Festas de Nossa Senhora das Dores. Continuará – porque se manterá por anos e séculos! – a «especial devoção que os moradores da freguesia de S. Martinho de Bougado têm a Nossa Senhora das Dores». Continuará a Capela. Também a memória do Abade Inácio Pimentel e do Conde de São Bento, promotores da sua construção e ampliação.

Seria estulta a pretensão de restringir a um lugar secundário o contributo do Abade Inácio Pimentel. Longe de mim! Tendo ele ingressado, em 1723, na Congregação do Oratório do Porto, e tendo sido «o culto de Nossa Senhora das Dores difundido pelos Oratorianos, durante o século XVIII», são factos que sustentam o seu inquestionável desvelo pela construção da capela de Nossa Senhora das Dores. Mais do que o procedimento normal, que é o de relacionar o facto com o nome do superior hierárquico, ainda que, apenas à data, ocupe o cargo. Bem conheço o que escreveram, a propósito, Pereira da Silva e António Cruz, a cuja memória me curvo, pelos seus conhecimentos. E também outros, em recente publicação evocativa dos 250 anos da construção da Capela de Nossa Senhora das Dores: Napoleão Ribeiro e Laura Silva, do Gabinete do Património Cultural, e Graciete Teixeira, do Arquivo Municipal.

Isto não invalida, porém, que admita que o «padre coadjutor P.e Hilário António de Faria» tenha abraçado, de todo o coração, o «desejo de erigir uma capela de Nossa Senhora das Dores, no lugar chamado Monte da Carriça». Pendo a crer que o Rev. Hilário António de Faria tenha sido o redactor da petição «dos moradores da freguesia». Também ele o era e foi durante quase meio século, de 1746 a 1794. Petição que, em Junho de 1766, entrara na Diocese do Porto. Diocese sem bispo, à data, acrescente-se.

Depois do falecimento do Bispo D. Fr. José Maria da Fonseca e Évora (16 de Junho de 1752), só em 31 de Agosto de 1756, após se conservar a sé vaga durante quatro anos, foi nomeado o Bispo D. Fr. António de Sousa.

Para o Rev. Hilário António de Faria foi a paróquia de São Martinho, não de Covelas, onde nasceu, mas de Bougado, a paróquia da sua vida. Aqui permaneceu 48 anos, igualando a soma da duração da paroquialidade do Abade Francisco Pimentel (24 ) mais a do Abade Inácio Pimentel (24). A sua actividade pastoral em São Martinho de Bougado ter-se-á iniciado dois anos antes da data que lhe tem sido atribuída, 1748. Os assentos paroquiais comprovam-no. Em 31 de Janeiro de 1746 se receberam os nubentes André de Azevedo, da Aldeia de Real, e Maria Domingues, da freguesia de Ribeirão. No dia 7 de Agosto de 1746 foi baptizado Manuel, filho de Manuel de Azevedo e de sua mulher Ana Domingues, da Aldeia de Paradela. Nos dois assentos, assinou, como testemunha, o P.e Hilário António de Faria, Coadjutor. O Reverendo Padre Hilário António de Faria, natural de Covelas e morador em São Martinho de Bougado, faleceu no dia 13 de Maio de 1794.
(Paróquia de São Martinho de Bougado. Assentos de Óbitos, 4 – 1029)
Tempo que bonda para que sinta, como seus, os desejos dos moradores da freguesia. Como eles, «o desejo de erigir uma capela de Nossa Senhora das Dores»!

Assento do baptismo de Hilário:
Hilário, filho de Domingos António e de sua mulher Margarida Duarte, da aldeia de Lemende, desta freguesia de São Martinho de Covelas, nasceu aos onze dias do mês de Outubro de mil setecentos e dezassete e foi baptizado aos dezassete dias do mesmo mês. Foram padrinhos, eu, Abade, por nomeação de seus pais, e Maria, filha de Francisco da Silva, do lugar de Outeirô, desta freguesia, e testemunhas João Domingues e João António, do lugar de Lemende, e a maior parte da freguesia. Eu, Abade que o baptizei, dia, mês, e era ut supra. O Abade Hilário Luís da Silva.
(Paróquia de São Martinho de Covelas. Assentos de Baptismos, 2 – 618)

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