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Edição 722

O ABC da negociação

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Números redondos, o valor que separa um não de um sim, é 1.600.000,00€.
Em Dezembro de 2017, 400.000,00€ eram motivo para não encetar negociações. Em Maio de 2020, ficamos a saber que 2.000.000,00€ foram suficientes para garantir uma posição favorável, durante o processo de negociação do aterro sanitário de Covelas.

Vamos a factos, porque a História é feita de factos, e, se há momento que ficará para a História da Trofa, é este. Em primeiro lugar, em qualquer negócio, existe um comprador e um vendedor, condição essencial para realização do ajuste. Se a Resinorte não tivesse demonstrado vontade de vender, e se a Câmara Municipal da Trofa, não tivesse vontade de comprar, as negociações não avançariam.

Em segundo lugar, o processo de licenciamento de um aterro sanitário, moderadamente apelidado de unidade de confinamento técnico, não é um processo unilateral. Envolve várias entidades administrativas e institucionais.

Tome como exemplo, caro leitor, o processo de licenciamento para construção de uma casa. Proponho um exercício de objetividade, em ordem de grandeza. Se uma habitação, uma simples casa, precisa que o processo de licença de construção seja emitido pela Câmara Municipal, que dizer de um processo de licenciamento de um aterro sanitário? Uma unidade como um aterro passa ao lado do Executivo de uma Câmara Municipal? A Câmara Municipal da Trofa, é completamente alheia ao licenciamento de uma infraestrutura desta natureza? A Câmara Municipal da Trofa, não tem de fazer com o proponente, ao caso Resinorte, o mesmo que qualquer um de nós faz, durante o processo de licenciamento de uma habitação? Não tem de entregar documentação que suporte e sustente o processo de licenciamento junto das restantes entidades que fazem parte desse processo? Todas estas questões tiveram uma resposta que nos foi dada a conhecer pela comunicação social, não pela boca de nenhum membro do Executivo da Câmara Municipal da Trofa.

Em terceiro lugar, o senhor Vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa, António Azevedo, no passado dia 21 de Junho, na Abelheira, afirmou diante da população que a autarquia tinha recebido um pedido de licenciamento, para construção de uma fábrica de fertilizantes. O mesmo senhor Vice-presidente, António Azevedo, garantiu que a fábrica não iria ser construída porque não teve aprovação por parte do Executivo. Tal decisão foi tomada em poucos dias, palavras do senhor Vice-presidente. Posto isto, urge uma questão.

Se o executivo camarário foi célere na resposta ao pedido de licenciamento da fábrica de fertilizantes, o que aconteceu entre Dezembro de 2017 e Maio de 2020, com o projeto de licenciamento do aterro sanitário de Covelas?
Em quarto lugar, o “inimigo” Resinorte. A Resinorte, é uma empresa do grupo EGF, integrada no grupo Mota-Engil. Para contextualização, a EGF – Empresa Geral de Fomento era uma empresa do Grupo Águas de Portugal, privatizada pelo Governo PPD-PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho. O grupo Mota-Engil, é um importante potentado industrial e comercial do nosso País.

A Resinorte, uma empresa que tem a sua atividade económica reconhecida e juridicamente constituída como sociedade anônima, limita-se a atuar naquilo que lhe compete. Defende os seus interesses, assim como o Executivo do Município da Trofa defende os nossos. Pelo menos, é esse o meu entendimento.

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Numa altura do campeonato em que já se falava em passar a bola, passar a ideia de que, a Resinorte é “o inimigo”, é não ter ciência, nem decência. Se posição favorável ao aterro havia e se argumentos fortes apraziam, deveria o Executivo tê-la feito chegar de forma clara aos Trofenses, e não fazer jogos de cintura, dando o dito por não dito.

Uma Trofa de futuro, vive na ânsia do futuro passar por aqui. Não é uma Trofa que queira abraçar uma infraestrutura como um aterro sanitário. Caso se entenda o contrário e, por justa contraposição, deve haver a coragem de o afirmar publicamente.

Por último, na proximidade do local escolhido para o aterro sanitário, existem terrenos destinados à construção de pavilhões industriais, a famosa ALET – Área de Localização Empresarial da Trofa, área essa que teve, desde o início, o propósito de se tornar no segundo maior polo industrial de Portugal. O impacto negativo no preço desses terrenos e a existência do aterro sanitário na sua proximidade, com outras consequências, funcionaria como um repelente ao investimento, à atração de empresas, à criação de empregos, à criação de receita fiscal e ao desenvolvimento do comércio e indústria do concelho da Trofa. O senhor Presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Humberto, percebeu que a sua intenção poderia castigá-lo nas urnas.

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Edição 722

Desistir da Vida

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“Saber envelhecer!”. Esta frase, que esconde um conceito ou um estilo de vida, que supõe, penso eu, saber passar pelo tempo sem desistirmos de nós próprios, aplica-se como uma luva na minha pessoa.

Quando fiz trinta anos, da minha mãe ouvi, de forma desprendida e objectiva, “Parece que ainda estás nos vintes, meu filho”, quando cheguei aos quarenta, disse-me que parecia que ainda estava nos trintas.

Na semana passada, eu, com quarenta e seis anos, encontrei um amigo da minha geração, que já não via há muito tempo. Quando ele chamou por mim, não o reconheci de imediato, parecia-me um estranho com cinquenta e seis. Para me lembrar quem ele era, de forma discreta, fiz-lhe uma pergunta-chave, “Então tudo bem? Quem são os teus pais?”. E respondeu-me, “São o Tone e a Nela.”

Identificado o João, trocámos uma palavras e como tudo o que se pensa não se deve dizer, para o animar, sem que ele me tivesse pedido, digo-lhe, “Se não estivesses careca, gordo e cara envelhecida, parecias ter a minha idade!”. De forma fraterna nos despedimos, ele virou-me as costas e eu respondi-lhe, “Até breve!”.

Mas este “saber envelhecer”, não tem a ver apenas com um belo aspecto físico, há que aparentar maturidade. Po exemplo, continuo a abrir a porta às senhoras, a dar-lhes prioridade,…, e nunca ninguém me viu a estender roupa (aparentemente).

Esta actividade exerço-a durante a madrugada, entre as três e as cinco horas, inicialmente de segunda a domingo, começando a fazê-lo desde há sete meses atrás apenas de segunda a quinta, porque num sábado de madrugada ia sendo apanhado a estender toalhas pelo meu vizinho, ainda jovem e que sai ao fim de semana!

E como tenho a ideia que exercer qualquer actividade que termine em “er”, dá muito estilo, tornei-me, primeiro, “Blogger”, depois “Youtuber” e desde há dois anos sou “Crossfiter”, demonstrando nesta última actividade algum amadorismo, visto que ainda não sou depilado nem tatuado!
Em suma, a vida corria-me bem, sem eu compreender como há gente com depressões e que reagem ao bom e ao mau, sem expressão… até ontem.
Sábado, 18 de Agosto de 2020, Box “Crossfit Vale de Ave”, 12h55m. No intervalo de um exercício vejo um amigo (com cinquenta e seis anos, mesmo) na recepção e aproximo-me dele, momentos a seguir aproxima-se uma jovem, que estava a fazer a aula comigo, e virada para o meu amigo e apontando para mim, diz:

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– Olá pai! Eu não te disse que aqui no ginásio andava um senhor da tua idade.

Deste amigo, que já não via há meses, a última vez que outros amigos me falaram dele foi para dizerem o quanto ele estava acabado!

A aula para mim acabou, tomei banho, vesti-me, almocei sem sentir o sabor da comida, nem prazer na bebida, fui estender duas máquinas de roupa em plena luz do dia, desobedeci duas vezes à minha esposa, sem querer saber das consequências, e este texto foi “postado” como saiu, sem fazer nenhuma revisão,…

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Edição 722

Memórias e Histórias da Trofa: Requalificação do Santuário de Santa Eufémia

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Decorria o ano de 1900 e os meses iam correndo a sabor do tempo, aproximava-se setembro que era um importante mês para a cultura popular, atendendo que se iria realizar mais uma edição das festividades em honra a Santa Eufémia.

A romaria de Santa Eufémia era aguardada com grande ansiedade pelos populares, não só da Trofa, como também, de outras localidades aqui da zona que desforravam o seu ano, na última grande romaria.

No ano de 1900, havia uma mudança profunda nestas festividades, porque segundo o cronista do Jornal de Santo Tirso, não era a velha capela que o próprio descreve como arruinada que aguardava pelos romeiros, mas sim, um novo e modesto tempo, com a novidade também da imagem da mártir ser completamente novo e em tamanho natural.

Uma obra profunda que é apontado como principal impulsionador das mesas, o padre que prestava serviço na Paróquia, concretamente o Padre Manuel da Sila Moreira que era considerado um dos párocos mais dignos do concelho.

A melhoria das instalações, não era só na capela, conforme foi referido no parágrafo anterior, mas, as melhorias ocorriam também na área envolvente do templo religioso, gastando 2 contos, um valor fastigioso para aquele período da história, para trazer mais dignidade e qualidade para o desenrolar das atividades festivas.

As festividades duravam três dias, sendo o tradicional fim de semana, com o último dia de festa a ser na segunda feira, com a realização de um mercado em que se esperava, contudo, que as atividades comerciais fossem fracas, escrevendo que havia mais feirantes que romeiros como era tradicional.

Uma importante festividade na história do concelho que conhecia uma nova alavanca para o seu desenvolvimento, uma nova capela, uma nova imagem e arranjos da área envolvente ao santuário para dar mais dignidade as festividades que eram um marco da região.

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