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Edição 771

Nossa Senhora das Dores (ou Mater Dolorosa)

Um interessante trabalho de António Costa sobre Nossa Senhora das Dores, numa reflexão sobre a 7.ª dor de Maria.

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Nossa Senhora das Dores, também chamada de Nossa Senhora da Soledade, Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora das Angústias, Nossa Senhora da Agonia, Nossa Senhora das Lágrimas, Nossa Senhora das Sete Dores, Nossa Senhora do Calvário, Nossa Senhora do Pranto e Mãe Soberana, são “títulos” pela qual é venerada a Virgem Maria, mãe de Jesus.

Origem do título de Nossa Senhora da Soledade

Nos primórdios do Cristianismo, quando os cristãos ficaram livres de poder, finalmente, professar a sua fé, surgiram os primeiros crucifixos que eram considerados símbolos da redenção. Volvidos alguns anos começaram também, a representar a imagem da Virgem das Dores com a cruz, (ao lado ou atrás dela?) Ela recebeu o título de Senhora da Soledade, que significa solidão, saudade e tristeza.
Desta tradição surgiu a devoção a Nossa Senhora da Soledade. Ela é mãe – e como qualquer mãe humana – sente em sua pele a solidão e o abandono da humanidade, com a morte de seu Filho Jesus. Nossa Senhora da Soledade também nos remete à imensa saudade que a Virgem Maria sentiu nos três dias em que (Jesus) esteve no sepulcro.

Representações de Nossa Senhora da Soledade (ou da Solidão)

Nossa Senhora da Solidão era representada olhando para o céu ou para a Cruz com os seus olhos cheios de lágrimas (tal como a “nossa imagem” que está na capela de Nossa Senhora das Dores). Em algumas imagens, ela segurava o Santo Sudário de Jesus. A devoção a Nossa Senhora da Soledade propagou-se durante os séculos XVII e XVIII, especialmente na Península Ibérica.

As 7 Dores de Maria (correspondentes às 7 “espadas”)

1.ª Dor: A profecia do velho Simeão: “Uma espada de dor trespassará a tua alma”
2.ª Dor: A fuga da Sagrada Família para o Egipto
3.ª Dor: O desaparecimento (perda) do Menino Jesus no Templo
4.ª Dor: O Encontro de Maria (com Jesus) a caminho do Calvário
5.ª Dor: Sofrimento e Morte de Jesus na Cruz (no Calvário)
6.ª Dor: Deposição do corpo de Jesus (da Cruz) e entregue nos braços de Maria
7.ª Dor: Sepultamento de Jesus (e Maria fica Só, “sem o seu Filho, nem vivo, nem morto”)

Nossa Senhora da Soledade, da Solidão ou do Abandono
SÉTIMA DOR: “Em memória da sétima dor, da angústia que padeceu a Senhora e das lágrimas que derramou, ao ficar sem seu Filho, nem vivo nem morto”. Eram estas as palavras iniciais que, outrora, (e ainda hoje) o presidente da celebração do Septenário (em honra de Nossa Senhora das Dores, da Trofa) recitava, apresentando aos fiéis o tema de reflexão para esta “DOR” de Maria. Para aqueles que visitam regularmente a capela de Nossa Senhora das Dores, a imagem de Nossa Senhora das Dores, que se encontra no retábulo-mor, simboliza esta mesma dor.

Nota: a Virgem das Dores está no retábulo-mor (em ponto grande), e em baixo, infelizmente pouco visível, está a imagem (demasiado pequena) de Jesus morto “possivelmente já no sepulcro”.

Breve reflexão da 7.ª Dor de Maria

Todas as mães sofrem, amargamente, a perda de um filho e à perda segue-se, inevitavelmente, a lembrança dos momentos passados ao seu lado. Após o sepultamento de Jesus, Maria começa a recordar-se de cada instante vivido junto de seu Filho. Todas as dificuldades e todas as alegrias voltaram à memória da Virgem Maria.
No entanto, nem as recordações dos momentos agradáveis passados ao lado dele, ofereciam-lhe conforto. Pelo contrário, tudo era motivo de angústia. Era a “Sétima Espada” de dor que trazia consigo um sofrimento que só se extinguiria com a tão esperada aurora da ressurreição de seu Filho Jesus.

“Ó VÓS QUE
PASSAIS, PARAI E VEDE SE HÁ DOR
SEMELHANTE
À MINHA”


É impossível não sentir profunda emoção ao contemplar a expressiva imagem da “Mater Dolorosa” e meditar nestas palavras (fortes e cheias de comoção) do profeta Jeremias, que a piedade católica aplica à Mãe de Deus: “O Vos Omnes qui transittis per viam, Attendite et videte si est dolor similis sicut dolor meus.”

“Pietá” (ou Nossa Senhora da Piedade)

Nossa Senhora da Piedade (ou só “Pietá”) é um título e uma imagem da Virgem Maria inspirada na famosa “Pietá” de Michelangelo e em Nossa Senhora das Dores. Trata-se de uma imagem que “fala” pela força de expressão artística. Na imagem, Maria está com seu filho Jesus morto nos seus braços. Remete a um momento muito específico de dor e sofrimento, logo após a morte de Jesus na cruz. A escultura, de cariz renascentista, virá a tornar-se a mais célebre obra-prima do escultor italiano “encomendada” pelo Vaticano, tendo sido esculpida em 1499. A célebre “Pietá” encontra-se na Basílica de São Pedro.

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A imagem de Nossa Senhora Pietá contém uma teologia profunda. Jesus morto, recém-descido da cruz, nos braços de sua Mãe, (que), consciente de sua missão, acompanha o seu filho até ao fim e oferece-o pela salvação da Humanidade. Ela representa também a dor de milhões de mães que sofrem por seus filhos, vítimas de todo o tipo de sofrimento.
As primeiras imagens de Nossa Senhora da Piedade “surgiram em finais do século XIII, na Alemanha, onde é chamada Vesperbild”. Da Alemanha expandiram-se por toda a Europa… e chegaram, entretanto, a Portugal. A primeira imagem que aparece em Portugal é em Lisboa, no ano de 1230.
Aparentemente, as imagens medievais eram destinadas à contemplação mística dos fiéis, permitindo que o devoto se sentisse “presente” no momento do abraço sofrido entre Maria e Jesus.

“Sozinha, sem José,
sem Jesus, abandonada
Embora confiada aos
cuidados de João,
o mais novo dos
apóstolos.
É noite no coração
da mãe.
Ela vive SÓ nesta
dor, dor vivida de
modo peculiar e único
É a materialização
da Soledade
Nossa Senhora
da Soledade
Nossa Senhora
da sagrada Solidão”.

Mãe Dolorosa, é Corredentora com Cristo?

Maria, com suas dores foi “corredentora”, juntamente com seu filho.
“De pé, junto à cruz de Jesus estava sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena… Jesus, ao ver sua Mãe, e junto dela o discípulo que Ele amava, disse a sua Mãe: ‘Mulher, eis aí o teu filho’. Depois, disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe’. E desde aquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa.” (Jo:23-27).
Por ser a Mãe de Cristo Redentor, e pela dolorosa compaixão ao pé da cruz, Maria está, intimamente, associada, por livre disposição de Deus, ao tremendo sacrifício de Cristo Redentor. Diz o mariólogo Pe. Llamera: “A Corredenção é uma função maternal, ou seja, é adequada a Maria que a exerce na sua condição de Mãe. Ela é a Corredentora por ser mãe. É Mãe Corredentora. Não houve, até agora, uma definição dogmática da Corredenção por parte do Magistério extraordinário da Igreja; houve, sim, declarações expressas do Magistério ordinário, tanto de Sumos Pontífices como de Bispos e da Liturgia oficial da Igreja”. Em resumo: alguns teólogos afirmam mesmo que Maria é “Corredentora do Género Humano”.
A propósito da Corredenção de Maria, disse Paulo VI: “ A reforma pós conciliar (…) considerou a Virgem Maria com uma perspectiva adequada ao mistério de Cristo; e em sintonia com a tradição, reconheceu-lhe o lugar singular que lhe compete no culto cristão, qual Santa Mãe de Deus e enquanto alma cooperadora do Redentor”… “Esta união da Mãe com o Filho na obra da Redenção, alcança o ponto culminante no Calvário (…) onde Maria esteve de pé junto da cruz (Cfr. Jo 19,25), sofrendo profundamente com o seu Filho Unigénito e associando-se com ânimo material ao seu sacrifício…”
Eis o que refere o documento conciliar “Lumen Gentium”, sobre a doutrina da “Corredenção”.
“Ao aceitar a mensagem divina, Maria, filha de Adão, tornou-se Mãe de Jesus e, abraçando de todo o coração e sem qualquer torpor de pecado a vontade salvífica de Deus, consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor à pessoa e à obra de seu Filho único com diligência ao ministério da Redenção com Ele e subordinada a Ele, pela graça de Deus omnipotente. Com razão, pois, julgam os Santos Padres que Maria não foi mero instrumento passivo nas mãos de Deus mas cooperou com sua livre fé e obediência para a salvação dos homens. Como disse Santo Ireneu: Obedecendo, tornou-se causa da salvação para si mesma e para todo o género humano…”

Nossa Senhora das Dores: A “paixão de Maria”

No calvário, manifestam-se o “aparente fracasso” do Filho e o seu “abandono” pelo Pai, para os
quais Maria precisa de dizer “sim”, pois ela havia aceitado todo o destino de seu filho.
A paixão de Maria inicia na sua visita ao Templo. A jovem Maria deve aceitar a primazia do verdadeiro Pai e do Templo, renunciando àquele a quem deu à luz: Ela leva até às suas últimas consequências o “sim” à vontade de Deus (pronunciado na Anunciação) à medida que se retrai e liberta o Filho para a missão dele. Nos momentos em que é “repelida” por Jesus, durante a sua vida pública, nesse retraimento de Maria, dá-se um passo importante que se cumprirá na cruz com a frase: “Mulher, eis o teu filho”. A partir desta hora, já não é Jesus, e sim, o discípulo amado, o filho dela. A aceitação e a disponibilidade são os primeiros passos pedidos; o abandono e a renúncia são o segundo. Só assim a sua maternidade torna-se perfeita. Maria é preparada para o mistério da cruz, que não termina simplesmente no Gólgota. O seu filho permanece sinal de contradição, no sofrimento da maternidade messiânica, tal como o velho Simeão havia profetizado há cerca de trinta anos.

“Stabat Mater (Dolorosa)”
Stabat Mater (Dolorosa”), tradução do latim para português: “Estava (de pé) a Mãe Dolorosa” é uma Sequência do século XIII, atribuída ao franciscano Frei Jacopone de Todi. O poema começa com as palavras “Stabat Mater Dolorosa” e é um dos mais pungentes e directos hinos medievais sobre o sofrimento de Maria, Mãe de Jesus, durante a crucificação.
Este poema (Stabat Mater) foi musicado por muitos compositores, como por exemplo: Vivaldi, Rossini, DvoraK, Pergolesi, Palestrina, Haydn, Schubert, Liszt, Verdi e outros.
A igreja só aprovou, oficialmente, o seu uso litúrgico em 1727, quando foi incluído no Breviário Romano e no Missal para a festa de Nossa Senhora das Dores.

Nossa Senhora das Dores – do sofrimento e tristeza – à alegria Pascal: “Regina Coeli”

Cerimónia da retirada das Espadas e Coroação de Nossa Senhora das Dores. Há um costume (tradição) secular na igreja dos Congregados de Braga que remonta a alguns séculos atrás e que tem dois momentos distintos: o primeiro é a celebração da festa de Nossa Senhora das Dores na sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos; o segundo é algo “peculiar” e consiste na chamada “Retirada das 7 espadas e Coroação da imagem da Virgem das Dores”, durante as cerimónias da Vigília Pascal.
Assim, no final da celebração, o presidente da assembleia da Vigília Pascal, acompanhado de dois acólitos, dirige-se à imagem de Nossa Senhora das Dores, inclinando-se diante dela, incensa a imagem, e, após o cântico do “Magnificat”, o sacerdote “retira uma a uma as 7 espadas, e, beijando-as, entrega cada uma às sete crianças que seguram umas almofadas onde são depositadas as espadas”. Entretanto, o coro vai entoando o cântico pascal “Regina Coeli”. A cerimónia finda com a Coroação da imagem, “retirando o resplendor” e colocando “uma Coroa Real” com o repique dos sinos da Basílica.

São Martinho de Bougado não tem só um, mas três altares (e imagens) dedicados a Nossa Senhora das Dores

Quando, em 14 de junho 1766, o pároco de então, Reverendo Inácio Sarmento Pimentel, dirigiu, em nome da sua comunidade paroquial, um pedido ao Bispo da diocese para erigir um templo dedicado à Virgem das Dores, alegava que os moradores desta freguesia tinham “especial devoção” à Mãe das 7 Dores. Ele, já na altura, tinha razões de sobra para atestar e justificar tal pedido, porquanto possui, na sua paróquia, (e na igreja Matriz) dois altares a ela dedicados, conforme a seguir se indica:

O primeiro é um altar colateral (do lado esquerdo), junto ao arco da capela-mor, que foi dos primeiros altares a ser edificado e é chamado de Nossa Senhora das Dores junto à Cruz do Calvário (5.ª dor).

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O segundo é o de Nossa Senhora da Piedade, ou Pietá (altar pequeno), e é o primeiro, do lado direito, logo à entrada da igreja (6.ª dor)

O terceiro (que completa o grupo de três altares existentes na paróquia) é o actual retábulo-mor da Capela de Nossa Senhora das Dores – 7.ª dor (Nossa Senhora da Soledade).

ANTÓNIO COSTA

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Memórias e Histórias da Trofa: Estrada Trofa-Vila do Conde

A estrada Trofa-Vila do Conde, ou para ser mais preciso de Santo Tirso a Vila do Conde, é famosa, sobretudo, em tempos de verão, pela saída dos trofenses para estâncias balneares. Em 1882, discuta-se a sua construção.

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A estrada Trofa-Vila do Conde, ou para ser mais preciso de Santo Tirso a Vila do Conde, é famosa, sobretudo, em tempos de verão, pela saída dos trofenses para estâncias balneares. Em 1882, discuta-se a sua construção.
A estrada distrital n.º 9, que ligava as duas cidades, mas iria também estabelecer um ponto de união com a estrada real n.º 3, a atual n.º 14 (Porto-Braga), era considerada urgente para o desenvolvimento do país, a ligação entre várias cidades importantes, alguns dos casos estavam a dar os primeiros passos no seu desenvolvimento industrial, que não podia ser bloqueado pela burocracia.
Perante a afirmação do parágrafo anterior, aquela situação era declarada como interesse público com base na lei da época e acabava o proprietário Manuel Domingues Carneiro por ficar sem uma área considerável de terreno, como também outros proprietários da época iam perder importantes terrenos.
Hintze Ribeiro, importante figura política do século XIX, mais uma vez, proclamava decretos de lei relativamente ao desenvolvimento da Trofa e, sobretudo, para facilitar a construção de obras públicas que, mais uma vez, eram consideradas fundamentais para o desenvolvimento da localidade.
Uma visão com futuro que permitiu construir a rede viária da Trofa, que se manteve em exercício praticamente até ao momento com 140 anos não sofressem nenhuma alteração profunda no seu traçado, apesar de a Trofa ser dos concelhos com mais peso nas exportações nacionais, maior contributo óbvio para o PIB, como também o concelho com umas das maiores dinâmicas demográficas das últimas décadas.
Um século e meio de estagnação, num dos mais importantes setores que alavancam a economia, contribuindo para a construção da marca da Trofa da falta de condições elementares para alimentar e sustentar também o seu desenvolvimento.
Os proprietários ficavam sem centenas de metros quadrados, não tinham muito espaço para contestar até porque a Junta Consultiva de obras Públicas e Minas declarava a utilidade pública e urgente para a realização daquela ligação e daquela obra.
A Trofa ficava com uma ligação por rede rodoviária condigna pelo Vale do Ave e conseguia no seu território ligar essa mesma estrada a outro importante meio de desenvolvimento que era a republicana nacional 14.

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Festas de S. Bartolomeu em S. Romão

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S. Romão do Coronado vai estar em festa de 24 a 28 de agosto. A romaria em honra de S. Bartolomeu promete animar a população, com um cartaz cultural recheado de momentos de animação musical.
No primeiro dia, 24 de agosto, a iluminação será ligada com acompanhamento da rusga das concertinas, às 21h30, e na noite seguinte, à mesma hora, sobe ao palco o grupo de música tradicional portuguesa “A Rapaziada”.
A 26 de agosto, a noite é dedicada ao folclore, com atuação dos ranchos folclóricos de S. Romão do Coronado e de S. Pedro de Roriz (Santo Tirso) e do Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Modivas (Vila do Conde).
O fim de semana arranca com o som do Grupo de Bombos Santa Maria de Gémeos (Guimarães), que vai percorrer as ruas da freguesia até ao fim da tarde de sábado. Às 22h00, o palco será de João Neto e Leonardo, com música sertaneja. À meia-noite, o céu ilumina-se com fogo de artifício.


A 28 de agosto, há espetáculo musical com a Orquestra Pentágono, às 21h30, e, para encerrar as festividades, mais uma sessão de fogo de artifício.
Do ponto de vista religioso, destaque para as eucaristias de 24 de agosto, às 20h00, e de 28 de agosto, às 10h00. Neste mesmo dia, há procissão em honra de S. Bartolomeu às 16h00.

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