Inevitável começar por relembrar os dramáticos acontecimentos a leste, com as bombas a cair em pleno território europeu da Ucrânia, dada a tensão com a Rússia, com muitas baixas entre os civis a que acresce a queda de um avião com 298 pessoas. Na Palestina, jamais haverá paz, os tumultos sucedem-se na Faixa de Gaza! No Iraque, reina a confusão. Dramas como estes replicam-se um pouco por todos os cantos do mundo, o que nos deve fazer perceber que vivemos num cantinho à beira mar abençoado!

Por cá, neste cantinho abençoado, as férias trouxeram grandes surpresas, mantendo-se grátis, sem taxas ou impostos: as idas à costa com cerca de 1000 Km de praias, as brisas dos passeios à beira mar, as idas ao pôr-do-sol da ribeira do Porto ou a frescura da Serra do Gerês. Recordo ainda o convívio com os turistas no Algarve, a luz intensa do Tejo em Lisboa ou a neve da Serra da Estrela. Calma no continente que as ilhas ainda são nossas, o calor tropical da Madeira já encostada a África ou a ruralidade dos Açores a meio caminho da América.

Os milhões de emigrantes portugueses sentem saudades destas e de outras maravilhas, e nós, aqui mesmo, de que nos queixamos? Como diz o grande compositor e intérprete Pedro Abrunhosa: “Ninguém sai de onde tem paz” e repete incessantemente que “quero ir para os braços da minha mãe”, como se as suas raízes o puxassem para de onde nunca deviam ter saído. “É tão cinzenta a Alemanha, e a saudade tamanha, e o verão nunca mais vem…Quero ir para casa, embarcar num golpe de asa (…) quero voltar para os braços da minha mãe… trouxe um pouco de terra, cheira a pinheiro e a serra, voam pombas nos beirais (…) Quero ir para casa, embarcar num golpe de asa (…) quero voltar para os braços da minha mãe (…) faz tanto frio em Paris (…) ninguém sai de onde tem paz!” 1)

Por cá, os rios continuam a correr para o mar, as serras depois dos incêndios tornam-se novamente verdejantes e o sol nasce para todos… Sinto-me um privilegiado, porque estou onde há paz!

  1. Excertos retirados da musica de Pedro Abrunhosa, “Para os braços da minha mãe”