quant
Fique ligado

Edição 488

“Ninguém sai de onde tem paz”

Publicado

em

Inevitável começar por relembrar os dramáticos acontecimentos a leste, com as bombas a cair em pleno território europeu da Ucrânia, dada a tensão com a Rússia, com muitas baixas entre os civis a que acresce a queda de um avião com 298 pessoas. Na Palestina, jamais haverá paz, os tumultos sucedem-se na Faixa de Gaza! No Iraque, reina a confusão. Dramas como estes replicam-se um pouco por todos os cantos do mundo, o que nos deve fazer perceber que vivemos num cantinho à beira mar abençoado!

Por cá, neste cantinho abençoado, as férias trouxeram grandes surpresas, mantendo-se grátis, sem taxas ou impostos: as idas à costa com cerca de 1000 Km de praias, as brisas dos passeios à beira mar, as idas ao pôr-do-sol da ribeira do Porto ou a frescura da Serra do Gerês. Recordo ainda o convívio com os turistas no Algarve, a luz intensa do Tejo em Lisboa ou a neve da Serra da Estrela. Calma no continente que as ilhas ainda são nossas, o calor tropical da Madeira já encostada a África ou a ruralidade dos Açores a meio caminho da América.

Os milhões de emigrantes portugueses sentem saudades destas e de outras maravilhas, e nós, aqui mesmo, de que nos queixamos? Como diz o grande compositor e intérprete Pedro Abrunhosa: “Ninguém sai de onde tem paz” e repete incessantemente que “quero ir para os braços da minha mãe”, como se as suas raízes o puxassem para de onde nunca deviam ter saído. “É tão cinzenta a Alemanha, e a saudade tamanha, e o verão nunca mais vem…Quero ir para casa, embarcar num golpe de asa (…) quero voltar para os braços da minha mãe… trouxe um pouco de terra, cheira a pinheiro e a serra, voam pombas nos beirais (…) Quero ir para casa, embarcar num golpe de asa (…) quero voltar para os braços da minha mãe (…) faz tanto frio em Paris (…) ninguém sai de onde tem paz!” 1)

Por cá, os rios continuam a correr para o mar, as serras depois dos incêndios tornam-se novamente verdejantes e o sol nasce para todos… Sinto-me um privilegiado, porque estou onde há paz!

  1. Excertos retirados da musica de Pedro Abrunhosa, “Para os braços da minha mãe”
Continuar a ler...
Publicidade
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

Edição 488

Setembro

Publicado

em

Por

Ricardo Garcia

Ricardo-GarciaChegamos a mais um Setembro. Depois do Verão, das férias e da respectiva “silly season”, a rotina diária recomeça como uma nova vida, com a chamada rentrée . Mas este ano, para além de um verão intermitente, a “silly season” também foi um pouco estranha. Este Verão foi particularmente conturbado. Tivemos uma metamorfose de um banco larva (BES) para borboleta (Novo Banco), mais uma agressão na Faixa de Gaza, o agudizar do conflito na Ucrânia, a ascensão do Estado Islâmico (EI), o Ébola e mais um Orçamento Rectificativo.

A rentrée nacional é marcada principalmente pelo novo ano escolar e pela abertura do ano judicial. Na educação, os problemas repetem-se de ano para ano. O exterminador Crato não descansa da sua cruzada contra os professores e contra a escola pública, bem visível no concurso de colocação dos professores e na continuação dos cortes na educação, nomeadamente no ensino superior.

Mais conturbado do que em anos anteriores, está a ser a abertura do ano judicial. Para além de ficarmos a saber que o Ministério da Justiça usa um site construído em 1999, a recente reforma do mapa judiciário é um bom exemplo do campo das decisões técnicas sem qualquer fundamento para o futuro de Portugal, principalmente para as regiões do interior. Podemos já imaginar uma reportagem, realizada daqui a 10 anos, num concelho transmontano, onde se noticie novamente a desertificação e as causas da mesma: não há hospitais, escolas, correios, finanças ou tribunais. Os laços das populações com o estado central e com a república estão a ser perigosamente destruídos.

A política internacional está a ser marcada pelos cessar-fogo alcançados na faixa de Gaza e na Ucrânia, e pelas atrocidades diárias cometidas pelos EI. Estes jihadistas, outrora rebeldes libertadores da Síria, parecem personagens transportados directamente do século X. Se na aparência mostram semelhanças com uma seita religiosa, o EI já é capaz, como qualquer estado, de assegurar serviços e matérias relacionadas com o bem-estar. E de onde vem o financiamento? O armamento? O treino militar? Como conseguiram em tão pouco tempo estender o seu domínio ao Iraque?

Assunto que marcará a agenda europeia nas próximas semanas, o referendo pela independência da Escócia que se realizará no próximo dia 18 poderá, no caso de ganhar o sim, dar vida às regiões que lutam pela autodeterminação (País Basco, Catalunha, Córsega), reabrir velhas feridas (Alsácia, norte de Itália) ou a simples implosão (Bélgica). Veremos como reage a Europa.

Porém, a rentrée não deixa de ter o seu lado mais ligeiro. Na universidade de verão do PSD aparecem sempre as cátedras do bloco central a mandarem opiniões para instruírem os jotinhas. Talvez José Sócrates devesse aparecer para fazer mais umas cadeiras, de preferência ao domingo. No luta interna do PS, as televisões pediram à NASA o acesso ao Telescópio espacial Hubble para descobrir as diferenças entre António José Seguro e António Costa. Se os mortos não bebem, no PS votam.

 

September’s here again

Publicidade

 

(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

Continuar a ler...

Edição 488

“Temos a certeza absoluta que iremos eliminar a principal fonte de odores”

Publicado

em

Por

Em entrevista ao NT, o presidente da Savinor, João Pedro Azevedo, falou sobre a empreitada para resolver a questão dos odores, através da eliminação das lagoas.

O Notícias da Trofa (NT): A Savinor é apenas uma das unidades industriais do Grupo Soja Portugal. Pode fazer-nos uma pequena caraterização das atividades empresariais a que se dedica ao grupo (faturação anual e outros elementos económicos que considere relevantes) e enquadrar a aquisição e tipologia da unidade industrial Savinor, instalada no concelho da Trofa?

João Pedro Azevedo (JPA): A Soja de Portugal é um grupo económico que desenvolve negócios na área agro-industrial, privilegiando áreas de negócio geradoras de sinergias que sejam fonte de vantagem competitiva. Hoje em dia o grupo tem cinco áreas de negócio com forte presença na indústria. Temos as rações para avicultura e pecuária, que é negócio com maior antiguidade dentro do grupo. Estamos presentes nos alimentos compostos para aquacultura, sobretudo nas espécies como o robalo, dourada, salmão, truta, esturjão, camarão e pregado. Na área de alimentação animal estamos também no pet food ou seja, na produção de alimentos completos secos para cães e gatos. Depois temos a área de alimentação humana, onde predomina a produção, abate e distribuição de carne de aves, sobretudo de frango e peru. E por último temos o negócio do tratamento e valorização de subprodutos de origem animal, tanto de carne como de pescado. Para lhe dar alguns números, a área de alimentação animal representa um volume anual de vendas de cerca de 95 milhões de euros, a carne de aves anda nos 70 milhões de euros e o tratamento e valorização de subprodutos uns 10 milhões de euros. O mercado internacional tem sido o grande motor de crescimento nos últimos anos. Na área de rações para pescado o mercado externo representa cerca de 85% das nossas vendas e na valorização de subprodutos as exportações caminham para 50% da nossa actividade, quando há 3 anos atrás eram absolutamente residuais. No pet food, construímos uma nova fábrica que arrancou em Novembro do ano passado e cujo objectivo é servir o mercado externo, sobretudo Espanha.

A aquisição da Savinor no final de 2006 foi um passo natural na nossa estratégia. Permitiu-nos consolidar a nossa posição no mercado de carne de aves, comprando o único matadouro de aves a norte do rio douro, e uma marca fortissimamente implantada no retalho tradicional na zona noroeste de Portugal, sobretudo no canal de talhos e restaurantes. Por outro lado permitiu-os entrar no negócio de tratamento de subprodutos, o que para nós cumpriu um duplo objectivo. Por um lado, por via da nossa presença no mercado de carne de aves, em que abatemos cerca de 23 milhões de frangos e 520.000 perus anualmente, temos uma significativa produção de subprodutos que precisam de ser tratados e valorizados. Por outro lado, através das nossas unidades de negócio de alimentação animal, sobretudo nas áreas de pet food e fish feed, somos grandes consumidores de produtos e matérias-primas que resultam dessa valorização, como é o caso das gorduras e farinhas animais, farinas de peixe e óleos de peixe. Fechamos completamente o ciclo, apropriamo-nos do valor criado nas várias fases do processo e garantimos uma rastreabilidade total, o que no mercado da alimentação é fundamental.

NT: A Savinor quantos funcionários tem à data desta entrevista?

JPA: Na Trofa temos colaboradores de pelo menos 4 empresas do grupo, da Savinor, Avicasal, SPA e da própria Soja de Portugal. Na Trofa, temos hoje mais de 230 colaboradores. No grupo, somos mais de 665.

NT: Muita tinta correu sobre a empresa Savinor e nem sempre por bons motivos e ainda antes de a empresa fazer parte do Grupo Soja Portugal. Neste momento e com a assinatura do protocolo, quais as mais-valias para a empresa e para a população do concelho da Trofa e de outros limítrofes?

Publicidade

JPA: É verdade, mas desde que assumimos a gestão da Savinor foram feitos fortíssimos investimentos a todos os níveis, sobretudo nas matérias que assumiam um impacto mais negativo em termos de visibilidade pública. Em boa-fé e assumindo como pressuposto que a memória não se desvaneceu, é impossível não reconhecer uma fortíssima melhoria. Quanto ao protocolo, é mais um passo importantíssimo para a Savinor nesse caminho. Com a assinatura do protocolo poderemos eliminar as lagoas da ETAR, que estão identificadas por todas as entidades publicas competentes na matéria, ARH, CCDRN, APA e pela própria Câmara Municipal da Trofa, como a principal fonte de odores existente. Essa é uma mais-valia inquestionável. Por outro lado, com a construção de sete quilómetros de intercetor, também iremos permitir o acesso a saneamento básico a determinadas populações que até aos dias de hoje não têm acesso.

NT: Qual o prazo de execução da empreitada? Têm certeza de que será suficiente para resolver a questão dos odores a eliminação das lagoas?

JPA: Teremos três meses para fazer a imediata ligação ao interceptor, remoção de lamas e aterro das lagoas. Depois, teremos 15 meses para terminar a empreitada. Não é muito tempo dada a complexidade do projecto, mas é perfeitamente exequível.

Se temos a certeza que vai resolver o problema dos odores? Temos a certeza absoluta que iremos eliminar a principal fonte de odores, que são as lagoas e que ainda hoje representam uma exposição de 4.000 m2 de água proveniente do tratamento dos subprodutos e que está totalmente exposta ao meio ambiente. Com a conclusão do processo a exposição será insignificante, serão umas dezenas de metros quadrados. Depois, todos os nossos sistemas de produção têm captação dos gases, das emissões fixas e difusas, para uma unidade de tratamento de ar, em que através dum sistema caro e complexo fazemos a desodorização dos gases. Temos as melhores tecnologias disponíveis e trabalhamos todos os dias para aplicar as melhores práticas e metodologias de trabalho. E todos na Savinor sabem o enorme grau de exigência que aplicamos no cumprimento. Não cumprir as regras pode implicar um processo disciplinar e eventual despedimento. Agora temos que perceber que a Savinor vai continuar a tratar 4000 ou 4500 toneladas mensais de subprodutos que são gerados por dezenas de indústrias e montante e em que nós não controlamos o estado de degradação em que os subprodutos chegam à Savinor. Tratamos o que nos entregam para tratar, fazemos um trabalho que é reconhecido como serviço público, que todos reconhecem, que é fundamental para a saúde pública e salubridade do ambiente, mas que naturalmente ninguém quer ter à porta de casa. Nestes casos, cumpre-nos minimizar o impacte. E não temos nenhum sistema tecnologicamente infalível, podem surgir avarias com impacto na eficiência do sistema de lavagem de gases.

NT- Quais os motivos pelos quais passaram tantos anos até que fosse possível a assinatura deste contrato?

JPA: Era preciso equilibrar diversos interesses, nomeadamente o cumprimento da legislação ambiental atual e futura, a sustentabilidade económica da solução e a responsabilidade social, que neste caso se consubstancia na eliminação das lagoas para eliminar a principal fonte de odores. Naturalmente que as diferentes partes envolvidas no acordo não valorizam estes diferentes aspectos da mesma forma e isso não facilita termos uma visão comum, o que é essencial para chegarmos a uma conclusão, que pode não ser excelente para ninguém, mas que é aceitável para todos. E claro, nem sempre o sentido de urgência esteve presente nem o ritmo de trabalho foi o que devia ter sido.

NT: Quando começaram as negociações com a Câmara da Trofa para se resolver o problema?

Publicidade

JPA: Assim que assumimos a administração da Savinor fizemos de imediato uma aproximação à Câmara, penso que em final de 2006 ou em 2007. Havia um Protocolo de 2005, que no entender da anterior administração da Savinor, desobrigava completamente a empresa de qualquer tipo de investimento na ligação à ETAR de Agra. Havia portanto uma paralisação total do processo e um impasse e nós resolvemos dar um primeiro passo para desbloquear o processo. E fomos na altura bem acolhidos pelo Sr. Eng António Pontes, que deu início ao processo.

NT: A Savinor apesar de criticada por alguns tem desenvolvido um trabalho de grande proximidade quer com as escolas e associações locais, quer no apoio a causas sociais? Este lado da responsabilidade social da empresa que importância tem para a administração e colaboradores?

JPA: Sim, tem efetivamente muita importância e é algo que fazemos em todas as comunidades escolares próximas das unidades industriais onde desenvolvemos actividade, sobretudo na Trofa, em Ovar e em São Pedro do Sul. Não o fazemos simplesmente por altruísmo. Fazemo-lo porque acreditamos que nenhuma organização consegue sustentadamente desenvolver uma actividade, crescer, continuar a criar valor, sem estar plenamente integrada na comunidade onde está inserida. Para atrair e reter talento, para conquistarmos bons parceiros de negócio, para estabelecermos pontes na rede de inovação, é fundamental tornarmos a nossa organização atractiva. E esse trabalho nas escolas permite-nos não só preenchermos algumas lacunas que o sistema de ensino actual apresenta, mas também darmo-nos a conhecer à sociedade, mostrar a cara e falar com as pessoas, criando uma percepção mais aproximada do que realmente somos.

NT: As campanhas de sensibilização ambiental junto da comunidade têm sido desenvolvidas pela Savinor e têm sido bem acolhidas nomeadamente pelas escolas do Coronado. Acredita que esta vossa atitude esteja a ajudar a formar os cidadãos de amanhã, que serão responsáveis pelo futuro do concelho da Trofa, do país e do mundo?

JPA: Acho que sim. Basta seguir o trabalho fantástico que tem sido feito nas escolas da Trofa, pelos alunos e pelos professores, e atentamente seguido pelos pais, para percebermos que não estamos a dar tiros de pólvora seca. Há entusiasmo nos miúdos e uma sensibilização que é inegável e que me surpreende sempre. E isso dá-nos uma força enorme para continuar e reforçar o nosso programa de educação ambiental.

Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também