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Mulheres vencem Concurso Lusófono da Trofa (C/Video)

Mulheres vencem Concurso Lusófono da Trofa (C/Video)

 No dia em que se comemorou o 15º aniversário da criação do Município da Trofa, a autarquia divulgou os vencedores do Concurso Lusófono da Trofa – Prémio Matilde Rosa Araújo.

“Quando eu era pequena, a minha mãe costumava ler-me um livro de um escritor francês muito famoso. Eu nem sempre compreendia bem o que ela lia, mas algumas das frases ficavam a dar voltas na minha cabeça. Mais tarde, acabavam por desaparecer. Havia uma, contudo, que dava mais voltas do que as outras e nunca desaparecia por completo. Era assim: ‘Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos’”. Este é um excerto de “A Menina que queria consertar corações”, obra da autora portuense Sofia Pinto da Silva, vencedora da edição de 2013 do Prémio Matilde Rosa Araújo, no valor de 1500 euros, do Concurso Lusófono da Trofa.

A participar pela “primeira vez” neste concurso, Sofia Pinto da Silva “não contava” ser a vencedora, apesar de que quando acabou de escrever a história, achou que era “boa” e ficou com “um bocadinho de esperança”. “Não é para dizer que escrevi uma coisa boa, independentemente de ser eu ou não, a história era boa e estava à espera de ser escrita”, denotou, contando que a história está relacionada com “um dos livros mais famosos, que é ‘O Principezinho’”, que tem “frases que a acompanham desde sempre” e que marca “um bocadinho a história”, como a “frase que não saía da cabeça daquela menina”.

A entrega de prémios decorreu na Casa da Cultura da Trofa, a 19 de novembro, dia em que o concelho comemorou 15 anos, e contou com um momento musical interpretado pela Orquestra de Violinos da Escola de Paranho.

De São Paulo, Brasil, veio a obra vencedora do Prémio Lusofonia 2013, no valor de 400 euros, denominada “O papagaio Manivela e seu Grande Segredo”. Patrícia Cytrynowicz, também estreante neste concurso, “não” imaginava de “jeito nenhum” que fosse uma das vencedoras, contando apenas com uma “menção honrosa”.

O Prémio de Melhor Ilustração Original 2013, no valor de 500 euros, foi entregue à bracarense Sandra Fernandes, que, a participar pela “primeira vez”, teve “uma surpresa” com esta distinção, afirmando que “a inspiração” veio “toda do poema Fadas Verdes” de Matilde Rosa Araújo.

Um dos jurados do Concurso, Jorge Velhote, referiu que para “conquistar um lugar notório entre o júri” é necessário “ter uma grande força literária”. “Muitos escritores começam cada vez mais a perceber que escrever para o escalão etário infantojuvenil já não passa por aqueles diminutivos que eu reputo de irritantes e que desfiguram o entendimento. As crianças não esperam isso, as crianças estão sempre à espera que nós lhe contemos muito bem o conto”, asseverou.

Foi “essa diferença” que se destacou nos vencedores do Conto Lusófono, que apresentaram “contos mais próximos daquilo que as crianças aguardam que lhes apresentemos”.

Já para ser a melhor ilustração, o jurado Pedro Seromenho avançou que esta tem que “ter emoção, sentimento e vida e depois depende do estilo e das técnicas utilizadas”. “Na vencedora desta edição destaca-se a textura, o trabalho de base de lápis, de trabalhado em digital, as cores suaves, os tons de pastel e o figurativo muito próprio da ilustradora que interpreta uma viagem pelos cabelos de uma personagem num azul de mar que nos leva a viajar”, explicou.

Para Pedro Seromenho o Concurso Lusófono da Trofa é “sem dúvida” uma “porta ampla e de destaque para jovens escritores e também ilustradores” e por essa razão seria “um retrocesso cultural” se este concurso “não continuasse com estes encontros lusófonos”.

Além destes prémios foram ainda entregues duas menções honrosas aos contos “A Fita Cor-de-rosa”, de Odair Varela Rodrigues, de Cabo Verde, e “De Mão cheia num Bolso”, da portuense Sara de Sousa.

Concurso Lusófono “está a ser avaliado”

O presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Humberto, tem “noção” que “depois de estar consolidado”, o Concurso Lusófono da Trofa tem “vindo a colocar-se no cenário do conto infantil a nível não só nacional, mas também internacional”, sendo as “252 participações” uma “prova disso mesmo”. “É uma demonstração de que com pouco dinheiro se consegue levar bem longe a língua portuguesa. Este é um pequeno contributo que o município tem prestado a esta área e que é fundamental, que é a divulgação também da nossa língua e que está implementada no mundo”, evidenciou, salientando que está “satisfeito” por este concurso ser “uma rampa de lançamento” para os participantes que têm sido premiados.

Sérgio Humberto confirmou que “será para continuar” o Concurso Lusófono, que “está a ser avaliado” para verificar a possibilidade de “colocar novas dinâmicas”.

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