O Movimento por Santiago de Bougado quer o fim da União das Freguesias de Bougado, na Trofa, durante a atual legislatura, para recuperar a capacidade de atrair apoios comunitários necessários ao desenvolvimento agrícola, reivindica o manifesto hoje apresentado.

O movimento nasceu no final de 2018 e, disse à agência Lusa um dos promotores Manuel Rodrigues, pretende aproveitar a “janela de oportunidade” nascida a “partir do momento em que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, se comprometeu com o programa eleitoral do PS a apresentar uma proposta para desagregar as freguesias e reavaliar este dossiê”.

Quando em 2013 a reforma administrativa nacional criou a União das Freguesias de Bougado (São Martinho e Santiago), no distrito do Porto, a segunda, de cariz rural, saiu “prejudicada”, explicou o porta-voz do movimento.

“A perda do perfil rural, após a agregação com São Martinho de Bougado, que detém um perfil urbano, levou a que deixasse de poder candidatar-se a fundos comunitários, deixando de poder beneficiar de um conjunto de oportunidades, nomeadamente de desenvolvimento agrícola”, relatou Manuel Rodrigues.

Enfatizando que “apesar de [Santiago de Bougado] ter uma parte industrial significativa”, e uma grande parte do seu território estar “vocacionada para a agricultura”, o membro do movimento vincou os “prejuízos somados”, designadamente a “reconversão agrícola, numa altura em que agricultura enfrenta desafios muito grandes, nomeadamente no setor do leite”.

“Quando se deu a agregação, e que foi recusada quer pela população quer pelos órgãos autárquicos [da Trofa], ela trouxe uma série de constrangimentos, acelerando um processo de perda por não poder gerir os seus próprios destinos”, recordou o porta-voz, para quem os “números dizem que caso se tivesse mantido uma freguesia autónoma, Bougado teria mais financiamento da administração municipal e central”.

Sublinhando que o movimento “não é contra São Martinho” entende, todavia, que “Bougado precisa de uma outra ambição, de autarcas com capacidade para liderar a comunidade que está em perda demográfica e económica, apesar da riqueza que produz, e que reivindique um Plano Diretor Municipal que responda a esta necessidade de qualidade de vida, invertendo o declínio”.

Segundo Manuel Rodrigues, tem havido reuniões com o presidente da junta de freguesia, da assembleia de freguesia, presidente da câmara e também da Assembleia Municipal e com as forças políticas e “há unanimidade em torno de que Santiago e São Martinho só têm a ganhar com a desagregação”.

“O passo seguinte é ir junto do poder central e das forças políticas fazer ver o nosso propósito. Não devemos esperar que as coisas aconteçam. Devemos também ir no sentido de que as coisas aconteçam, de modo a que o Parlamento, Governo e partidos políticos entendam que esta promessa, que está consagrada no programa eleitoral do Partido Socialista, aconteça ainda neste mandato”, revelou.

Irá também, segundo o promotor, “ser solicitada audiência ao Presidente da República” e iniciados os contactos com a “população local para mostrar o que foi feito e que está pensado fazer-se, para que haja uma mobilização”.

“Abertos a um referendo” sobre “a restauração da independência político-administrativa” da freguesia, o movimento em prol da maior freguesia do concelho da Trofa, em termos de área, reitera “não ter motivações políticas”.

O movimento é composto por ex-presidentes de junta de freguesia, ex-vereadores da Câmara da Trofa, um ex-vice-presidente da autarquia, membros da Assembleia de freguesia e outros ex-autarcas, dos mais diferentes quadrantes políticos.

Lusa