Rui Pedro Portela saiu de sua casa em Santiago de Bougado no domingo, para dar um passeio de mota. Cerca das 14 horas despistou-se em Covelas, não resistiu aos ferimentos, falecendo a caminho do hospital.

Foi o último passeio de mota de que Rui Pedro Portela, de 37 anos, usufruiu. Ao início da tarde de domingo, um despiste fatal roubou-lhe a vida, deixando para trás duas filhas menores, com quatro e 11 anos, a esposa e uma família inteira destroçada.

Valdemar Portela, pai, conta com amargura as últimas horas de vida de um dos três filhos: “No fim de comer disse à mulher ‘enquanto tu ficas a arrumar a casa ou a cozinha eu vou na mota dar um passeio, porque até comi bem, estou satisfeito. Quando regressar pego no carro e vamos dar uma volta’”.

Estes passeios eram habituais, porque “gostava muito de andar de mota”, uma Yamaha 600, e Rui Pedro era “experiente”. De acordo com o pai, “nunca teve o mais pequeno acidente nem de mota, nem de carro” e sendo “motorista profissional” na empresa Transportes Barbas em S. Romão do Coronado, nada fazia prever este desfecho.

Do despiste, Valdemar Portela pouco sabe. “Não posso dizer o que foi. Como era dia de festa, a estrada com muito movimento, é natural que tenha vindo algum carro de frente e ele se tenha atrapalhado e ao desviar-se foi contra a parede e um poste, e ainda tinha lá um buraco. Tudo terá ajudado a provocar o acidente”, contou o pai, que no local do acidente ainda procurou saber mais pormenores, mas “praticamente ninguém viu”.

Em Outeirô, freguesia de Covelas, as sirenes do INEM alertaram os vizinhos que presenciavam mais um desastre naquela curva. De acordo com um morador, que preferiu manter o anonimato, “aqui já se deram muitos acidentes”.

A assistir Rui Pedro estiveram dois elementos dos Bombeiros Voluntários da Trofa, e a Viatura Médica do INEM de Vila Nova de Famalicão, com médico e enfermeiro, que posteriormente acompanharam a vítima à unidade de Santo Tirso do Centro Hospitalar do Médio Ave. “Quando ele saiu do local a vida já devia ser pouca ou nenhuma”, recordou o pai, que mais tarde recebeu a notícia de que o filho não resistira ao embate. De acordo com fonte do INEM, apesar das “manobras de reanimação” a vítima chegou “cadáver ao hospital”.

Junto ao poste são ainda visíveis as marcas do acidente, para além dos pedaços da mota, restavam vestígios de sangue.

“Se ele não batia no poste e caía no campo era capaz de não acontecer nada”, lamentou o pai. “Agora não há nada a fazer, não lhe posso dar a vida”, resignava-se, lembrando o “bom filho”, que “trabalhava muito” e que de vez em quando “tomava conta da Azenha” do pai, em Bairros. O funeral de Rui Pedro Portela decorreu terça-feira, às 17 horas.

No local do acidente esteve ainda a GNR da Trofa a registar a ocorrência.