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Edição 735

Morte trágica do Dr. António Maia

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Muitos de vós ao irem em direção a Vila do Conde certamente repararam que logo após as curvas do “Bicho” e já na chegada a Fornelo tem uma placa evocativa relativamente a uma vítima que teria falecido nas proximidades daquele local.
O indivíduo em questão era o Dr. António Maia, advogado de profissão que foi assassinado em finais de fevereiro ou início de março de 1907 enquanto estava a realizar a sua viagem de regresso para o seu lar, após ter viajado até Vila Nova de Cerveira para tratar de assuntos do foro jurídico para um dos seus clientes, teria sido atacado naquele local e sido morto.
A vítima viria a aparecer morta, apresentava sinais de uma grande contusão craniana e estava envolta em uma grande poça de sangue como se pode depreender pelos relatos do jornal “O Ave” que apontavam aquele crime como sendo algo terrível.
A figura era bastante estimada pela população vilacondense e esse sentimento de respeito e estima fez-se sentir quando a população por determinados momentos tentou fazer justiça pelas próprias mãos contra o principal suspeito daquele crime, obrigando inclusivamente ao reforço policial com vários soldados para evitar que tal acontecesse.
O suspeito de ter cometido tal violência era o “Caixeiro” como era conhecido na comunidade de S. Tiago de Bougado em que era natural daquela freguesia e após ter pendido sobre si inúmeros interrogatórios iria acabar por ser condenado pelo Ministério Público de forma provisória como sendo o autor daquele crime.
A suspeita recaia sobre a sua pessoa porque alegadamente ele teria sido o último a ver a vítima com vida, como também foi quem lhe fez o serviço de transporte em carroça desde a estação de caminhos de ferro da Trofa até Vila do Conde, todavia, a viagem seria interrompida em Fornelo.
Analisando a imprensa da época é de fácil perceção que os julgamentos rapidamente aconteciam nas folhas do jornal em que os ataques ao possível culpado são constantes, os julgamentos são imensos, ultrapassando o limite ético para um jornalista.
A 21 de março de 1907 iria ser formalizada a queixa em tribunal com o Juiz, acompanhado do delegado do Ministério Público a pronunciarem o arguido pelo crime de homicídio involuntário, por inconsideração e negligência, como também pelo crime de uso e porte de arma proibida porque ele teria uma pequena navalha na sua posse quando foi intercetado pelas autoridades.
A medida de coação foi a prisão preventiva até ao pagamento de uma fiança no valor de 2 mil reis, um valor extremamente elevado para aquele momento da história.
Os julgamentos na praça pública continuaram, as massas populares não aceitavam a acusação que tinha sido produzida, servindo possivelmente de alento que o suspeito ainda não tinha conseguido pagar a fiança e por isso continuava detido.
O caso apaixonou a opinião pública, teve ampla cobertura na imprensa em que vários jornais escreveram e escreveram sobre este processo, sendo uma circunstância alimentada por múltiplos fatores, desde alguns erros processuais em que inclusivamente o corpo da vítima é mexido antes da chegada das autoridades, inúmeros exames médico-legais, etc. etc.
Os dias foram passando e aquele caso até iria provocar discussões políticas/partidárias, concretamente entre o Partido Regenerador e o Partido Progressista.
O novelo desta história é enorme, passadas poucas semanas tudo apontava que o crime para o qual estava a ser acusado iria sofrer agravamento passando a ser acusado de homicídio voluntário e caia a argumentação de homicídio por acidente.
Quem sabe numa próxima crónica não irá surgir mais informações sobre este caso…

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Edição 735

PAN questiona Ministério sobre plano de recuperação de afluente do Rio Ave

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O PAN reclama “mais ação e fiscalização de forma a garantir a preservação” do rio Vizela, assim como “a necessidade de investimento na recuperação da fauna e flora associada”.

Numa interpelação ao ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, o grupo parlamentar do partido questionou sobre o ponto de situação da Resolução da Assembleia da República n.º 63/2017, que “recomenda ao Governo que tome medidas para a despoluição do rio Vizela, investigue os incidentes de poluição nele ocorridos e elabore um plano para a recuperação das zonas envolventes”.
“Consideramos que é fundamental que o Governo não descure a importância da recuperação do rio Ave e dos seus afluentes, face àqueles que são os impactos muito negativos na biodiversidade do rio e zonas envolventes. É imperioso que os nossos meios hídricos sejam considerados prioritários em matéria de despoluição e prevenção de atos negligentes e criminosos”, refere Bebiana Cunha, deputada à Assembleia da República pelo PAN.
“Quantos planos de vigilância foram elaborados com as autarquias e entidades responsáveis pelos meios hídricos da bacia hidrográfica do Ave, assim como que municípios elaboraram esse plano” são algumas das questões que os deputados do PAN querem ver respondidas pela tutela, que se juntam aos “pedidos de esclarecimentos sobre as medidas já implementadas e sobre os projetos previstos a curto prazo para uma efetiva fiscalização”.
“Temos um verdadeiro problema ambiental em mãos na forma como os nossos rios são tratados. No caso da Bacia Hidrográfica do Ave, que tem sido negligenciada ao longo do tempo, consideramos que a tutela deverá definir e aplicar as devidas medidas ou procedimentos já consagrados na resolução com a maior brevidade possível de forma a devolver os rios às comunidades e a incentivar o mais profundo respeito pelos mesmos”, acrescenta Bebiana Cunha.

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Edição 735

Porque sim… e porque não!

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Quando penso naquilo que eu possa ter de bom como pessoa (poucas coisas), agrada-me crer, que talvez tenha absorvido a maior (ou uma das maiores) riqueza transmitida pelos meus pais, principalmente o meu pai, o Sr Augusto Calheiros. Não foi nenhuma herança material, que também me iria saber bem e me permitiria “assasinar” o despertador, mas foi sim o despertar do pensamento, questionando as coisas e pesquisando, para melhor tomar e fundamentar as minhas posições. Na essência, ser capaz de pensar pela minha própria cabeça e não me deixar arrebanhar pela maioria (com a excepção daquele ano, no Ciclo Preparatório, em que eu e mais de meia turma andávamos atrás da mesma miúda).


O Sr Augusto Calheiros, para me mostrar que essa seria a melhor postura, mostrou-me a outra face! Assistimos a uma sessão da Assembleia da República, em que um alto responsável da Nação respondia “Não”, pela nobre e justificada razão do outro alto responsável da Nação ter antes dito “Sim”, seguindo-se um cacarejar, que rapidamente transformou um local de supostas argumentações sérias, num verdadeiro galinheiro, com a desvantagem dos deputados não porem ovos (que nem precisariam ser de ouro). No final fui levado a um café onde se discutia futebol.
Cada um dos intervenientes justificava as suas opiniões com um sólido e fundamentado “Porque sim” ou “Porque não”, não raras vezes seguido de um “Tu não percebes nada!”!
Estas discussões a que assisti, apesar de cenicamente impressionantes, se tivesse que fazer um sumo das mesmas, nada saíria… eram conversas “secas”.


Dias depois, quando o questionei sobre a “Fé”, sobre se esta era mais forte e se tinha mais sentido que a “Razão”, o Sr Augusto Calheiros apenas me disse: – Anda daí!
Nessa altura havia “peregrinações” a uns eucaliptos (sim, eucaliptos), localizados próximo da Trofa, que miraculosamente libertavam fumo, e denso. Lá chegados, e com os olhos bem abertos, vimos o óbvio, a árvore em vez de libertar fumo era sobrevoada por milhares de mosquitos! Ao meu lado alguém rezava e perguntei:

  • Está a rezar pelos mosquitos?
  • Quais mosquitos, menino? – respondeu-me a senhora com uma pergunta, enquanto mascava umas ervas.
    Regressei a casa intrigado com a possibilidade da fé poder cegar!
    Na prateleira do móvel da sala, algures entre os “Miseráveis” e um livro de receitas que tinha um bolo de iogurte muito bom, estava a descansar a “Bíblia”. Acordei-a e passei as semanas seguintes a lê-la. Fiquei a saber que os milagres terminaram com a morte dos apóstolos e preocupei-me com a senhora que rezava aos mosquitos! Seriam alucinogénias as ervas que a senhora mascava?
    Apesar de não ser crente, respeito (e admiro) a Fé das pessoas, desde que não as “cegue” e as faça construir templos no sítio onde mosquitos sobrevoam eucaliptos
    Mais tarde, perguntei ao meu pai sobre o “Politicamente correcto”.
  • Isso vais descobrir por ti! – respondeu-me.
    Com o passar dos anos e com a percepção que fui adquirindo da vida e dos outros, apercebi-me de que com o tempo, e em lume brando, vai sendo imposta uma forma de pensar, mascarando lobos com pele de cordeiros e o contrário, condenando quem se atreve a discordar e a sair desta forma balizada de pensamento. Para muitas pessoas essa limitação foi um alívio que lhes deu mais tempo para novelas e “Big Brothers”. Afinal a forma correcta de pensar já está decretada, basta ler o “Manual do Politicamente Correcto”.
    Fui ensinado pelo meu pai a ser mais rápido a pensar do que a falar. Se o consigo? Não sei…nem sempre.
    Mas todos nós sabemos por experiência própria que inverter esta ordem pode trazer o arrependimento, a raiva, o conflito,…a desordem!
    Quando fôr grande quero ser como o meu pai, que amanhã faz 75 anos, e ter a IMODÉSTIA de dizer, “Não sei”, quando muito estuda!
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