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Memórias e Histórias da Trofa: Homicídio na festa de Santa Eufémia

Memórias e Histórias da Trofa: Homicídio na festa de Santa Eufémia

Num passado recente, as festividades em honra de Santa Eufémia chegavam a rivalizar com as festas de Nossa Senhora das Dores, na Trofa, sendo um importante marco na comunidade que aguardava pelos finais de setembro para confraternizar, em alguns casos namorar, ou pelo menos “meter” o projeto para perceber se iria ou não dar namoro.

Havia romeiros a chegar ao santuário vindos de todos os concelhos vizinhos, inclusivamente da cidade do Porto, portanto, assumindo-se um importante marco na agenda da cultura popular do Norte com um mediatismo em nada comparado com o que se passa no presente.

Uma festividade que, devido ao elevado número de pessoas que movimentava, fazia com que as mesmas tivessem sempre especial atenção das autoridades que marcavam presença em grande número para evitar problemas de maior para a ordem pública. Um copinho aqui, uma rodada ali e, por vezes, estava lançada a ignição para haver problemas, com várias escaramuças. Também não deverá ser esquecido que, por vezes, o alheio tem amigos em muitos sítios e podia aparecer em Alvarelhos na confusão tradicional dos arraiais, que era um ambiente propício para essas práticas.

Os meliantes, em 1925, iriam atuar, aproveitando a enorme confusão que se gerou. Houve uma tentativa de roubar uma corrente em ouro, atendendo a que, no decorrer das festividades, era comum as pessoas vestirem-se com os seus melhores trajes e, sobretudo, usarem o máximo de ouro, na tentativa de demonstrar alguma riqueza e obviamente se destacar no panorama da festa.

Um familiar da vítima do assalto, ao aperceber-se da situação, tentou impedi-lo e, instintivamente, um dos ladrões puxou de uma navalha e deu três facadas no indivíduo, que foi transportado para o Hospital de Vila do Conde com uma grave hemorragia.

A vítima acabou por não resistir aos graves ferimentos e morreu naquela viagem de poucos quilómetros, não ignorando que não havia a facilidade de comunicação do presente.

Os populares acabaram por cercar o primeiro meliante e ele foi entregue pelo povo à Guarda Nacional Republicana, que lhe deu o caminho devido para responder perante a justiça. Já o suposto assassino acabou por fugir e não houve mais adiantamentos sobre este caso.

Um triste acontecimento que marcou a festa naquele ano e uma pequena curiosidade que a memória popular já terá perdido com o escorrer dos anos.

José Pedro Reis

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