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Edição 778

Maria, figura principal do Advento

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Advento é uma palavra oriunda do latim e significa vinda ou chegada. Recebem este nome as quatro semanas que precedem o Natal. Este período litúrgico evoca a dupla vinda de Jesus Cristo: a que se verificou em Belém, quando Ele veio ao mundo e a que ocorrerá no Seu regresso, no chamado Juízo Final. Por isso, o tempo do Advento, para todos os cristãos, representa a preparação (espera) e expectativa do nascimento de Jesus, ou a chegada do Messias prometido.

Personagens bíblicos principais do Advento

Além dos profetas Zacarias e Jeremias, também Isaías profetizou 700 anos antes a vinda do Messias. Mas serão João Baptista e Maria que são apresentados pela Bíblia como as principais figuras do Advento; com efeito, João foi o Precursor de seu primo Jesus que nas suas pregações pediu para “preparar os caminhos do Senhor, endireitar as suas veredas” (Mc 1,1), anunciando que o Messias estava “próximo”. Maria, que foi visitada pelo mensageiro de Deus (anjo Gabriel) para anunciar que iria se a Mãe de Deus, é apresentada no tempo do Advento como a “figura da Esperança”. Foi a partir da Anunciação, segundo a Igreja Católica, através da palavra “FIAT” (Faça-se, em resposta ao Anjo), que a Virgem Maria se tornou a “esperança” da Humanidade na futura salvação, prometida por Deus aquando da “queda” (desobediência a Deus) dos “nossos primeiros pais”.

Nossa Senhora da Expectação/do Ó/do Advento/do Bom Parto/das Grávidas

“…Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus: eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David, reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o seu reino não
terá fim” (Lc, 1, 30-33).
A devoção a Nossa Senhora do “Ó” (Expectação = Expectativa e Esperança no Messias) remonta à época do X Concílio, na cidade de Toledo, Espanha, presidido pelo arcebispo Santo Eugénio quando se estipulou que a festa da Anunciação fosse transferida para o dia 18 de dezembro. Sucedido no cargo por seu sobrinho Santo Ildefonso, este determinou, por sua vez, que essa festa se celebrasse no mesmo dia, mas com o título de “Expectação do Parto da Beatíssima Virgem Maria”. Pelo facto de, no canto das Vésperas, se proferirem as antífonas maiores, iniciadas pela exclamação “Oh”, o povo teria passado a denominar essa solenidade como Nossa Senhora do Ó. Na liturgia rezada durante esse período do Advento (que antecede o Natal) existem cânticos apropriados para exaltar tudo o que o povo de Israel esperava do Messias prometido. Não se conhece a data precisa da origem dessas antífonas, mas sabe-se que os textos foram aperfeiçoados entre os séculos VII e VIII, por monges que rezavam (ou cantavam) o Ofício Divino (atual liturgia das Horas). São as chamadas “Antífonas do Ó”, cantadas entre os dias 17 e 23 de dezembro, antes e depois da recitação do Magnificat, e possuem uma evocação e uma resposta diferentes para cada dia: Ó Sabedoria, … Ó Adonai, … Ó raiz de Jessé,… Ó Chave de David,…Ó Sol do Oriente,… Ó Rei das Nações, …Ó Emanuel,… (Todas estas antífonas foram extraídas do profeta Isaías, do A.T.)
Em Portugal, o culto à Expectação do Parto, ou a Nossa Senhora do Ó, teria começado em Torres Novas (Santa Maria, Frei Agostinho de Santuário Mariano), onde uma antiga imagem da Senhora era venerada na Capela-mor da Igreja Matriz de Santa Maria do Castelo. Esta imagem era conhecida à época de D. Afonso Henriques por Nossa Senhora de Alcáçova (ca.1187) ou a partir de 1212, quando se lhe dedicou (ou reedificou) a Igreja de Nossa Senhora do Ó. Esta imagem é descrita pelo mesmo autor como: “É esta santa imagem de pedra mas de singular perfeição. Tem de comprimento seis palmos. No avultado do ventre sagrado se reconhecem as esperanças do parto. Está com a mão esquerda sobre o peito e a direita tem-na estendida. Está cingida com uma correia preta lavrada na mesma pedra e na forma de que usam os filhos de meu padre Santo Agostinho”.
A imagem de Nossa Senhora da Expectação, do Parto ou das Grávidas representa a Virgem Maria nos últimos dias da gravidez do Menino Jesus. (Apresenta sempre a mão esquerda espalmada sobre o ventre avantajado, a mão direita pode também aparecer em simetria à outra ou levantada. Encontram-se imagens como esta segurando um livro aberto ou também uma fonte, ambos significando a “fonte da vida”)
Nossa Senhora do Ó (da Expectação, ou do Bom Parto) é padroeira de 24 freguesias (ou paróquias) portuguesas, de que se destacam as mais próximas da nossa região: Aveleda e Mire de Tibães (Braga), Águas Santas (Maia), Vilar (Vila do Conde), Estela (Póvoa de Varzim), Gulpilhares (V. N. Gaia), e Palmeira (Santo Tirso).

Um SENÃO na história desta devoção: Perseguição religiosa (?)

Nos inícios do século XIX, mudanças na devoção mariana começavam a estimular o “dogma” da Imaculada Conceição, o que não combinava com aquela imagem (santa) em estado de adiantada gravidez, como retratava a iconografia estimada pelas mulheres à espera da hora de parto. Muitas imagens foram trocadas pela da Nossa Senhora do Bom Parto, vestida de freira (?) com o ventre disfarçado pela roupa, ou mesmo pela imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, mais condizente com os “ventos moralistas” de então.
Somente no fim do século XX se voltou a falar e pesquisar o assunto, tendo-se encontrado imagens antigas enterradas sob o altar das igrejas.

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Edição 778

Marco Silva premiado em conceituado concurso internacional de trompete

A Trofa esteve representada naquele que é considerado o concurso mais importante a nível mundial para trompetistas.

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A Trofa esteve representada naquele que é considerado o concurso mais importante a nível mundial para trompetistas. O bougadense Marco Silva fez com que a participação no Concurso Internacional de Trompete Maurice André não fosse em vão e arrecadou uma menção honrosa, depois de ter sido um dos 14 semifinalistas de entre 80 candidatos de 20 países que competiram em Paris, entre 20 e 28 de novembro. Só não conseguiu chegar à final, que coroou o alemão Sebastian Berner.
Ainda assim, chamou a atenção do júri, tornando-se “o primeiro português a ser premiado e a estar presente numa competição deste nível”. “Esta menção honrosa, atribuída por unanimidade do júri, deixou-me extremamente contente”, revelou o músico em declarações ao NT, momentos antes de entrar no avião de volta a Portugal.
“Este concurso é muito conceituado, conhecido por estar rodeado de grandes artistas de renome mundial e famosos no meio trompetístico. Competir a este nível, para mim, já foi um orgulho”, acrescentou Marco Silva, que sublinhou a complexidade da competição.
“A minha participação foi preparada com muito trabalho, porque o repertório era muito específico, maioritariamente francês e bastante difícil. Estive entre candidatos de nível excecional”, atestou.
Marco Silva começou a consolidar a carreira musical em 2007, ano em que ingressou na Escola Profissional de Música ARTAVE, prosseguindo para a licenciatura, em 2013, na Escola Superior de Música de Lisboa, com Stephen Mason e David Burt. Em 2014, ingressou no mestrado em performance em Zurique, na Suiça, onde também colaborou com a Academia de Ópera de Zurique, até 2016. Nesse mesmo ano, conquistou o lugar de primeiro trompete e chefe de naipe na Orquestra Filarmónica de Konstanz, na Alemanha, com a qual colaborou até 2019.
Marco Silva colaborou com outras grandes orquestras, incluindo Zürich Opernhaus, Orchestre de La Suisse Romande, Bern Sinfonie Orchestra, Stuttgard Symphony Orchester, Orchestra of the C. Gulbenkian, Orquestra Sinfónica Portuguesa e Rigiblick Teather Zurich.
Foi distinguido em vários concursos, dos quais se destaca os primeiros prémios no Nacional “Terras de La Sallete”, em 2011 e 2012, a vitória na categoria trompete da 24.ª edição Jovens Músicos/Antena 2/RTP, em 2010, e a qualificação para a final do concurso internacional “Girolamo Fantini”, em Roma, em 2017.
Atualmente, é solista internacional e participa em vários festivais como professor e performer.

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Edição 778

Trofa deixou de ter a água mais cara do país, mas ainda está no Top 5

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A DECO Proteste anotou a descida do preço da água no concelho da Trofa que, apesar disso, ainda continua entre os concelhos com a fatura mais cara do país. Agora quem lidera é Vila do Conde, também com concessão da Indaqua.

Em julho de 2021, a Câmara Municipal Trofa anunciava a renegociação do contrato de concessão da água, traduzida na redução da tarifa em 58% para os consumidores do primeiro escalão e em cerca de 20% para clientes não domésticos e instituições. O acordo com a Indaqua, que em troca ficou viu a concessão prolongada por mais 15 anos além dos 35 que estavam em vigor e os aumentos no caso de inflação anual salvaguardados, permitiu ao concelho sair do topo da lista dos que têm a tarifa mais cara do país. Mas continua perto.
Segundo um estudo recente da DECO Proteste, é em Vila do Conde, também concessionada pela Indaqua, onde se consome a água mais cara, com um custo de “250,02 euros” para um consumo anual de 120 metros cúbicos. A Trofa, com um custo de 175,77 euros, está apenas atrás de Gondomar (213,69 euros), Celorico de Basto (207,93 euros) e Baião (207,93 euros).
Se considerarmos o valor total de abastecimento de água, saneamento e resíduos sólidos urbanos (RSU), Vila do Conde continua a liderar, com 480,21 euros para consumo anual de 120 metros cúbicos, seguindo-se Baião (453,32 euros), Celorico de Basto (451,10 euros), Gondomar (443,62 euros) e Trofa (441,98 euros), o último com um custo de 170,21 euros para o saneamento e 96 euros para os RSU.
Do outro lado, surge Vila Nova de Foz Côa, com uma fatura global anual de consumo de água, saneamento e RSU de 88,20 euros. O concelho onde menos se paga pela água é Terras do Bouro, com um custo de 46,50 euros por 120 metros cúbicos.
“No top dos 20 concelhos com a fatura global mais elevada em 2021, para um consumo anual de 120 metros cúbicos, estavam Vila do Conde, Santo Tirso e Trofa. Em 2022, Santo Tirso e Trofa baixaram de lugar no ranking, devido à redução dos custos do serviço de abastecimento de água em 65,60 euros por ano. A redução anual para um consumo de 180 metros cúbicos é ainda mais significativa, de 89,57 euros”, anota a DECO Proteste no estudo que apresentou.
Para esta entidade, a discrepância entre tarifários “reflete a necessidade de regulação que garanta a harmonização de preços nos vários concelhos e que promova o uso eficiente da água e a adequada recuperação de custos”.

Água da rede pública chega a todas as freguesias

Aquando do anúncio da redução da tarifa da água, a autarquia da Trofa deu ainda conta de que a renegociação do contrato incluía também a “antecipação de investimentos importantes”, que ascendem os “1,4 milhões de euros”. O objetivo é “chegar a cem por cento” da cobertura e, portanto, fazer com que a água da rede pública chegue a “todas as freguesias, até 2026”.
Entretanto, iniciou a empreitada da Indaqua na freguesia de Covelas. Em comunicado, a concessionária refere que o projeto implica “um investimento de 500 mil euros”, com uma extensão de “4,5 quilómetros”, chegando “a mais 110 alojamentos”.
“A adesão da população a este serviço também está a ser bem-sucedida, uma vez que, mesmo antes da conclusão da obra, mais de 75% dos alojamentos assinaram já contrato para o futuro fornecimento de água”, indicou a empresa, que acrescenta dados relativos à atividade no concelho, com “um investimento superior a dez milhões de euros” e construção de “mais de 210 quilómetros de condutas e 5300 ramais”.
“Estender o acesso à rede de água tem sido uma prioridade, ao longo de toda a vida da nossa concessão, tanto no concelho da Trofa como de Santo Tirso. O objetivo passa por garantir que os consumidores possam deixar de recorrer a captações particulares de água, como os poços e os furos que, muitas vezes, não garantem a qualidade e segurança necessárias ao consumo humano. É por isso que, para além dos investimentos consecutivos, procuramos também sensibilizar a população para o facto de a ligação das habitações à rede ser um ato benéfico para a saúde pública”, explicou Anabela Alves, diretora-geral da INDAQUA Santo Tirso/Trofa.

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