O sal é um dos condimentos mais utilizados em todo o mundo, tanto para temperar a comida como, em certos casos, para preservar os alimentos. Ao longo dos tempos, o sal adquiriu uma grande importância e uma presença no dia-a-dia da maioria das pessoas. No entanto, a Organização Mundial de Saúde recomenda que o consumo diário de sal não seja superior a 5g para um adulto e 3g para as crianças. O valor médio consumido pelos portugueses ronda as 10,7g, ou seja, mais do dobro daquilo que está recomendado.

Mas porque razão se deve limitar o consumo de sal? De uma forma simples, o sal é uma fonte de sódio (cada grama de sal contém 400 mg de sódio na sua composição). E níveis elevados de sódio levam a uma subida da pressão arterial e a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), Enfarte Agudo do Miocárdio e Insuficiência Cardíaca. Este tipo de doenças são a principal causa de morte em Portugal, o que revela a importância deste tema.

O sal também contribui para que mais de 40% dos portugueses sejam hipertensos (isto é, tenham Hipertensão Arterial, uma doença que se caracteriza por valores te pressão arterial acima do desejável).

Por todos estes motivos, é importante que o sal adicionado aos alimentos seja o menor possível. Sendo verdade que o sal realça o sabor da comida, é também verdade que existem outras substâncias que o podem fazer, sem aqueles riscos mencionados anteriormente. São exemplo as ervas aromáticas (como os orégãos, salsa, coentros, alecrim, louro ou cebolinho) e as especiarias (como gengibre, pimenta, açafrão ou cominhos). Tanto as ervas aromáticas como as especiarias podem conferir sabores intensos usando pequenas quantidades, sendo por isso uma boa alternativa ao sal, sem calorias significativas. Pode utilizar estas alternativas no tempero da carne e do peixe ou adicioná-las às suas massas ou ao arroz, assim como nas saladas ou na sopa. Quanto mais utilizar estes condimentos, menor será a necessidade que sentirá em usar sal. Se esta redução for gradual, o próprio paladar habitua-se facilmente e, passado algum tempo, uma refeição que lhe pareceria insossa deixará de o ser.

Não coloque o saleiro na mesa, porque isso incentiva as pessoas da mesa a utilizarem mais sal. O uso de colheres de café e de chá para medir o sal enquanto cozinha pode ajudar a ter uma noção das quantidades: cada colher de café de sal corresponde a 3 gramas de sal e cada colher de chá corresponde a cerca de 5 gramas (recorde-se que a dose diária não deve ser superior a 5 gramas para um adulto e 3 gramas para as crianças, isto é, a dose para um dia inteiro).

Deve também ter em conta que o sal da alimentação não é apenas aquele que é adicionado quando cozinha. Os próprios alimentos contém sal, dependendo da sua origem ou modo de preparação. Por isso, deve ler os rótulos dos alimentos e comparar o conteúdo de sal entre diferentes opções que tem à sua disposição. Deve também evitar produtos salgados e de conserva, assim como produtos de charcutaria (enchidos), snacks e refeições pré-cozinhadas ou congeladas – de uma forma geral este tipo de produtos tem uma grande quantidade de sal.

Se tiver em conta estas recomendações, poderá conseguir atingir as recomendações nesta área. Qualquer pessoa deveria tentar cumprir estas regras básicas, no entanto a importância destas medidas ainda é maior em pessoas hipertensas ou com outras doenças cardiovasculares.

Dr. Pedro Couto
Médico de Família

Se tiver alguma dúvida ou sugestões para outros temas a abordar nesta rubrica, pode entrar em contacto para o email doutorpedrocouto@gmail.com