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Literária Mente: Por Abril: A minha utopia

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Nasci no dia 24 de abril, precisamente no meio do dia internacional do livro (23) e do dia que assinala os aniversários da nossa revolução dos cravos. O dia da liberdade (25).
E é por isso que, desde há muito tempo, sinto que estou impelido e destinado a provocar revoluções, ruturas, através do livro. Ou seja, através da escrita, através da palavra.
Nesta semana muito especial, decidi falar sobre abril, sobre o significado que a revolução tem para mim, apesar de não a ter vivido e, sobretudo, sobre os pensamentos que abril me causa.
Talvez o ponto mais importante de todo este jogo de significados tem a ver com a ideia de liberdade. Se antes da revolução vivíamos num extremo do espectro da liberdade, olho para a sociedade portuguesa atual e sinto que vivemos no outro extremo. É verdade que, teoricamente, podemos fazer tudo. Podemos pensar tudo e podemos dizer tudo. Se existe a lei para regular e fiscalizar algumas ações e atitudes, a verdade é que não o podemos fazer a tudo o que se diz e o que se faz. Afinal, é esse o significado da ditadura.
O problema não será a falta de fiscalização. Com isto, critico veementemente todas as formas de opressão, de ditadura e de manipulação da mente humana. No entanto, critico… as próprias pessoas. A maioria da população não tem a verdadeira noção do significado do 25 de abril. Podem cantar e partilhar Zeca Afonso, podem colocar fotos de cravos nas suas redes sociais, mas, no final das contas, não valorizam a sua liberdade. Não valorizam porque acreditam que está tudo bem, porque não se questionam, porque acham que bastou os capitães de abril deitarem abaixo um regime ditatorial para que a sociedade entrasse nos eixos. Não bastou. Temos todos de fazer o nosso trabalho para alimentarmos a nossa liberdade.
Porque o grande problema não é a falta ou a presença de liberdade. É o que fazemos com ela. Fará sentido que, depois de uma luta tão grande, de tantos anos subjugados a uma ditadura, agora tomemos a liberdade como garantida e sejamos humanos e, sobretudo, cidadão desinformados, despreocupados, pensando que basta entregar “a pasta” a meia dúzia de iluminados para que possam gerir a nossa vida, os nossos direitos e deveres, o nosso dinheiro, sem que nós não tenhamos que fazer nada? Mas que ideia de liberdade é esta?
É falaciosa. Estamos enganados. Não somos livres. As desigualdades continuam a existir e, sobretudo, a crescer. Os pobres, mais pobres. Os ricos, mais ricos. E, de uma maneira geral, nós estamos de bem com isso. Porque somos livres. E partilhamos músicas e cravos nas redes sociais, e falamos de abril aos nossos amigos e conhecidos. Mas o que somos é uma sociedade inapta, calada e despreocupada.
Sonho em ver Portugal (e o mundo!) ativo, com um povo (que é e será sempre o nosso maior recurso) atento, pensador, que reflete e está sempre pronto a defender os seus interesses. Um povo que lê, que se junta e conversa em cafés mas com significado, com um objetivo, que não esmoreça perante as dificuldades. Um povo que tenha a noção de que a palavra e a ideia são as armas mais fortes que existem, mais que um míssil, ou uma bomba. Um povo que se una em prol de um objetivo maior e geral – a felicidade – e que nunca perca de vista esse objetivo. Bastam algumas pessoas para mudar o mundo. Mas precisamos do mundo para que o mundo não deixe de ser o mundo. E essa… é a minha utopia.
Literariamente, estamos conversados.

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94 livros “esperam” para ser trocados por outros

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Clássicos portugueses, livros infantis, obras de autores trofenses e até cultura mainstream. Todos os gostos literários cabem na Estante do Clube Slotcar da Trofa, que foi renovada a 22 de abril, na véspera do Dia Internacional do Livro.

O projeto “Ler Custa Muito Pouco” – que promove a troca de livros -, do Clube Slotcar da Trofa, cumpre o terceiro ano de existência e foi “reforçado”, colocando à disposição 94 obras para qualquer curioso da literatura. O conceito é simples: ao visitar a sede do clube, o leitor pode adquirir um dos livros da estante e levá-lo para casa, tendo apenas que o trocar por outro qualquer.

Leia a notícia completa na edição 620 do jornal O Notícias da Trofa, nas bancas até 3 de maio.

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Márcia Azevedo “arrasa” com canto lírico no Got Talent

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A jovem trofense Márcia Azevedo é uma das concorrentes que vai marcar presença nas galas em direto do Got Talent, programa de talentos da RTP. Audição da cantora lírica foi transmitida no domingo, 23 de abril.

Foi com “Ave Maria”, de Gounod, que Márcia Azevedo encantou os jurados do programa televisivo Got Talent Portugal. A jovem de Santiago de Bougado apresentou-se com canto lírico, numa prestação que Cuca Roseta considerou “a melhor” de todas as audições. Mas antes, o trio que avalia os talentos que passam pelo palco pregou um valente susto à concorrente, quando a meio da interpretação carregaram no “X”, como se a fossem reprovar.

Leia a notícia completa na edição 620 do jornal O Notícias da Trofa, nas bancas até 3 de maio.

Foto: DR

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