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Edição 670

Literária mente: O Egoísmo Bom

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Se na semana passada falei dos defeitos do egoísmo, sobretudo naquilo que é a vida das relações humanas, esta semana apraz-me louvar-lhe os méritos pois, como tudo na vida, assim acredito, o equilíbrio é o conceito fundamental a partir do qual devemos ver o mundo.
Há uma questão interessante e permanente a levantar sobre aquilo que são as nossas vidas individuais: é que são nossas. E isto parece um dado adquirido e irrelevante mas que, se formos analisar a fundo, não o é. E não o é porque permitimos vezes sem conta que outras pessoas e outras situações que são extra às nossas vidas, interfiram com aquilo que é o nosso curso natural.
Todos nós já passamos por uma situação dessas. Seja na vida profissional, em que grande parte dos casos nos obriga a prestarmos satisfações a alguém, vivendo em função de decisões tomadas por outrem na procura por uma recompensação (financeira) que transmite uma sensação ilusória de controlo, seja na vida pessoal, em que várias vezes nos vemos impelidos a viver em função de uma outra pessoa, seja de um parceiro, de um amigo, ou dos próprios pais.
A questão mais flagrante, porque mais comum, será talvez a da escolha do percurso universitário a um aluno acabado de sair do ensino secundário. Muitas vezes, este percurso é decidido pelos pais, pois estes, sem qualquer tipo de maldade, pensam saber melhor que os próprios filhos qual o rumo que a vida destes deve tomar. Esta ideia poderá ter algumas virtudes teóricas, mas na prática, não funciona. Porque a culpa de todos os percalços que esse percurso apresentar, será imputada, mesmo que de forma inconsciente, aos verdadeiros decisores, que foram os pais. Ou seja, existirá, não só, uma desresponsabilização por parte do filho, como também uma eterna frustração, se for o caso, por não ter podido escolher o seu próprio caminho.
A pressão exterior é uma situação normal do nosso quotidiano, pois vemos vezes sem conta as pessoas a tomarem comportamentos de manada, seguindo o carreiro de todos os outros, só para não se sentirem de parte, diferentes, ou motivo de conversa por parte do resto da manada. Esta pressão social está presente em todos os nossos dias e, quando acordamos para esta situação e começamos a perceber que, realmente, a nossa vida deixou de ser nossa, algures pelo caminho, ficamos com uma sensação de frustração. E vivemos um clima pessoalmente pesado, pois na fase de transição, se queremos ter a liberdade de decidir e escolher, a verdade é que continuamos a trazer connosco aquilo que foi a norma de toda a nossa vida.
Nessa altura, é importante respeitar aquilo que sentimos. Trazermos a nossa vida novamente até nós, fazer dela nossa novamente. Ou seja, tomar as rédeas do nosso caminho e não deixar que as opiniões dos outros nos possam influenciar, pelo menos de forma negativa. Teremos sempre de conviver com os outros e procurar aconselhamento naqueles aos quais reconhecemos maior competência é uma ferramenta que devemos procurar nunca perder. No entanto, devemos sempre ser senhores das nossas decisões, e ter a coragem e consciência de seguir os caminhos que entendemos serem os nossos, assumindo as suas virtudes e as suas consequências. É aí que o egoísmo é bom.
Literariamente, estamos conversados.

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Edição 670

Olhar o cinema nacional

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Crónica: Vasco Bãuerle

Caros Leitores,
Espero ter sido de proveito para os vossos apetites cinematográficos as sugestões da minha última crónica e faço votos para que a próxima reserve, igualmente, agradáveis surpresas.
Por falta de confirmação até à data da última crónica, refiro agora dois filmes que fecham o mês de Maio. CABARET MAXIME, do realizador Bruno de Almeida, estreia a 28 de Maio. É em Nova Iorque, que vai realizar a maior parte do seus filmes, destacando-se THE LOVEBIRDS (2007), THE DEBT (1993) e ON THE RUN (1999). O seu mais recente filme aborda a história de Bennie Gaza, dono do Cabaret Maxime, que terá de se bater por manter o seu clube à tona, alheio a pressões mundanas e a tentativas de corrupção (Fonte: ICA).
A 31 de Maio estreia HISTÓRIA DE UMA SURFISTA, de Joaquim Sapinho, um filme na linha do seu anterior, DESTE LADO DA RESSUREIÇÃO (2011) que toma o “surf” como mote. Com um vasto historial na área, Joaquim Sapinho conta já com uma modesta reputação no panorama do cinema nacional, após o badalado CORTE DE CABELO (1995).
Transcrevo agora a menção feita ao filme IMAGENS PROIBIDAS, erradamente anunciado na primeira crónica, ao qual, desde já, peço as mais sinceras desculpas. A 1 de Junho estreia o filme IMAGENS PROIBIDAS de Hugo Diogo, realizador de MARGINAIS. Baseado na obra de Pedro Paixão, “Saudades de Nova Iorque”, retrata as venturas e desventuras de David, que procurando escapar a um amor perdido, foge de Londres para Lisboa, e, com ele, traz um projeto, recriar o amor entre duas mulheres que não se conhecem, que comunicam através dele e das fotografias Polaroid.
A 14 de Junho estreia o mais recente filme de Edgar Pêra, CAMINHOS MAGNÉTICOS, que, segundo define o próprio, retrata “alguém que se apercebe que o dinheiro não é tudo, no dia do casamento da sua filha com um homem mais velho, rico, e é toda uma noite de dúvidas, hesitações, consignações, que faz com que a sua consciência vá evoluindo e tenha outra perceção do mundo”. Seguindo um estilo muito próprio, afirma, a “ideia é criar um universo totalmente artificial, no domínio da imaginação em que não existam limites realistas”.
Feitas as breves apresentações aos filmes do mês de Maio e Junho, faço agora menção ao festival FEST Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, que se define como “uma celebração única de novo cinema e de novos cineastas”. Nos dias de hoje, os festivais assumem um papel preponderante na promoção de novos cineastas e novos filmes, dificilmente acessíveis ao grande público, proporcionando debates, conferências de imprensa e outros eventos sociais. Assumem-se assim como os espaços, por excelência, de mostra de produções e novas formas de expressão cinemática.
O festival FEST, que vai na sua 14.ª edição, toma lugar entre os dias 18 e 25 de Junho de 2018 e propõe “criar um espaço onde cineastas emergentes possam mostrar e promover o seu trabalho, assim como desenvolver os seus conhecimentos e partilhar oportunidades, criando ao mesmo tempo novos públicos para o cinema independente”. Uma oportunidade interessante para conviver e fomentar a cultura cinéfila dos nossos ilustres leitores.
Até à próxima rubrica, e, até lá, boas sessões de cinema!

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Trofa zumbástica (com galeria fotográfica)

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Andei pelo concelho à procura de quem pratica zumba. Modalidade que esteve na ribalta há uns anos, o zumba ainda goza de muita popularidade pela Trofa. Aceite o convite e entre nesta viagem pelo mundo zumbástico, onde música, alegria, energia e preconceito são palavras que reinam.

Odete Correia pratica zumba há cinco anos. Até aqui, nada de surpreendente, uma vez que a modalidade é, por norma (e preconceito), mais feminina que masculina. Mas o que muda esta realidade é que Odete tem 74 anos e a forma como se mexe faz corar de vergonha qualquer sedentário na flor da idade.
Residente na vila do Coronado, Odete faz parte do grupo que duas vezes por semana “zumba” no pavilhão da Escola Básica e Secundária do Coronado e Covelas. Começou para contrariar a subida do colesterol e hoje não se vê a encostar as sapatilhas. Do zumba, gosta “de tudo”, tanto da dança como dos exercícios de ginástica, muitas vezes aplicados nas coreografias. Garante que nada a incomoda, nem mesmo o agachamento, “rei” do indesejável entre o mulherio. Com o zumba, Odete não está em casa no sofá, convive, vive.
A aula começa e Odete ocupa o seu lugar, na primeira fila. A experiência de vida dá-lhe legitimidade para achar a timidez um acessório, mesmo com a presença da jornalista.

Leia a reportagem na íntegra na edição nº 670 do jornal O Notícias da Trofa

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