Em 2013, a organização “Mãos à obra, Limpar Portugal” vai “mapear todas as deposições ilegais de resíduos” e organizar uma ação de sensibilização, que, na Trofa, decorre no dia 23 de março.

 “Os resíduos (o lixo) não vão por modo próprio para os espaços públicos. Têm um rosto humano camuflado no isolamento, na distância, na calada da noite”. Depois de três anos a “limpar” o País, a organização do “Mãos à Obra! Limpar Portugal” decidiu que, este ano, não iria limpar, mas sim “responsabilizar” as pessoas que, continuadamente, sujam os espaços públicos.

A embalagem de iogurte vazia que entulha a berma da estrada, os resíduos de uma demolição depositados no pinhal, a carrada de restos de poda que estava na serventia isolada, o frigorífico avariado que foi atirado para a linha de água, o sofá fora de moda que foi posto ao lado do contentor, bem como o saco do lixo esquecido no local do piquenique são, para a organização, exemplos de que as iniciativas desenvolvidas durante estes três anos não surtiram efeito sobre a população.

Para que possa “responsabilizar” os “praticantes destes ilícitos”, a organização pretende “mapear todas as deposições ilegais de resíduos”, para depois apresentá-las num “grande debate nacional”. “Será uma autêntica caça à deposição ilegal de resíduos”, frisou fonte da organização.

O debate encontra “eco” na intervenção de Rainer Nolvak, criador da iniciativa e um dos principais promotores da ação: “Esta ação não se destina apenas aos amantes da Natureza, destina-se a todo o Mundo que desperta para a realidade de que o desperdício é o recurso mais mal utilizado por toda a parte”.

“Promover a educação ambiental e refletir sobre a problemática do lixo, do desperdício, do ciclo dos materiais e do crescimento sustentável” são os principais objetivos desta organização, que espera que “o encerramento de um ciclo pedagógico” culmine com “a responsabilização dos praticantes destes ilícitos, dos proprietários dos terrenos, das autarquias e das entidades públicas”.

Enquanto no resto do País a ação de sensibilização decorre no domingo, dia 24 de março, na Trofa a equipa de coordenação concelhia decidiu que o melhor seria antecipar para sábado, uma vez que “muita gente” da organização está envolvida nas celebrações do “Domingo de Ramos”. “As coordenações locais já estão a funcionar e contamos, muito em breve, lançar o desafio para participar em atividades de mapeamento/georreferênciação de lixeiras”, afirmou fonte da equipa.

Na freguesia de Santiago de Bougado, a coordenação tem preparada uma “pequena caminhada” pelo monte, que começa junto à imagem do Cristo Rei, em Lantemil, terminando na freguesia de Covelas. Na caminhada, que começa pelas 9 horas de sábado, os participantes vão “registar os locais onde existe lixo”, para depois darem “conhecimento às entidades responsáveis”. No final da caminhada, todas as coordenações das “várias freguesias” do concelho vão plantar “algumas árvores”. “Terminaremos com um mega piquenique no local, que abandonaremos sem deixar lixo. Apareçam”, convidou Luís Neves Dias, coordenador de Santiago de Bougado.

Também será às 9 horas o início da caminhada nas freguesias de Guidões e em S. Martinho de Bougado, com início na Igreja de Guidões e Parque Nossa Senhora das Dores, respetivamente. Já pelas 9.30 horas, terá início a caminhada nas freguesias de S. Mamede e S. Romão do Coronado, Covelas, Muro e Alvarelhos, com saída marcada no Largo do Espírito Santo, estacionamento da Quinta de S. Romão, Rotunda do Alto da Cruz, Junta de Freguesia do Muro e de Alvarelhos, respetivamente.

Este evento conta com o apoio da Câmara Municipal da Trofa, que pretende, essencialmente, promover a “educação ambiental e refletir sobre a problemática do lixo, do desperdício, do ciclo dos materiais e do crescimento sustentável”. Caso esteja interessado em participar ou aprofundar a informação, pode contactá-la através do email amoportugal.trofa@gmail.com.

Recorde-se que no dia 20 de março de 2010, a organização mobilizou “cem mil voluntários, instituições, empresas e grupos”, que recolheram “mais de 50 mil toneladas” de resíduos que se tinham acumulado nos espaços públicos. Uma iniciativa que se repetiu em 2011. Já em 2012, numa mobilização que pretendia ser “mais pedagógica e abrangente”, reuniu “mais de 8400 voluntários” que retiraram um pouco por todo o País “cerca de duas mil toneladas” de resíduos colocados ilegalmente nos espaços públicos.