Lavradeiras da Trofa comemoram este ano meio século ao serviço do folclore. Primeira actividade para assinalar a data decorre durante a Feira Anual da Trofa.

O Rancho das Lavradeiras da Trofa já levou as tradições e os costumes da região aos quatro cantos de Portugal e a diversos países do mundo. “São 50 anos de actividade ininterrupta, de que muito nos orgulhamos, até porque não é uma situação vulgar estar em actividade de forma contínua e sem interrupções. Este é um ano que não deixaremos de assinalar”, garantiu o presidente da colectividade, Luís Elias.

A primeira actividade das comemorações vai decorrer este fim-de-semana, na Feira Anual da Trofa, “que foi o evento em que o grupo se estreou”. O festival “Lavradeiras 50 anos” será dividido em duas partes, uma no sábado e outra no domingo. “Procuraremos que cada evento deste ano tenha a marca dos 50 anos. Já temos em circulação uma novidade: um selo do Rancho das Lavradeiras da Trofa lançado para assinalar o aniversário. Ainda sem data marcada, teremos também a comemoração solene, com uma missa, uma romagem ao cemitério e um jantar, aberto a todos os que passaram pelo rancho e onde dois grupos convidados vão actuar”, explicou o presidente.

Ao longo de 50 anos, não faltaram os momentos marcantes. Um deles “foi quando o Rancho passou a integrar a Federação de Folclore Português, que tem vindo a aumentar a sua exigência em termos dos grupos federados”. Algumas das saídas são igualmente importantes: “A ida ao Brasil há uns anos atrás, as saídas a Itália ou França, à Madeira ou aos Açores também são sempre momentos altos”. Mas a história “também se faz de alturas más”, como a “turbulência” na “passagem da sua fundadora do grupo, Maria Augusta Reis, para a nova direcção do rancho”. “Fazemos questão de esquecer os maus momentos e lembrar os bons, que têm sido muitos mais”, afirmou Luís Elias.

A história, mais do que de momentos, faz-se de pessoas. Maria Augusta Reis e Amélia Mirra – fundadoras – e “todos aqueles que passaram pelo rancho com muita dedicação”, onde Luís Elias inclui “dois grandes elementos: Diogo Costa e Laura Campos”. “Seria injusto falar de uns em detrimento de outros, por isso ficámo-nos por aqui”, referiu. No entanto, há um nome que jamais será esquecido: Joaquim Sampaio Lopes. “É um grande amigo já falecido, que nós honramos sempre em todos os momentos e em qualquer lugar. Tudo aquilo que o rancho foi e será terá sempre na sua génese este homem, que nos marcou a todos”, confessou Luís Elias, emocionado.

Actualmente com cerca de 40 elementos, o grupo atravessa um bom período: “O Rancho está estabilizado e tem qualidade. Já tem a possibilidade de ser exigente nas suas saídas, ou seja, escolher aceitar convites de grupos que depois representem uma mais-valia quando vierem à Trofa”.

Aproveitando esta fase, as Lavradeiras da Trofa lançaram uma marca própria, que está a ter boa aceitação no mercado, nomeadamente, com a comercialização de licores e bolachas, que podem ser encontrados na Sanimaia, em Lantemil, Santiago de Bougado. Para a Páscoa, o grupo está a planear o lançamento de “uma surpresa”.

Para o futuro, fica a certeza: “Queremos continuar na vanguarda daquilo que se faz em termos de folclore”.