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Ano 2011

«… a Razão, mesmo vencida, / Não deixa de ser Razão»

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Excerto de quadra de António Aleixo

Dou comigo, qual Santo António a pregar aos peixes, como acontece na oratória do jesuíta António Vieira, pois os peixes ouvem, embora não falem, e os homens falam muito, mas ouvem pouco. Bem me esforço, mas o resultado é reduzido, como diria um outro pregador popular, J. Mário Branco de seu nome, anda aqui um tipo a pregar cheio de boas intenções e vejam bem o que recebe em troca: « só porrada e mau viver». Com certeza estarei enganado, o defeito será meu. Em Portugal não há desemprego, os salários são bons, as pensões melhores, os impostos baixos,  a gasolina a sete e coroa, a electricidade é económica, as auto-estradas são livres, sem portagens, bem como as scuts, o ensino e a saúde são completamente gratuitos, os sectores produtivos seguem a todo o gás, não há corrupção,  nem compadrios e a justiça funciona a todo o vapor.

Quando assisti no Domingo passado ao definhar do resultado nacional das eleições presidenciais, foi o que pensei. O meu país não é aquele que eu venho caracterizando mas um outro, o acima sucintamente descrito. Não, o país não está mal, o povo não está pobre, não há recessão económica, nem aumento dos preços, nem cortes nos apoios sociais, nem supressões nos salários e congelamento das pensões, nem privilégios dos grupos financeiros. Tudo isso são coisas inventadas por mim, criadas pela minha ficção. Só assim se justifica os votos que caíram em Cavaco, Alegre, Nobre e Moura, todos eles, cada um à sua maneira, altos dignitários de uma política que eu considerava extremamente nociva ao povo português, aos trabalhadores portugueses, aos jovens, aos menos jovens, aos pequenos e médios empresários.

Mas…estarei enganado? Quem, ao longo de anos, de décadas, de forma honrada e séria, andou na política portuguesa, na luta e prossecução de interesses colectivos com o fim de se atingir a melhor justiça social, a soberania nacional, da erradicação a pobreza, o fim da exploração e a distribuição justa da riqueza e da produção nacional, não é reconhecido. Quem sempre cumpriu com o que prometeu, quem tem apenas um discurso, seja na Trofa, seja na Assembleia da República, não é reconhecido, ou, pelo menos, não é devidamente reconhecido. Trata-se, no mínimo, de ingratidão. Refiro-me ao PCP e ao seu candidato Francisco Lopes. É certo que, no seu tempo, Jesus também não foi ouvido, ainda hoje apenas na teoria e na liturgia é seguido, Galileu foi obrigado a desdizer-se, Camões não foi reconhecido. Às vezes, dizem-me: «Vocês, comunistas, trabalham como ninguém, mas…»; «Vocês são sérios e honestos, mas…». «Vocês defendem a justiça social e os mais fracos como ninguém, mas…». Mas… o quê? Podem acusar, e já acusaram os comunistas de tudo, de comer crianças ao pequeno-almoço, de dar injecções aos velhinhos atrás da orelha, de incendiar o património florestal, e houve quem acreditasse, e há quem acredite. Mas não podem acusá-los de terem duas caras, de serem hipócritas, de venderem a alma  ao diabo, de não serem sérios, de não serem coerentes e consequentes com os seus ideais de justiça e igualdade.

É certo que mais de metade dos eleitores portugueses não votaram, num claro protesto e desacordo com a política que vem sendo seguida nos últimos anos, de que Sócrates, Cavaco, Santana, Durão e Portas, foram os principais actores. Mas mesmo assim… como se explica que pessoas que vivam, ou melhor, que sobrevivam, apenas com o rendimento de reinserção social, e eu conheço algumas, apoiem e votem em Cavaco, que foi apoiado pelos partidos que pretendem acabar com esse rendimento. E não foi por falta de aviso. Ainda agora aí vêm patrocinadas por PS, PSD, CDS e Cavaco Silva, indemnizações mais baratas para os despedimentos: 20 dias por cada ano de trabalho até ao máximo de 12 anos. Se o trabalhador tiver 20 anos de trabalho, receberá apenas 12 meses, a 20 dias por cada mês, quando até agora receberia 20 meses a 30 dias. Aí têm a paga pelos votos em Cavaco, Alegre e companhia. Esta contradição profunda é complicada e também de difícil digestão. Mesmo a história do Metro. Porque é que o Metro não vem para a Trofa? Simplesmente porque, apenas e só, o PCP tem as mãos limpas neste tema. Só o PCP, foi e é coerente e consequente, com o que sempre assumiu.

E esta é uma afirmação irrefutável. Mas continua a martelar a mesma questão: estarei enganado? Acredito que não. Sim, é possível, um outro país, uma outra Terra, neste cadinho periférico da Via Láctea do incomensurável Universo. Um mundo onde todos sejamos amigos, com pão, educação, justiça e saúde para todos. A Terra a produzir, fecundada, devolverá felicidade a todos os homens e a todos os seres vivos, porque a distribuição será justa e equilibrada. Poderão dizer: este tipo é um sonhador. Serei…ou talvez não…mas prefiro morrer envolvido num lindo sonho, do que atormentado por um pesadelo. E assim continuarei a luta com todos aqueles que preferem o sonho nessa tentativa de mudar e transformar este mundo, construindo um melhor, pois apesar deste e de outros resultados eleitorais semelhantes, não perderei, não perderemos, a razão pois «… a Razão, mesmo vencida / não deixa de ser Razão»

Guidões, 25 de Janeiro de 2011,

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Atanagildo Lobo

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Ano 2011

O ano de 2012 não será uma hecatombe, mas…

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A passagem de mais um ano, obriga-nos a meditar sobre o ano que passou e o ano que está a chegar. Não é que se viva de recordações, mas elas são muito úteis para se poder fazer um balanço da nossa vida; de onde viemos, para onde vamos. É o tradicional «reveillon», talvez o mais triste dos últimos anos.

O ano que agora finda é provavelmente, aquele que mais afetou a vida de quase todos nós, que ainda por cá andamos. O ano que virá, não será uma hecatombe, mas será um ano de muitas falências, de desemprego, de recessão e de depressão. Será a continuação da crise, ainda mais agravada com o passar do tempo.

Não vai ser possível escapar a mais um ano de recessão e caos económico, uma situação que não vivemos desde a segunda guerra mundial. O ano que agora festejamos o seu fim, brindou os portugueses com algumas medidas de carácter económico, que fizeram abalar a “carteira” de muitos, a começar com os cortes, para alguns, nos subsídios de férias e de natal, no fim das borlas nas SCUT, o fim do passe social para todos e os diversos e sucessivos aumentos em produtos necessários ao nosso dia-a-dia.

A crise que estamos a atravessar é uma crise quase generalizada a todo o mundo: o Ocidente debate-se com uma grave crise económica, que dura há mais de três anos; a África continua com as suas tradicionais crises humanitárias, económicas e políticas; a Ásia está a viver um conjunto de problemas originados pelo crescimento económico muito rápido de diversos países. A crise – financeira, económica e social -, alastrou-se a todo o mundo e o ano de 2012 vai exigir um combate em todas as frentes, vai exigir soluções globais.

Os decisores políticos mundiais deverão ter em atenção algumas premissas para que o combate tenha o êxito desejado. Em primeiro lugar, deve ser dada a primazia da economia sobre as finanças, mas antes de tudo devem dar a primazia ao ser humano. Não se quer uma economia baseada no «capitalismo selvagem», mas uma economia centrada no homem. É no homem e para o homem e nos princípios da solidariedade, que a economia deve estar focada. Só assim é que faz sentido.

Vai ser preciso um combate eficaz à miséria, à fome, ao desemprego, que grassa por todo o mundo. Seguramente, o ano que se avizinha terá de ser um ano de grandes transformações, pois os desafios são tremendos. Vai ser preciso suster o descalabro das finanças públicas, deter o galopante crescendo da dívida soberana dos Estados e fazer crescer a economia.

A crise que o mundo está a atravessar interpela todos, pessoas e povos, homens e mulheres, jovens e menos jovens, empregadores e empregados, partidos políticos e grupos de reflexão a um profundo discernimento dos princípios e dos valores que estão na base da convivência social. A crise obriga a um empenhamento geral, numa séria reflexão sobre as causas e soluções de natureza política e económica não deixando de ter o homem como epicentro. Para o bem-estar da humanidade. Sempre!

José Maria Moreira da Silva

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moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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Ano 2011

Grupo de Jovens de Guidões recria presépio

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O Grupo de jovens S. João Baptista de Guidões deu vida ao presépio, numa iniciativa que é já tradição na freguesia.

Para muitos o dia de Natal é sinónimo de descanso e convívio familiar, mas em Guidões cerca de duas dezenas de jovens abdicam do conforto do lar para dar vida ao nascimento de Jesus, recriando o Presépio ao Vivo.

O último domingo, 25 de dezembro, começou bem cedo para o grupo. Ainda o relógio da Igreja Paroquial, onde é encenado o presépio, não assinalava as 7 horas e já os primeiros elementos chegavam para ultimar os preparativos. “Há certas coisas que apenas podemos fazer no dia, como colocar decorações e trazer os animais”, explicou o presidente do grupo de jovens, José Pedro Campos. Depois de tudo colocado no devido sítio, os animais acomodados nas suas cercas e dos jovens vestirem os trajes da época, era altura de ensaiar a encenação que deveriam levar a cabo durante a eucaristia de Natal. “Este ano, para além do presépio, também fizemos uma pequena atuação no momento de Ação de Graças”, esclareceu o responsável.

Esta é uma iniciativa que o Grupo de Jovens S. João Baptista de Guidões desenvolve há já vários anos: “Naturalmente que dá bastante trabalho”. “Toda a estrutura foi criada de raiz e é da responsabilidade dos elementos do grupo que soldam, pregam, serram e fazem o que for necessário para que tudo esteja pronto no dia de Natal”, acrescentou José Pedro Campos.

Neste presépio existem anjos, pastores, reis, José, Maria e muitas outras personagens que recriam os relatos da Bíblia, como a aparição do anjo a Maria, a falta de lugar na hospedaria em Belém para José e Maria pernoitarem ou a fuga para o Egito, depois de Herodes ordenar a morte de todos os bebés.

O objetivo é “diversificar as cenas todos os anos para não se tornar monótono”. Se ainda não teve a oportunidade de visitar o Presépio ao Vivo, pode fazê-lo no dia 1 de janeiro entre as 14 e as 17.30 horas.

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