A Junta de Freguesia de Bougado já tem terreno para construir a nova casa mortuária de Santiago. A garantia foi deixada pelo presidente do executivo, Luís Paulo, na sessão ordinária da Assembleia de Freguesia, realizada no dia 23 de abril. O autarca afirmou que conseguiu que “a família Cruz”, proprietária do terreno pretendido pela Junta que está perto do cemitério, cedesse “em troca de nada” uma área de “1500 metros quadrados”. “Eu senti quase que a família agradeceu por ter dado”, frisou.
Segundo Luís Paulo, a Junta de Freguesia começou “na segunda-feira (20 de abril)”, uma “obra cara” que pressupõe a “construção de um novo muro de suporte com 120 metros e um poço” para dividir a área cedida do restante terreno da família.
Depois desta intervenção, continuou Luís Paulo, “há um pré-acordo com o padre Bruno para a permuta dos terrenos”. “Ao fundo do jardim da casa paroquial nascerá a Casa Mortuária”, enquanto que no tanque, também no jardim, será criada uma rua “com cerca de sete metros”. A norte do cemitério será também deixado um espaço para um novo alargamento, que “resolverá a situação para os próximos 25 anos”.
O presidente só não divulgou a data de início da construção da Casa Mortuária, mas salientou que esta obra “é tão prioritária” como a de S. Martinho, cuja requalificação já está a decorrer e que tem prazo de conclusão para “meados de maio”.
Já o cemitério de S. Martinho, disse o autarca, “está numa situação complicada em termos de espaço”. “Garantimos mais 20 espaços, mas estamos a estudar alternativas para apresentar na próxima assembleia. Precisamos de fazer algo para se mudar mentalidades”, afirmou, dando como exemplo o aumento de cremações.PS abstém-se na aprovação
da conta gerênciaA conta de gerência de 2014 foi aprovada, com oito votos favoráveis dos elementos da coligação Unidos pela Trofa (PSD/CDS-PP) e quatro abstenções dos eleitos pelo Partido Socialista.
António Barbosa, tesoureiro da Junta de Freguesia, evidenciou os “138 mil euros” de poupança corrente que “demonstra o rigor de gestão impulsionado por este executivo”. Segundo o tesoureiro, este número ganha mais ênfase pelo facto de a Junta “ter assumido competências atribuídas pela autarquia na limpeza e manutenção de jardins e equipamentos que obrigou a um aumento significativo das despesas correntes”.
Segundo António Barbosa, as receitas da Junta rondaram os 995 mil euros, sendo que “cerca de 800 mil representam receitas correntes”.
Mário Moreira, da bancada do PS, mostrou-se crítico à forma como as contas são apresentadas, “em POCAL Simplificado”, sistema através do qual “dificilmente alguém entenderá o que os números traduzem com eficiência técnica”. “Perde-se alguma transparência e as contas ficam bastante prejudicadas”, argumentou.
O eleito pelo PS afirmou que “é preocupante” a baixa execução orçamental e apontou como causa “a falta de atribuição de um subsídio camarário, no montante de 300 mil euros, que representavam 75 por cento das transferências de capital”. “Resta saber se aquele subsídio era expectável ou se já fazia parte dos números empolados do orçamento para 2014. Refira-se que, para 2015, esta rubrica volta a aparecer mas com menor verba, 228 mil euros. É crível que se falhar, também falharão as despesas e investimentos”, referiu.
A apresentação dos valores relativos à organização da Feira Anual também mereceu o reparo de Mário Moreira que criticou a ausência de dados do ano anterior, impossibilitando “comparações” e “perceção se se gastou mais ou menos, se deu lucro ou prejuízo”.
Quanto ao saldo deixado para o orçamento de 2015, Mário Moreira interpreta de forma diferente do executivo: “É um truque para tapar os olhos ao povo. Não é, propriamente, sinal de boa gestão, porque significa falta de execução orçamental. Se gastasse essa verba, havia mais obra”.
Em resposta, Luís Paulo afirmou que o executivo “não gasta dinheiro mal gasto” e que está “satisfeito com o que a Câmara transfere para a Junta”. Sobre a Feira Anual, referiu que “não tem de dar lucro, mas também não tem de hipotecar a Junta durante o ano inteiro”.
Antes da ordem do dia, e quando questionado por Ângela Moreira, do PS, o presidente da Junta fez saber que a Rua Costa Couto, junto à EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques, será intervencionada “pela Câmara Municipal em julho, juntamente com a demolição dos pontilhões”.
Já o socialista Amadeu Dias quis saber se o executivo conhecia “o propósito” da instalação de postes em Valdeirigo, que causou o “descontentamento junto da população”.
Luís Paulo respondeu que também discorda, salvaguardando que “a competência é da Câmara, que interrompeu a obra”.