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Edição 764

Jovens Gera Esperança em peregrinação na Semana Santa

O grupo de jovens Gera Esperança cumpriu peregrinação a Santiago de Compostela, durante a Semana Santa. Jornada espiritual foi carregada de simbolismo e experiências inesquecíveis.

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O grupo de jovens Gera Esperança cumpriu peregrinação a Santiago de Compostela, durante a Semana Santa. Jornada espiritual foi carregada de simbolismo e experiências inesquecíveis.

A chuva noturna abençoou a jornada espiritual que o grupo de jovens Gera Esperança, da paróquia de S. Martinho de Bougado, realizou na Semana Santa. De Valença a Santiago de Compostela, as duas dezenas de jovens partiram, a 11 de abril, para uma caminhada de cerca de centena e meia de quilómetros, que foi recheada de momentos marcantes e emoções fortes.
“Tudo que estamos a viver e a experimentar é oração: as etapas do caminho; as refeições partilhadas; o apoio que prestamos (e recebemos) aos nossos amigos; os momentos de convívio; as reflexões em grupo; as orações; as partilhas. Em todos os momentos estamos a rezar. Em todos eles encontramos Jesus e todos eles nos transformam interiormente. ”, escreveu o grupo no segundo dia de jornada, ainda numa fase inicial, mas já com tanto significado.
E o espírito dos Caminhos acompanhou-os, constantemente, tal como é possível perceber pelo resumo do terceiro dia: “É bom ter alguém ao nosso lado que nos cativa; que nos ampara; que canta para nos abstrairmos das dores; que sugere ouvir a oração do passo-a-rezar para encontrar alguma luz; que nos dá a mão para avançar e que para, quando nós paramos, para nos esperar. Como é bom sentir que o grupo está unido! Como é bom perceber que viver é procurar encontros com aqueles que caminham ao nosso lado, estabelecer diálogo e perguntar se está tudo bem”.
Entre momentos de lazer, nos quais tiveram oportunidade de conhecer peregrinos estrangeiros e até jogar volei com atletas da modalidade, os jovens marcaram os caminhos com momentos alusivos à Semana Santa, como a Quinta-Feira: “Partilhamos um pão de ló com o grupo, distribuímos vinho do Porto entre todos. Tal como na última ceia de Jesus com os seus apóstolos. Depois, subimos para o dormitório e continuamos com o mesmo gesto, mas desta vez, de acordo com o Evangelho de João, que narra o episódio do lava-pés: os animadores ajoelharam-se, tomaram uma toalha, uma bacia, um jarro de água e lavaram os pés aos jovens do grupo”.
O contacto com a natureza também foi aspeto que marcou os jovens, que o relataram no diário de viagem que partilharam nas redes sociais. Nele é possível perceber que algumas das etapas é pródiga em paisagens naturais memoráveis e até em momentos de contemplação da vida animal:
“Cruzamo-nos ora com cães e gatos (com ratitos na boca), galinhas e cabras, vacas e cavalos, patos e gansos, corvos, ovelhas; e no nosso andar tínhamos de estar em cuidado para não pisar os caracóis e lesmas que partilhavam o caminho connosco. Nas primeiras horas da manhã escutávamos o alegre canto dos pássaros, dos grilos e rãs”.
A peregrinação terminou no Sábado de Aleluia, com a chegada dos jovens ao templo de Santiago de Compostela. Para trás, deixaram quilómetros de caminho palmilhado, mas e deles colecionaram experiência de vida e momentos inesquecíveis.
“O Caminho é escola, é reflexo, é imagem da própria vida. Encontramo-nos cada vez mais longe do início do Caminho e tudo aquilo que estamos a viver vai-se amontoando na memória, no coração e também nos pés cansados (…) E com a praça repleta de peregrinos, fomos recebidos com aplausos e celebramos juntos, unidos, o concretizar da nossa peregrinação”.

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Edição 764

Vinhos verdes homenageiam património trofense

Considera-se a “Sub-região do Ave” a região dos Vinhos Verdes que abrange os concelhos de Vila Nova de Famalicão, Fafe, Guimarães, Santo Tirso, Trofa, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e parte do concelho de Vizela.

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O Vinho Verde, produzido na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, em Portugal, constitui uma denominação de origem controlada (DOC), cuja demarcação remonta a 18 de setembro de 1908 (no reinado de D. Carlos). O Vinho Verde é “único” no mundo. É produzido no território entre os rios Douro e Minho, no noroeste de Portugal, uma região costeira. Esta região (de Entre Douro e Minho) possui um clima ameno e chuvoso, que permite a criação de vinhos únicos, leves e jovens. Os vinhos desta região possuem, ainda, reduzidos níveis de álcool e bastante frescura, sendo vinhos aconselhados para acompanhar aperitivos e pratos leves. Alguns enólogos apontam a razão do termo “Vinho Verde”, graças à sua “alta acidez”, remetendo ao perfil ácido das uvas produzidas na região delimitada geograficamente como “Vinho Verde”.
Reza a história que terão sido os Vinhos Verdes os primeiros vinhos portugueses exportados para os mercados europeus. “Nos séculos XVI e XVII, os vinhos do Vale do Minho e do Vale do Lima eram regularmente transportados para o norte da Europa nos mesmos barcos que traziam o bacalhau e produtos manufacturados para sul”.

Sub-região do Ave

Considera-se a “Sub-região do Ave” a região dos Vinhos Verdes que abrange os concelhos de Vila Nova de Famalicão, Fafe, Guimarães, Santo Tirso, Trofa, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e parte do concelho de Vizela.

(…)

António Costa

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Construção do cemitério de S. Mamede do Coronado

A 11 de agosto de 1911, era aprovada a deliberação da Junta de Paróquia da freguesia de S. Mamede do Coronado para um empréstimo que tinha sido pedido previamente em julho daquele ano.

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Durante séculos, existiu na cultura popular/católica dos portugueses o pensamento de que os corpos dos falecidos deveriam ser, obrigatoriamente, enterrados no interior das igrejas, embora, por razões evidentes de espaço, nem sempre fosse possível essa prática, como também, até na hora da morte, havia distinções de tratamento.
O espaço do interior das igrejas e restantes templos católicos, por vezes por questões também de estatuto, ficava destinado para os senhores de classe social mais elevada e os mais fragilizados da sociedade eram encaminhados para o espaço em redor do templo.
O século XIX é pródigo em tentativas de mudança de mentalidade nos portugueses. Existiu um esforço por parte das autoridades para incutir elementos racionais, deixando o sagrado para um patamar secundário, fruto da evolução do conhecimento científico que se ia registando um pouco por toda a Europa.
A oposição da população foi, por vezes, bastante cáustica. Referência para os confrontos popularmente conhecidos por “Revolta da Maria da Fonte”, mas, aos poucos, os cemitérios entraram na certeza dos portugueses.
Um investimento que tinha de ser realizado pelo poder local, mas nem sempre o fator financeiro era favorável para a concretização dos mesmos, algo que aconteceu em S. Mamede do Coronado.
No ano de 1900 e anteriores, discutia-se a construção de um cemitério, desconheço, de forma humilde, qual seria a solução utilizada para o enterro dos mortos entre a deliberação oficial do Governo e aquele momento.
A Junta de Paróquia, que hoje equivale em termos homólogos à Junta de Freguesia, solicitava ao Ministério do Reino, responsável pelos assuntos de governação nacional, um apoio para a construção desse equipamento.
A 11 de agosto de 1911, era aprovada a deliberação da Junta de Paróquia da freguesia de S. Mamede do Coronado para um empréstimo que tinha sido pedido previamente em julho daquele ano.
O empréstimo era de um valor considerado elevado, concretamente 731$640 reis, que tinha de ser amortizado no período máximo de 24 anos, pela anuidade de 30$485, que tinha como salvaguarda de pagamento 15% da derrama, que os paroquianos tinham de cumprir para a conclusão da obra do cemitério paroquial.
O documento era assinado por Rodolpho Hintze Ribeiro, uma das maiores figuras políticas dos últimos anos da monarquia.
Finalizando, assistimos a um Estado que empresta dinheiro ao poder local, mas que faz cativação de verbas para garantir esse pagamento que, por vezes, poderia ser a última solução para ser possível construir equipamentos coletivos fundamentais para a vida da sua comunidade.

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