A vida de José Sócrates, está repleta de casos sinuosos. É verdade, que o governo que ele chefia, não tem resolvido os problemas estruturais, nem tem conseguido preparar o país para os desafios do futuro e que a situação do país é muito preocupante, mas o primeiro-ministro está cheio de casos nebulosos que têm abafado as más políticas do governo socialista e a situação perigosa em que o país se encontra.

A carreira política de Sócrates iniciou-se, como membro da Juventude partidária do PPD, a JSD da Covilhã. Em 1981, filiou-se no Partido Socialista e em 1987, foi pela primeira vez, eleito deputado, pelo distrito de Castelo Branco. A sua primeira intervenção, enquanto deputado numa questão de âmbito nacional, consistiu na defesa de projecto-lei legalizando a possibilidade da prática do nudismo.

Durante a década de 80, Sócrates assinou projectos da autoria de outros técnicos (o que é ilegal) e com a seguinte particularidade: todos os projectos foram aprovados em tempo relâmpago. O prazo maior é de oito dias e o mais curto de um só dia, mesmo com processos de embargo e pareceres negativos da Direcção Regional de Agricultura. Sócrates, assinou (ainda sem o “tal curso”) projectos de edifícios particulares como projectista da Câmara Municipal da Guarda, enquanto trabalhava, em regime de dedicação exclusiva, na Assembleia da República. O caso já foi alvo de um inquérito interno na autarquia e de uma denúncia ao Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra. Ainda de acordo com a edição desta segunda-feira do “Público”, o actual primeiro-ministro foi afastado por desleixo da Câmara da Guarda, onde trabalhava como projectista de edifícios, em 1990 e 1991, devido à falta de qualidade dos seus projectos e por falta de acompanhamento das obras, chegando mesmo a ser ameaçado com sanções disciplinares e sendo criticado severamente.

Em 1995, tornou-se membro do primeiro Governo de António Guterres, ocupando o cargo de secretário de Estado Adjunto do ministro do Ambiente. Dois anos depois, tornou-se ministro-adjunto do primeiro-ministro, com as tutelas da Toxicodependência e Desporto.

O “caso Cova da Beira”, referente ao concurso da central de tratamento de resíduos sólidos lançado em 1996, originou uma denúncia que dava conta que José Sócrates, na altura secretário de Estado do Ambiente, teria recebido dinheiro para aprovar a construção de um centro de tratamento de lixo na Cova da Beira. Em causa, segundo despacho do Ministério Público, estariam 300 mil contos, sendo que metade do valor se destinava a Sócrates, alegando ter recebido dinheiro do grupo HLC a troco da vitória no concurso.

Em 1998, o primeiro-ministro e a mãe mudaram-se para o Edifício Heron Castilho, na Rua Braamcamp, em Lisboa. A mãe, comprou a sua casa a 6 de Novembro e José Sócrates tinha comprado nove meses antes, a 18 de Fevereiro. Ambos os apartamentos foram comprados através de “off-shores”, desconhecendo-se a identidade do vendedor, no que se refere ao andar de Sócrates, que pagou um preço muito abaixo dos valores de mercado.

Em Outubro de 1999, transitou para a pasta de ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. Enquanto ministro, foi protagonista de diversas polémicas, como a questão da co-incineração de resíduos tóxicos, bem como o licenciamento do Freeport, o maior “outlet”, a céu aberto da Península Ibérica. Em Janeiro de 2009 surgiu uma nova polémica envolvendo o nome de José Sócrates, o caso Freeport. Segundo as suspeitas, Sócrates é acusado de ter renunciado a restrições ambientais, depois da intervenção do seu tio e primo, para conceder a licença à empresa britânica Freeport Alcochete.

Em 2007, as autoridades investigaram suspeitas de falsificação e irregularidades em torno da sua licenciatura de engenharia, tirada na Universidade Independente. O actual primeiro-ministro completou a sua licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente, num domingo de Setembro de 1996, dia em que foi assinado o diploma.

Durante os seus mandatos, como primeiro-ministro, surgiram algumas acusações de ter como objectivo controlar todos os meios de comunicação social e afastar os jornalistas incómodos, o que originou o Processo “Face Oculta”, em que os investigadores defendiam a realização de um inquérito ao mais alto nível, pois segundo os mesmos: “estava em curso um plano para controlar a comunicação social”, com o Primeiro-Ministro à cabeça e o seu amigo Armando Vara. O processo “Face Oculta”, desencadeado pela PJ, veio também trazer à tona o tráfico de influências com a negociata das sucatas.

São tantos os casos sinuosos, em que está supostamente envolvido, que é lícito afirmar: José Sócrates governa muito mal, mas é um político muito prolixo (abundante) … de histórias.

 

José Maria Moreira da Silva

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