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Crónicas e opinião

Irão: a verdade da mentira

João Mendes

Publicado

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Gerada por IA

Não choro a morte de Ali Khamenei. Um fanático totalitário a menos causa-me zero comoção. Pena ter ido tão tarde.

Digo-lhe mais, caro leitor: por mim desenvolvia-se já uma daquelas bombas propostas pelo “Gajo de Alfama”, que fosse lá pelo cheiro a fundamentalista religioso, e antecipava-se o encontro com o Criador a todas as criaturas sedentas de o encontrar e de nos levar com elas. Independentemente da religião. Seria um belo dia para a generalidade da humanidade.

A teocracia absoluta que oprime mais de 90 milhões de iranianos é execrável. E é também um produto directo da política externa norte-americana, parido pelo mesmo golpe de Estado que, em 1953, derrubou Mohammed Mossadegh. Seja como for, o fim do regime dos ayatollahs seria uma excelente notícia para qualquer pessoa que tenha a Liberdade como valor inalienável, mas a morte de Ali Khamenei não garante nada disso.

Aliás, e a julgar pela recente intervenção americana na Venezuela, que se limitou a remover Maduro do poder, mantendo tudo o resto igual a nível interno – excepto a repressão sobre os venezuelanos, que aumentou – nada nos garante, nesta fase, que tudo não continuará na mesma. Até porque bombardear o Irão não chega para alterar o regime. Seria necessária uma invasão terrestre que os EUA dificilmente arriscarão.

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Então, qual será o objectivo da presente intervenção no Irão?
Sugiro que tentemos chegar lá por exclusão de partes.

O ataque israelo-americano ao Irão não foi motivado pela ameaça nuclear. Netanyahu está a garantir-nos há 30 anos – literalmente – que o Irão está a semanas de conseguir a bomba e, 30 anos depois, não há sinal dela. Se a razão fosse essa, os EUA já teriam terraplanado a Coreia do Norte e o Paquistão.

Também não foi feito em defesa dos valores democráticos. Se assim fosse, Trump não receberia Putin ou Bin Salman com honras de Estado, em território americano. Aliás, basta ver o que se passa na Venezuela, para perceber que não será por aí. Para não falar no genocídio em Gaza.

Julgo que também não será pela ameaça militar ou pelos aliados poderosos do Irão. Os últimos dias vieram confirmar que o exército iraniano não tem grandes hipóteses de se defender ou de causar danos significativos aos seus agressores.

Qual será, então, a motivação por trás destes ataques?
Vejo três motivações possíveis:

– Limitar o acesso da China ao petróleo iraniano.

– Submeter o Irão ao poder regional de Israel.

– Retirar os holofotes do escândalo Epstein.

    Talvez existam outras. Mas estas parecem-me motivações mais que suficientes para que Washington e Telavive levem a cabo mais uma das suas exportações de democracia à força, que nunca correm bem. Basta ver o que aconteceu ao Iraque, ao Afeganistão, à Síria e à Líbia após as intervenções americanas. Estão todos em pior situação do que aquela em que se encontravam antes das bombas americanas.

    Mas por favor, não venham os avençados dos EUA e de Israel com a absoluta treta dos direitos humanos. Os únicos direitos humanos que interessam ao Adolfo sionista e ao abusador de Mar-a-Lago são os seus. E por muita graça que possamos achar ao que se passa no Irão, é bom que preparemos a carteira para pagar a factura. A do combustível disparou no início da semana. Seguem-se a alimentação e o crédito à habitação. Falências, desemprego e insegurança virão a seguir.

    Sabem quem não está preocupado com a factura?
    A oligarquia corrupta que gravita em torno de Donald Trump. Esses nunca pagam nada. Não pagam impostos, não pagam a factura das guerras que ordenam e não pagam pelos crimes de pedofilia que cometeram na ilha de Epstein.

    Há coisas que nunca mudam. E uma delas, como a história vem provando uma e outra vez, é que ter a extrema-direita no poder equivale, sempre, a miséria, violência e morte.
    Sempre.

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