“Na Trofa, nada é para preservar. Na Trofa, tudo é para destruir”. As palavras são de José Manuel Cunha, trofense que teve um papel preponderante na identificação do património existente nas zonas ribeirinhas do concelho. Afastado da vida cívica ativa, o NT foi visitá-lo para perceber a razão desta ausência. O historiador lamenta a forma como os agentes políticos têm, a seu ver, ignorado a preservação da história da Trofa e nem promete a publicação dos mais recentes trabalhos escritos.
Quis o destino que José Manuel Cunha tivesse o rio como vizinho. “Foi coincidência”, diz, entre risos, enquanto explica que o sogro “foi moleiro” e trabalhou na Azenha do Bicho. A casa onde vive, em Guidões, não podia combinar melhor com a paixão que ele próprio alimentou, ao longo de décadas, na procura incessante pelo património das zonas ribeirinhas da Trofa. É um dos nomes incontornáveis dos estudiosos que ajudam a preservar a história do concelho, com dois livros editados, um incluído no volume dos Cadernos Culturais da Câmara Municipal da Trofa (de 2006) e “A Indústria Moageira no Concelho da Trofa”, lançado em 2014. Na apresentação desta obra, José Manuel Cunha já manifestava algum desalento pela forma como o património trofense estava a ser tratado pelos agentes políticos. Atualmente, bem mais recolhido da vida cívica, sublinha a mesma posição: “Infelizmente, na Trofa não se preserva, destrói-se”.
As palavras surgem em jeito de suspiro. De ombros caídos e visivelmente agastado na abordagem ao assunto, José Manuel Cunha vê-se sem forças para contrariar o marasmo que considera reinar no concelho. “A Trofa não tem uma estrutura-base de arqueologia, de defesa do património”, argumenta, para depois justificar com o estado de abandono em que estão muitas estruturas históricas, que contribuíram para o desenvolvimento económico e social do concelho.

Leia a reportagem na íntegra na edição n.º 672 do jornal O Notícias da Trofa, já nas bancas.