Hugo Leal A ex-promessa do futebol português retomou a carreira no promovido Trofense com a Liga já a decorrer e passou a abordar a sua carreira por outra perspectiva: mais do que por prestígio, aos 28 anos, o médio corre pelo prazer de jogar.

 Há uma década poucos esperavam vê-lo no relvado da Trofa, a treinar com as cores do clube da terra, que entretanto passou a conviver com os grandes do futebol português. A estreia pelo Benfica, aos 16 anos, as aventuras em Espanha e França e o regresso a Portugal, para o FC Porto, indiciavam um percurso de sucesso para Hugo Leal.

Porém, após três épocas desafortunadas em Braga e Belém, o ex-menino-prodígio da Luz resolveu descer um degrau nas expectativas da sua carreira e mudar a sua lista de prioridades profissionais: quer voltar a ter o prazer de jogar e as afinidades com o técnico Tulipa foram determinantes para que o regresso aos relvados se cumprisse já com a época a decorrer.

Gorada a renovação com o Belenenses, durante o defeso, Hugo Leal voltou a enfrentar um período de desemprego, como tinha vivido entre Janeiro e Junho de 2007, após rescindir com o Sp. Braga. Foi uma contingência determinada por ter recusado convites do estrangeiro, conforme o próprio confessou ao DN sport. “Ponderei ir para fora, mas apareceram-me propostas da Roménia, Turquia, Grécia e eu… tremi. Acabei por não me decidir até ao fecho das inscrições.”

O camisola 14 do Trofense, que se estreou na última jornada frente ao Marítimo, sublinha ter preferido esperar por uma situação que lhe desse “algum gozo pessoal”, fazendo valer a possibilidade de poder ser inscrito a qualquer altura. A oportuni- dade surgiu no mês de Outubro, a convite do técnico trofense Tulipa, com quem Hugo Leal treinara no Estoril durante a pré-época, para manter a forma física.

Martírio deu para reflectir

A chegada ao Trofense representou o fim do calvário de dez meses para Hugo Leal, que começou por uma lesão grave, contraída em Janeiro ao serviço do Belenenses, e terminou num período de desemprego em que se tentou afastar ao máximo do contacto com o futebol. “O campeonato terminou quando recuperei da lesão no joelho. Não quis testar as minhas condições físicas, nem sequer em jogos com amigos. Mas senti muitas saudades dos relvados. Aliás, só consegui assistir a um jogo de futebol depois de ter assinado pelo Trofense. Antes, custava-me ver a maioria dos meus colegas a jogar e eu sem o poder fazer.”

A paragem, contudo, foi encarada pelo jogador como um período de aprendizagem, onde, apesar dos pontos negativos, houve tempo para reflectir sobre “a carreira e os projectos que seria capaz ou não de aceitar”.

Feliz por voltar à competição, a mais recente atracção trofense projecta o que ainda tem para dar, manifestando que não se arrepende das opções que tomou como profissional de futebol. “Apesar de haver situações que me custaram caro, aprendi com elas”, salienta, reconhecendo que, “antigamente, sonhava muito”.

Hoje em dia, Hugo Leal analisa a sua carreira com espírito crítico e traça objectivos bem mais realistas. O percurso para voltar à ribalta não foi posto de parte, mas será trilhado passo a passo, sendo que o próximo será impor-se como titular do Trofense e ajudar na luta pela permanência. “Não posso ambicionar o Real Madrid… Os meus objectivos são a curto prazo, quero ir crescendo e ajudar esta equipa a manter-se na I Divisão. Se no último jogo tive oportunidade de jogar vinte minutos, o objectivo para o próximo é jogar trinta”|

**in DN**