Num ambiente quase de cabaré, entre cortinas de veludo vermelho e um suave murmúrio de um piano de cauda acompanhado da instrumentaria já conhecida da banda, eis que surgem uns GNR despidos de preconceitos, cheios de uma energia genuína, acrescentada de maturidade mais que suficiente para não ter que provar nada.

Assim foi o concerto dos GNR no Coliseu do Porto, cheio e colorido a preceito para a banda da verdadeira “Pronúncia do Norte”. O arranque com “Popless” quase sussurrado e com uma leveza etérea, fez antever um concerto cheio de cor e de alegria, própria de uma banda que anda entre o pop leve e o burlesco, algo difícil, mas conseguido aqui na perfeição.

Este concerto teve ainda a particularidade da presença de alguns amigos da Banda, nomeadamente Stereossauro, que presenteou o público com a sua versão beat bombers de  “Verdes Anos” ( Carlos Paredes) e ainda foi aparecendo com mais beat bombers em algumas canções dos GNR ( “Canil”, “ Las Vagas” e “Sangue Oculto”). Ainda a destacar a presença de Mitó ( A Naifa) que encantou com a sua poética expressão em “Valsa dos Detectives” e “Sete Naves”, Márcia, que trouxe a sua “Cabra Cega” e fez um dueto incrível com Reininho em “Morte ao Sol”, e ainda a soberba presença de Camané, também num fantástico dueto com Reininho em “Cais.

Um concerto único, com uma harmonia quase impossível entre o pop suave e o burlesco cómico e ás vezes malicioso de um Rui Reininho que está como o Vinho do Porto, melhorando com a idade, e uma banda que se sabe manter sem estragar a sua carreira, devendo-se isto a uma capacidade de inventar de Toli César Machado e Jorge Romão, as outras pedras basilares dos GNR.

O concerto foi seguindo a rota de uma carreira já longa, com os seus 30 anos, passando por temas que foram marcos históricos, como “Video Maria”, “Bellevue”, ou a muita aclamada “Pronúncia do Norte”, não estivéssemos nós no Porto, e contou com 2 encores, deixando para o fim aquele que é o mais conhecido e mais adorado tema dos GNR “Dunas”, com todos os convidados em palco e com a plateia ao rubro, já fora das cadeiras a vibrar no final de um concerto delicioso…

Texto: Ângelo Ferreira

Fotos: Miguel Pereira

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