Para encerrar a apresentação dos projetos das 18 alunas finalistas do Curso de Processamento e Controlo da Qualidade Alimentar, a Forave promoveu um almoço que contou com a presença das empresas parceiras da escola, que degustaram os novos produtos desenvolvidos no âmbito das provas de aptidão profissional das jovens.

Imagine uma salsicha, mas sem a habitual grande quantidade do sal e pimenta, que foram substituídos por ervas aromáticas. Desengane-se que o sabor se perdeu, porque a equipa do NT provou e garante que o paladar é o mesmo, até mais saboroso. Este alimento resultou de uma Prova de Aptidão Profissional (PAP) de Catarina Sofia e Marina Miranda, alunas do Curso de Processamento e Controlo da Qualidade Alimentar da Forave, que na quarta-feira tiveram oportunidade de mostrar o resultado do trabalho num almoço, onde marcaram presença as empresas parceiras da escola profissional.

A salsicha saudável foi um dos nove produtos novos apresentados pelas alunas finalistas, que agora se empenham num estudo para lhe dar um formato diferente do habitual.

O iogurte kefir com doce de frutas também foi uma das estrelas. Produzido por Diana Gonçalves, que estagiou no Instituto Politécnico de Viana do Castelo, o alimento tem como principal novidade a utilização do kefir, um “produto probiótico”, muito consumido na Rússia e que outros países começam a conhecê-lo. “Regular a pressão sanguínea e dar maior resistência às infeções” são dois dos benefícios do kefir, referiu Diana que, para inverter o sabor “ácido” do produto (assemelha-se a um iogurte natural) optou por colocá-lo numa embalagem compartimentada, acompanhando com “compota de morango”.

Mas há muito mais para conhecer nas PAP das 18 alunas que estão a concluir o curso, como o hambúrguer saudável para crianças (98 por cento de carne, sem aditivos e ultracongelado), a fruta liofilizada, que passa por processo de desidratação usado para preservar alimentos perecíveis, os rissóis com doce de maçã e carne de porco desfiada, o pão de castanha com sementes de chia, a conserva de cavala em azeite e algumas especiarias, a pizza com massa integral e sementes, as compotas com pimenta rosa ou canela, os licores de hortelã e laranja e os vinhos aromatizados.

Houve alunas que enveredaram por outros planos de estudo, como o caso de Soraia Araújo. A aluna estagiou na Senras Dairy e a partir do que aprendeu optou por escrever um livro para crianças sobre o processo produtivo do queijo.

Os resultados das diferentes PAP surpreenderam a direção da escola, professores e a diretora de curso. Ivone Carvalho considera que a turma finalista deste ano é composta “por alunas de excelência”, que “conseguem ter ideias inovadoras e diferentes das que existem no mercado”. Por essa razão, acrescentou, “algumas receberam o convite para ficar a trabalhar” nas empresas onde estagiaram.

Empresas elogiam qualidade do curso

As parcerias que a escola profissional desenvolveu com as empresas do setor alimentar têm dado frutos, uma vez que, segundo a diretora Manuela Guimarães, “a última turma de diplomados está cem por cento empregada”.

O fator empregabilidade “é fulcral”, pelo que é premente “promover o interesse das empresas” nestes alunos que “levam uma formação de base ótima para trabalhar na área alimentar”. “Para as empresas será mais fácil contratar técnicos que tenham esta formação de base do que recrutar pessoas com formação indiferenciada e começar tudo de novo”, acrescentou.

Este dado é confirmado por Isabel Lima, representante da Primor, que atestou a “dificuldade” de “encontrar técnicos num nível mais operacional”. A empresa não recebeu nenhum estagiário da Forave, mas poderá avançar para a contratação uma vez que Isabel Lima saiu impressionada com as competências das alunas. “Numa envolvente em que temos muita indústria alimentar, a Forave dá uma resposta que não é comum a este nível”, sublinhou.

A Campicarn, produtora de hambúrgueres, foi uma das empresas que recebeu as estagiárias. Segundo a representante, Isabel Pinto, houve participação da organização no desenvolvimento do produto de Catarina Costa, o hambúrguer saudável para crianças, que tem “perspetiva comercial”. “Na Forave, os alunos que têm participado são interessados, querem aprender e perceber o que os espera no mundo do trabalho. Já temos admitido pessoas para a empresa no fim dos estágios, porque acabamos por conhecer o formando e na hora de escolher, optamos por quem já conhecemos”, explicou.

O Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) é outros dos parceiros da escola profissional, que também confirma a qualidade dos trabalhos apresentados. Carla Barbosa, do grupo de engenharia alimentar da Escola Superior de Tecnologia de Gestão do IPVC, revelou que as alunas “mostraram trabalho que vai muito além das competências”. “Eu, que estou numa formação à frente, tentei aliciar imensas alunas, porque tenho quase por certo que elas serão boas engenheiras e técnicas nas fábricas, o que para a região em termos produtivos é uma importante mais-valia”, frisou.

A Forave desenvolve o curso de Processamento e Controlo da Qualidade Alimentar há cerca de uma década e, segundo Manuela Guimarães, atingiu “um estado de maturação e know-how” que “vão ao encontro das empresas que trabalham” com a escola profissional.