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Edição 779

Folha Liberal: Orçamentos

“Quase toda a gente acha que os nossos impostos são demasiado elevados, que impedem o investimento, que impedem o crescimento. Mas, por outro lado, esses mesmos, acham que é impossível fazer diferente. E na verdade não é impossível fazer diferente.”

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No passado dia 25 de novembro foi aprovada a proposta de lei nº. 28/XV/1 (Orçamento de Estado para 2023) unicamente com os votos favoráveis do PS e com a abstenção dos deputados únicos do Livre e do PAN.
Este é um orçamento que não traz grandes novidades. É um orçamento à semelhança dos das últimas décadas, que aumenta a carga fiscal, que tem como único objetivo distribuir os nossos impostos, sem a mínima intenção de criar condições para um efetivo crescimento da riqueza. É um orçamento que continua a não nos levar a lugar nenhum. (Na verdade, aos jovens mais qualificados continua a levar para fora do país).

Quase toda a gente acha que os nossos impostos são demasiado elevados, que impedem o investimento, que impedem o crescimento. Mas, por outro lado, esses mesmos, acham que é impossível fazer diferente. E na verdade não é impossível fazer diferente.
Como dizia John Maynard Keynes “A verdadeira dificuldade não está em aceitar ideias novas, mas em escapar das antigas.” Aqui parece-me que esta frase faz todo o sentido. Aceitamos que assim não pode ser, mas livrarmo-nos do “foi sempre assim” é muito difícil e por isso continuaremos a ser ultrapassados por países como a Roménia e a ficar cada vez mais na cauda da Europa…
Há países que conseguiram sair deste círculo vicioso em que Portugal se encontra, que conseguiram olhar mais para a frente e “mudar de vida”.
Trago hoje aqui o exemplo da Irlanda que tinha no ano 2000 uma taxa de impostos em percentagem do PIB muito semelhante à de Portugal (30,8% da Irlanda contra 30,9% de Portugal).
Passados pouco mais de 20 anos a taxa na Irlanda caiu para 21,1% enquanto que em Portugal essa taxa subiu para os 35,8%. A taxa de impostos que era quase igual no ano 2000 é agora 14,7 pontos percentuais (quase 70%) mais elevada em Portugal.
O mais relevante é que, com a descida dos impostos, a Irlanda conseguiu aumentar o valor do seu PIB em mais de 183%, enquanto o de Portugal apenas aumentou pouco mais de 50%.
Muitos dizem que se baixarmos os impostos, não há dinheiro para manter as funções essenciais do Estado, a não ser que recorramos à dívida…. Pois é! A divida na Irlanda passou de 36,4% do PIB para 55,4%. Já a de Portugal passou de 54,2% para uns inacreditáveis 125,5%. Intrigante, não é?
Afinal, parece que é possível cobrar uma percentagem mais baixa de impostos, assegurar as funções vitais do estado, aumentar brutalmente o PIB, mantendo os níveis da divida em valores muito aceitáveis. Mas isto só é assim, se quem nos governa quiser verdadeiramente o melhor para Portugal e para os Portugueses e não apenas, distribuir os recursos como lhes apetece, po quem lhes interessa.
“A verdadeira dificuldade não está em aceitar ideias novas, mas em escapar das antigas.”
Um outro assunto: Há dias ao ler o jornal começaram a soar umas campainhas. Ainda pensei que fosse por estarmos perto do Natal, mas não…. É que o orçamento para a câmara da Trofa aumenta em 4.500.000,00€. Já tinha reparado que, de repente, parece que há muito dinheiro na Trofa…
Voltarei a este assunto quando o orçamento da Câmara for público. Mas que soaram as campainhas, lá isso soaram.
Aproveito esta oportunidade para desejar ao caro leitor um feliz Natal.

foto: AR

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📹 Com ajuda do robot Kubo, alunos da Escola do Castro reveem a matéria dada na sala de aula

A partir do robot Kubo, os 60 alunos agora a frequentar o 6.º ano da Escola Básica do Castro, em Alvarelhos, tiveram o primeiro contacto com a programação e pensamento computacional.

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Dinis Sousa não escolhe meias-palavras para descrever o que sentiu quando o professor António Monteiro lhe apresentou o projeto “Robot Quiz”. Então no 5.º ano de escolaridade, o jovem achou “um bocado estranho, porque nunca tinha ouvido falar daquilo”. O “aquilo” era robótica e programação. O desafio era ambicioso, intimidante até, mas revelou-se um projeto ganhador.

A partir do robot Kubo, os 60 alunos agora a frequentar o 6.º ano da Escola Básica do Castro, em Alvarelhos, tiveram o primeiro contacto com a programação e pensamento computacional. Como? “O Kubo funciona com umas TagTiles, que são uns chips de programação (que não requerem software), e através delas tem de percorrer um determinado percurso em cada tabuleiro que os alunos desenharam. Há um tabuleiro para a disciplina de Português, Inglês, História, Matemática, Ciências e uma outra dedicada às expressões artísticas. Aí, cada equipa tem de fazer a programação do robô, através dos chips correspondentes à função de avançar, virar à esquerda e virar à direita, para que ele se desloque sozinho do ponto A ao ponto B. Em cada um desses pontos, há cartas com perguntas de escolha múltipla acerca da respetiva disciplina. Vence a equipa que conseguir programar mais rápido e evitar penalizações de tempo por respostas erradas às perguntas”, explicou o docente e mentor do projeto António Monteiro.
Além das “luzes” de programação a que os alunos têm acesso, este projeto concede ainda mais vantagens. O “trabalho em equipa” foi repetido pelos alunos ouvidos pelo NT, assim como a oportunidade de rever o conteúdo programático das diferentes disciplinas. “Este projeto ajudou-me, de forma brincalhona, a relembrar a matéria do ano passado”, confessou Dinis Sousa. Já a colega de turma Joana Sousa evidenciou a importância dos “trabalhos de grupo” para elaborar os tabuleiros e as cartas de jogo.

O “Robot Quiz” começou no âmbito dos Domínios de Autonomia Curricular e se há dúvidas quanto à sua aplicabilidade, António Monteiro desfaz com o exemplo de um aluno, com histórico de mau comportamento e desinteresse escolar, que foi “dos que mais se envolveu no projeto”. “Afeiçoou-se às ferramentas, tinha um cuidado extremo na sua organização e a verdade é que foi dos que aprendeu a programar mais rapidamente. Fora do contexto do projeto, notou-se que melhorou a sua postura durante na sala de aula”.
Para reforçar a ideia, o aluno Afonso Silva afirma que estamos perante um “bom projeto, inovador, que incentiva a estudar”. A seu lado, o colega Eduardo Rodrigues é perentório a afirmar que a robótica é, agora “um tema que interessa” explorar.
Depois da primeira fase, o “Robot Quiz” avança para uma nova etapa. A partir de janeiro, os alunos vão elaborar novas cartas de jogo, agora com a matéria curricular do 6.º ano, e repetir a competição inter-turmas para “ver se conseguem bater os tempos anteriores”.

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Linha do Equilíbrio: A importância da família

“Compete aos pais/família orientar os seus membros através da comunicação positiva/diálogo. Procurar estimular a criança para a reflexão sobre o que ouve e vê.”

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Aproximamo-nos do Natal. Nas ruas, nas lojas, nas instituições e nas nossas casas já respiramos o Espírito Natalício! E como é bom este sentimento! Natal é sinal de aproximação entre as pessoas, onde se evidenciam sentimentos como a tolerância, a solidariedade e o amor.
Na Igreja Católica celebra-se o nascimento de um menino especial no seio de uma família humilde. Quando pensamos na Família de Nazaré ou no nascimento do Menino Jesus, quase que romantizamos, colocando esta família num pedestal, considerando-a mesmo “perfeita”. Mas será assim que a bíblia descreve as famílias, nomeadamente esta em particular?
As escrituras bíblicas narram famílias que festejam casamentos, nascimentos, sucessões, que sofrem com a morte, mas também famílias que têm quezílias entre os seus membros ou que passaram dificuldades como guerras, perseguições, intempéries, etc. Estas famílias representadas são famílias idênticas às atuais, da qual se destacou a Família de Nazaré.
E por que será tão importante o tema da família para a psicologia?
A família é o primeiro meio de socialização para uma criança e aquela que mais influencia o seu desenvolvimento. Os pais são os agentes mais próximos e mais determinantes na evolução das competências dos filhos, facto que desperta o interesse da psicologia na compreensão das práticas educativas e o resultado no comportamento dos filhos.
Claro que o desejo da quase totalidade dos pais é serem “bons” para os seus filhos! No entanto, a parentalidade não é só uma vivência gratificante e prazerosa. Pode também ser uma tarefa exigente, de onde se destacam as preocupações com as necessidades básicas das crianças, como são exemplos: a alimentação, o conforto e a segurança. Além disso, enfrentam uma multiplicidade de medos (as doenças, as más companhias ou influências, a vida académica, entre outros).
Atualmente, o conceito apresenta-se bem mais lato, tornando-se necessário incluir na educação a afetividade e a exigência. Com estas duas dimensões, a parentalidade passa a responder às solicitações da criança, ao estabelecer um equilíbrio entre a responsividade (afeto) e a definição de limites e regras com consequências adequadas face ao incumprimento das mesmas (exigência). Tal deverá conduzir a que a criança perceba os seus limites e se sinta em segurança.
Sabe-se que as crianças absorvem todos os padrões de comportamento, os pais acabam por funcionar como “modelos” para os seus filhos. Logo, é na família que as crianças aprendem os valores, as atitudes, a ética, a afetividade, os juízos de valores, os preconceitos e os estereótipos. As crianças são influenciadas pelo contexto vivenciado na sua Família, tendendo a agir por imitação.
Então, compete aos pais/família orientar os seus membros através da comunicação positiva/diálogo. Procurar estimular a criança para a reflexão sobre o que ouve e vê. É da competência dos pais criarem rotinas, padrões expetáveis de comportamento para que a criança saiba o que esperar e se sinta segura. Cabe aos pais a tarefa de ensinar a relevância de obedecer às regras e explicar a sua importância para a sociedade, cultivando o sentido crítico sobre as mesmas. E, por fim, mas nem por isso menos importante, estar realmente com a criança, dedicando-lhe tempo e criando momentos únicos.
Passe a elogiar e abraçar mais, demonstre o quanto a criança é amada.
Se a criança é o reflexo da família, seja um bom espelho!

sandramaia.psicologa@linhadoequilibrio.pt

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