É conhecido por ter criado a estátua de bronze que homenageia a figura do ardina, um ícone da Praça da Liberdade, no Porto. Manuel Dias, escultor, professor do ensino superior e militante comunista, faleceu ao final da manhã do dia 11 de junho, aos 73 anos.
Nascido em Anta, em Espinho, a 16 de dezembro de 1944, Manuel Dias residia já há cerca de 30 anos em S. Mamede do Coronado. O artista plástico é também autor do busto de Virgínia de Moura (conhecida figura da oposição ao regime de Salazar) que se encontra junto ao Museu Militar do Porto (junto à sede da ex-PIDE, no Porto) ou do Monumento ao 25 de Abril (na sua terra natal, Espinho). Autor de diversas obras de arte, o escultor criou as suas últimas duas peças para a secção CortinhArte da ZURRA – Festa do Burro, que podem ser visitadas através da APVC (Associação para a Protecção do Vale do Coronado). São elas “Fidélia 23 – O Sonho Comanda A Vida” (2016) e “Carruagem Para O Infinito” (2017).
Manuel Dias foi ainda autor de diversas obras para cenografia e figurinos para teatro, televisão, bailado, bem como de dezenas de carros para as comemorações populares do 25 de Abril no Porto. O escultor participou em muitas exposições individuais e coletivas, sendo que a sua obra integra várias coleções privadas e públicas. Licenciado pela FBAUP (Faculdade Belas Artes da Universidade do Porto); doutorado em Artes Plásticas e Escultura; pós graduado em Escultura em Harlem, Holanda, e em Design de Palco (cenografia, figurinos, etc.) pela Slade Scool da Universidade de Londres, Manuel Dias foi membro do Conselho Científico da FBAUP e da EUAC (Escola Universitária das Artes de Coimbra ARCA).
Em nota de imprensa, a Comissão Concelhia da Trofa do Partido Comunista Português (PCP) manifestou “o seu profundo pesar pelo falecimento do seu militante Manuel Ferreira Dias”. Assumindo “desde cedo posições de defesa da Democracia e da Liberdade”, o mamedense esteve “exilado durante o fascismo, período durante o qual presidiu à Casa dos Portugueses em Amesterdão e à delegação de Amesterdão da Associação Portuguesa de Defesa dos Presos Políticos Portugueses”. Com ligações ao PCP “desde a década de 60 do século passado, foi sempre militante empenhado, disponível e modesto”, tendo ainda sido “autor da medalha evocativa do 10.º Congresso do PCP, em 1983”.

Leia a reportagem na íntegra na edição n.º 672 do jornal O Notícias da Trofa, já nas bancas.