Portugal assume novamente a presidência da União Europeia. Em todo o grande destaque que tem sido dado na comunicação social praticamente tem sido esquecido a promessa de Portugal "chegar ao Pelotão da Frente da União Europeia".

  Não querendo fazer nenhum balanço destes mais de 20 anos de adesão, há alguns dados que não podem ser esquecidos. Principalmente no capítulo social onde se continuam a aprofundar as diferenças entre os mais ricos e os mais pobre de Portugal.

São precisamente os dados oficiais que retratam de forma clara e preocupante o efeito das políticas dos governos do  PS, do PSD e do CDS ao longo destas últimas duas décadas.

Os indicadores oficiais denunciam que, por exemplo, Portugal apresenta hoje:

-uma taxa de pobreza de 21 % da sua população, o que corresponde a mais de 2 milhões pessoas, um valor superior ao verificado na União Europeia a 25; onde estão já nessa situação mais de 70 milhões de pessoas,

– o maior fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, de toda a União Europeia; sendo os rendimentos dos mais ricos superiores em mais de 7 vezes aos rendimentos dos mais pobres;

– a maior desigualdade na distribuição dos rendimentos, a nível de toda a União Europeia;

 

Olhando mais atentamente para os dados sociais internos, novamente com base nas estatísticas oficiais, constatamos que:

– a taxa de desemprego oficial em Portugal, em 2005, foi de 7.6% da população activa, mais de 500 mil pessoas, muitas delas licenciadas, e não contabilizando muitos outros milhares de desempregados;

– o nível de endividamento das famílias portuguesas, já atingiu o valor recorde de 124% do seu rendimento disponível. Valor que tende a ser agravado com os sucessivos agravamentos das taxas de juros impostas pelo Banco Central Europeu.

– só no ano de 2005, as 10 maiores fortunas em Portugal, registaram um crescimento de 13%, quando comparado com o ano anterior, ao passo que os principais bancos privados em Portugal, registaram um aumento médio global dos seus lucros de 1 300 milhões de erros, ou seja mais 56%.

 

Mas o caminho que foi seguido até ao momento não será interrompido se não houver uma ampla resposta da população, em particular daquela que tem sido mais afectada – os trabalhadores, os reformados, os pequenos empresários, os agricultores.

No passado dia 17 de Setembro milhares de agricultores invadiram as ruas do Porto para protestar junto dos Ministros da Agricultura da União Europeia contra a Política Agrícola Comum.

Muitas outras foram já realizadas, mas a maior de todas, a Grande Manifestação, ocorrerá por alturas da cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, a 18 de Outubro, no Parque das Nações em Lisboa.

Esta será a manifestação para rejeitar a flexigurança e exigir emprego com direitos e uma Europa social.

Ficar quieto é ser conivente com esta Europa que cada vez mais é dos ricos e para os ricos.

Falar no café ou protestar no sofá não chega.

É preciso ir para a rua, é preciso dizer que basta de injustiças!

 

Jaime Toga

http://jaimetoga.blogspot.com/