Os problemas causados pela falta de transporte ferroviário, cujos serviços foram interrompidos em 2002 devido à construção do Metro de Superfície do Porto, têm sido muito penalizantes para as populações da Trofa. Quase uma década de sofrimento. Assim tem sido entendido por vários atores da governança central e local, que se têm manifestado no decorrer dos tempos.

A antiga Secretária dos Transportes, Ana Paula Vitorino, apresentou há dois anos o concurso público para a expansão da linha Verde do Metro do Porto, entre o Instituto Superior da Maia (ISMAI) e a Trofa – Paradela. E foi mais longe esta antiga governante; disse que «a construção deste troço, com uma extensão de 10 kms, começará em 2010, esperando-se que termine em dezembro de 2011».

A antiga governante socialista também declarou que «este projeto servirá para compensar os problemas causados pela falta de transporte ferroviário na região e que o empreendimento consiste num aproveitamento do antigo canal de via, reabilitação das antigas estações da linha da Trofa e a construção de novas, totalizando oito paragens: Paradela (com um terminal rodoviário e acesso direto á estação ferroviária da Trofa), Trofa, Senhora das Dores (subterrânea), Pateiras, Bougado, Serra, Muro e Ribela (Maia)».

Perante tais afirmações, era com propriedade que se poderia afirmar nesse tempo: está a chegar o Metro à Trofa. Passaram-se dois anos e muita coisa se alterou. A crise tem sido a justificação dos decisores políticos para a não conclusão da obra mais que prometida.

É verdade que o país está a viver a maior crise de sempre. O PIB nacional é de 172 mil milhões de euros e o endividamento público do país ultrapassa em muito os 100%; atingindo valores astronómicos de muito mais de 200 mil milhões de euros. É muito dinheiro; é muito endividamento!

Com todo este cenário de crise, instalado no país, a obra do Metro para a Trofa continua parada, mesmo representando muito menos de 0,1% do PIB nacional. Poderão arranjar muitas desculpas, mas a verdade é que a conclusão da obra não é um problema de índole económico-financeira, é um problema político: só falta vontade política!

Está toda a gente a “assobiar para o ar” como se não existisse o problema por resolver. Toda a gente? No abono da verdade, não toda a gente: a Junta Metropolitana do Porto tem-se mostrado atenta e preocupada; o Partido Comunista nunca deixou “cair a bandeira” do Metro para a Trofa; a população da Freguesia do Muro continua a reivindicar o direito à indignação e Henrique Cayola, continua na sua caminhada, quase solitária, de recolha de assinaturas (já ultrapassou as oito mil e continua a recolher mais) para a “Petição do Metro para a Trofa” e em breve vai entregá-la na Assembleia da República e assim obrigar a um debate parlamentar sobre o assunto. É um exemplo de Cidadania. Bem-haja!

E assim, na sede da democracia, vamos assistir ao desejado debate sobre a construção do Metro para a Trofa. É expectável que todos os deputados eleitos pelo distrito do Porto exerçam a sua influência junto dos respetivos grupos parlamentares, para em conjunto aprovarem a construção da obra. É desejável que assim aconteça, para se poder afirmar: está a chegar o Metro à Trofa!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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