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Edição 757

Escrita com Norte: Vendedor de sonhos

No parque estão montados dois palanques e cada um deles está decorado com as cores do respectivo partido. Neste cenário, há o facto bizarro dos dois comícios estarem marcados para a mesma hora!

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No parque estão montados dois palanques e cada um deles está decorado com as cores do respectivo partido. Neste cenário, há o facto bizarro dos dois comícios estarem marcados para a mesma hora!
À espera dos oradores, candidatos a um cargo que interfere directamente com a vida das pessoas desse país, de que não me lembro o nome, e nem sei se existe, está a população ainda mais bizarra do que o cenário.
Como não me lembro do país, e nem sei se existe, embora julgue que fique próximo de Portugal, chamemos à população de “jupiterianos”.
Os jupiterianos são fervorosos adeptos de futebol, cada um com o seu clube, uns gostam mais de “Magnum” e outros de “Perna de Pau”, outros ainda, não trocam um belo iogurte líquido por nenhum dos outros gelados, há quem goste de homens ou mulheres e quem goste dos dois, há quem goste de ginásio e quem goste de estar parado, há quem goste de se indignar e quem goste de meditar,…, mas o que os distingue dos habitantes dos outros países é o facto de nenhum jupiteriano ter partido político e gostarem de ouvir a realidade e as verdades dos seus representantes…apreciam neles a honestidade!
Nesta noite de discursos, os jupiterianos estão afastados dos palanques, mas aproximam-se do que está próximo da figueira, onde começa a horas o discurso de um dos candidatos.
Após a apresentação pessoal, este candidato, chamemos-lhe de “A”, traça a história do país, para dar a perceber em que sentido este evoluiu em consequência das políticas tomadas. Ao palanque próximo da pereira chega o candidato “B”, atrasado e sem audiência para quem falar, mesmo assim arrisca:
– Boa noite!
Por norma, os jupiterianos não se deixam distrair por atrasados, mas mesmo assim o Antunes olha para a esquerda em direcção ao palanque próximo da pereira e quando avista o candidato “B”, pensa, “Seu anormal! Eu que perdi uma perna numa aposta estúpida, um braço num acidente de trabalho e uma mão por causa de outra aposta ainda mais estúpida, sou obrigado a andar ao pé-coxinho e por isso tomo horas para não me atrasar, mas tu…francamente!”. Após este pensamento indignado, Antunes volta-se para a frente e prende a sua atenção ao candidato “A”.
Este continua o discurso apresentando o cenário actual, que compara a uma pega de touros em que os forcados estão de costas para o animal – Temos que nos virar de frente! – diz.
Os jupiterianos acenam em concordância, e o Sr. Antero ainda com mais vigor, motivado pela própria experiência, lembrando o dia em que ao atravessar a estrada, chamaram-no, volta-se, e leva uma trombada de uma motorizada. “Parecia um touro”, diz, sempre que lembra o acontecimento. Desde então nunca virou costas ao atravessar a estrada.
Do outro lado, o candidato “B” apercebendo-se que não iria conseguir competir em seriedade, tenta do seu palanque chamar a atenção, dizendo: – Comigo, vai entrar dinheiro fresquinho na casa de todas as pessoas, logo pela manhã, juntamente com o pão quentinho!
Ao ouvirem isto, uma parte dos jupiterianos, que prestavam o máximo de atenção ao candidato “A”, não resistiram em olhar para o outro palanque, tendo alguns exclamado: – O quê?!
Mas perante tamanha baboseira, a atenção revirou-se novamente para o palanque próximo da figueira.

– …e as pessoas vão deixar de pagar renda! – dispara o candidato “B”.
Estas duas baboseiras seguidas turvou de tal forma a mente de alguns jupiterianos, que uma parte considerável deslocou-se do palanque próximo da figueira para o próximo da pereira, para ouvir o candidato “B”, que tenho a certeza que existe.
Mas o candidato “A”, que acho que não existe, agora com menos gente a ouvi-lo, mantinha o seu rigor, explicando o que se podia fazer com aquilo que se tinha, enquanto o candidato “B”, no seu palanque, garantia haver condições para aumentar o fim-de-semana para três dias e, em concordância, aumentar os vencimentos. Ao ouvir isto, os que ainda se mantinham magneticamente agarrados em frente ao palanque próximo da figueira, mudaram-se para o outro lado, ávidos para ouvir quem lhes apregoava ilusões em forma de realidade, com excepção do Antunes!

– A vida não vai ser fácil! – diz o candidato “A”!

– Comigo, todos vão ter uma vida perfeita! – declara o candidato “B”.
Ao ouvir isto, Antunes “pé-coxeia”, como nunca tinha “pé-coxeado” antes e baba-se em frente ao palanque do candidato “B”.
Pela cabeça de cada jupitureano passava o que cada um entendia como “vida perfeita”, e abraçavam-se comentando uns com os outros “Agora é que vai ser!”

O candidato “B” venceu, de forma esmagadora, e a vida dos jupiterianos ficou muito, mas muito…

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Edição 757

Feira Anual cancelada pelo segundo ano consecutivo

A azáfama que ano após ano invade a Junta da União de Freguesias de Bougado nos meses que antecedem a Feira Anual da Trofa não se sente, deixando antever que em março não se vai realizar o evento.

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A azáfama que ano após ano invade a Junta da União de Freguesias de Bougado nos meses que antecedem a Feira Anual da Trofa não se sente, deixando antever que em março não se vai realizar o evento.
A confirmação chega pela boca do presidente da junta, Luís Paulo Sousa que em declarações ao NT confirma o pior cenário: “À semelhança do que aconteceu em 2021, não vamos realizar a nossa Feira”.
Com um trabalho preparatório árduo que se inicia muitos meses antes de março, e face as incertezas da forma como iria evoluir a pandemia “o executivo da junta reuniu e tomou a decisão de, para segurança de todos, este ano não realizarmos a Feira Anual da Trofa” .
A decisão está tomada e está agora a ser tornada pública, numa altura em que o número de novas infeções por covid-19 continua a crescer, assim como o número de mortes e de internamentos. “Por uma questão de bom senso e cautela tomamos esta difícil decisão para bem de todos”, frisou o autarca.

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Edição 757

Memórias e Histórias da Trofa: Quando Alvarelhos, Guidões e S. Cristóvão queriam voltar a ser da Maia

No ano de 1834 eram lançadas as primeiras sementes do futuro concelho de Santo Tirso e com o passar dos anos as futuras freguesias do concelho da Trofa seriam incluídas neste novo território que iriam deixar de ser pertença do concelho maiato.

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No ano de 1834 eram lançadas as primeiras sementes do futuro concelho de Santo Tirso e com o passar dos anos as futuras freguesias do concelho da Trofa seriam incluídas neste novo território que iriam deixar de ser pertença do concelho maiato.
A transferência seguramente não foi pacífica, até porque eram séculos de histórias e tradições que eram interrompidas por decreto e urgia tentar inverter essa situação. Novamente o centralismo institucional do país demonstrava as suas guerras e terá sido um dos muitos exemplos desta prática que até hoje perdura no tempo.
Anos depois, em 1843, concretamente a 4 de março, na Câmara dos Pares, era discutida, por iniciativa do deputado Pimentel Freire, uma representação dos moradores das freguesias de Alvarelhos, Guidões e S. Cristóvão do Muro para apelarem relativamente a uma futura desanexação do concelho de Santo Tirso. Queriam reverter aquela situação a favor do concelho da Maia.
Os habitantes destas freguesias deslocavam-se pela primeira vez à Câmara dos Pares, no atual Palácio de S. Bento, para serem ouvidos junto da nata da elite política nacional, na expectativa que o seu pedido fosse atendido. Serve de valorização o facto de os habitantes daqueles pequenos territórios conseguirem ter expressão e serem ouvidos pelos elementos que governavam o país, conseguindo levar as suas preocupações ao principal palco político nacional.
Atendendo ao que nos diz a história, este pedido não foi atendido, ou melhor, acabou em parte por ser atendido com a mudança para a autonomia concelhia da Trofa no ano de 1998. As freguesias continuaram a ser pertença do concelho de Santo Tirso por vários anos e décadas, alimentando-se a divergência e diferentes formas de estar que se foram tornando insanáveis.

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