No mundo atual, em que as dúvidas são mais que muitas e o futuro cheio de incertezas, os povos estão carentes de governantes que conduzem o seu destino, os homens e mulheres que tenham aspirações a governar os países por esse mundo fora, sejam capazes e estejam à altura das suas aspirações, que ajudem a concretizar os seus sonhos de uma vida melhor. É para isso que os políticos são eleitos, para ajudarem as pessoas a serem felizes, e não o contrário!
Quando a forma de governo é uma república, em que o povo exerce a soberania através do voto, os cidadãos não deveriam dizer “eles”, quando se referem aos políticos, pois eles somos nós, eles saem do nosso meio, eles fazem parte da sociedade onde estamos inseridos e não estão acima de nós. É verdade que é mais cómodo dizer-se eles e até parece que nos desresponsabilizamos pela sua escolha, mas não é assim; todos temos responsabilidade. É assim em democracia. E que bom que é ser assim!
O que move a grande maioria dos políticos é conquistar o poder e depois, manter o poder a todo o custo, esquecendo-se muito rapidamente de quem os elegeu, e daquilo que prometeram para chegarem ao poder. Não têm estatuto nem arcaboiço intelectual, muito menos uma visão das necessidades do mundo atual e do futuro que já está à porta, quanto mais do futuro longínquo.
Os grandes estadistas, em que a virtude e a prática de ações virtuosas é a sua forma de estar na política, já desapareceram e deixaram o mundo destituído de esperança num futuro melhor. Nos tempos que correm, as nações precisam de homens e mulheres que governem para as pessoas e não contra as pessoas. A política que não tem como foco principal as pessoas, não serve. Assim como a economia!
O mundo atual precisa, com urgência, de grandeza, de sabedoria, de discernimento e de grande habilidade no que diz respeito à governação, às questões políticas, à administração do Estado. Para isso, o mundo precisa de estadistas e não de simples governantes, que normalmente são políticos sem grandeza, pelo menos a grandeza de um estadista. Uma afirmação maquiavélica, que corrobora tudo isto é que o primeiro método para estimar a inteligência de um governante, ou aspirante a governante, é olhar para os homens que tem, ou teve à sua volta.
Estadista é aquele governante que trabalha em prol do futuro das pessoas e não apenas pelo sucesso eventual do seu governo, mas que tem uma visão das necessidades futuras do seu país e trabalha para criar as bases desse futuro. Um estadista não se preocupa em se manter no poder a todo o custo, faz o que acha que deve ser feito, para que o seu país seja melhor amanhã, sem se deixar abater com críticas pontuais.
Um estadista tem uma visão estratégica e uma capacidade de ter razão antes do tempo, e faz reformas, que são antipáticas e geradoras de muita contestação, ao contrário do político de «pacotilha», que anda na rua em ombros, que é idolatrado pelas multidões, que fala daquilo que as pessoas gostam de ouvir. Enquanto o governante se preocupa com as próximas eleições, o estadista preocupa-se com as próximas gerações. É de estadistas que Portugal precisa!
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