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Edição 430

«…E até mortos vão a nosso lado.» Do poema «Jornada» de José Gomes Ferreira

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O ministro caiu. Demitiu-se. Já há oito meses atrás tinha chegado à conclusão de que não tinha credibilidade, que falhara nos objetivos, nas previsões, na sua política. Já pedira a demissão por duas vezes. Alguém o andou a aguentar e à sua política no governo durante este tempo. Quem? Porquê? No passado dia 27 de junho realizou-se uma grande greve geral, sobretudo no sector público. De alguma forma, entre outros resultados da greve, como por exemplo saber-se que há gente, que apesar de perder um dia de salário, se indigna, protesta, luta por este país, acredita em Portugal e nos portugueses, aconteceu outro: Gaspar demitiu-se, o ministro caiu.

Também no passado dia 27 de junho ter-se-á realizado, provavelmente, a última assembleia de freguesia, antes da inevitável retoma da independência e da autonomia que um dia acontecerá, quiçá brevemente, na minha freguesia: Guidões.

O presidente da junta, Bernardino Maia, de forma emotiva e genuína, elogiou as atuações políticas de três pessoas já falecidas que, cada uma á sua maneira e em diferentes tempos, contribuíram positivamente para o debate democrático, para a resolução dos problemas concretos, para uma maior vivacidade na democracia em Guidões. Segundo afirmou, as suas influências marcaram a freguesia desde o tempo que integrava o concelho de Santo Tirso até hoje, fazendo de Guidões a «freguesia mais politizada». Obviamente que fiquei surpreendentemente encantado pela declaração, embora comovido, sendo duas dessas figuras os meus camaradas Arnaldo Ferreira e Augusto Lobo. Mas digo também ter-se tratado de um manifesto absolutamente justo. Provavelmente a história democrática de Guidões e mesmo a história de duas dezenas de anos antes de instalada a democracia, teria sido diferente se esses dois homens não tivessem existido. Eu acrescentaria, e estamos a falar apenas de pessoas que já desapareceram, o nome de Agostinho Ferreira Lopes, outra figura incontornável da história democrática de Guidões dos últimos sessenta anos. A história faz-se sempre mais tarde. E um dia essa história far-se-á.

Resta-me uma palavra para o Sr. Presidente. Contou a maioria PS com a oposição da CDU de 1993 a 1997 e de 2005 até agora, na assembleia de freguesia. Uma oposição lisa, sem borbulhas, contundente quando necessária, combatente sempre, proponente às vezes, coerente e consequente, permanentemente. É verdade que ao longo desses anos, foi mais o que nos separou do que o que nos uniu. Mas também é verdade que no grande valor, no mais alto de todos os valores estivemos unidos: o amor à nossa freguesia. Este combate, esta luta pela preservação da freguesia, contra a malfazeja política do PSD e do CDS que agora nos obrigou a agregar com Alvarelhos, extinguindo assim duas freguesias históricas, ao arrepio da vontade do povo, não terminou. A luta prosseguirá comigo, consigo e com todos os outros que se oponham à extinção das freguesias e assim germinará novas vozes, fomentará novos combates, até que a legalidade seja reposta e a freguesia seja devolvida ao seu legitimo proprietário: o povo.

Subsiste ainda uma saudação pela sua postura democrática, pela sua aceitação de críticas políticas, pelo seu poder de análise e também, já agora, uma coisa que até é rara em políticos no poder, pela sua capacidade de autocrítica política. Estou a lembrar-me da questão do grande terreno da urbanização de Vilar ou das taxas do cemitério, em que a história veio a confirmar a análise atempada da CDU.

Por isso, este abraço na despedida do cargo que desempenha, realçando o muito que nos separa, mas enfatizando sobretudo o essencial do que nos une politicamente e que, consequentemente, não será de adeus, mas de reencontro e de reafirmação na luta pela nossa freguesia e

«Aqueles que se percam no caminho

Que importa? Chegarão no nosso brado

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Porque nenhum de nós anda sozinho

E até mortos vão a nosso lado.»

 

Guidões, 2 de julho de 2013.

 

Atanagildo Lobo

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Edição 430

“S. Mamede ganhou um novo rumo, dinâmica e vitalidade”

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Em entrevista ao NT, José Ferreira faz balanço do mandato 

José Ferreira assumiu pela primeira vez a presidência de S. Mamede do Coronado há quatro anos. Em entrevista ao NT, o autarca nomeou a Casa Mortuária como uma das obras mais importantes do mandato e afirmou que a primeira grande dificuldade encontrada foi “uma dívida de 70 mil euros deixada pelo executivo anterior”.

Como avalia o mandato que está prestes a completar, assim como toda a sua governação na Junta de Freguesia de S. Mamede do Coronado?

José Ferreira (JF): O meu mandato à frente da Junta de Freguesia de S. Mamede do Coronado é francamente positivo. Toda a minha governação se pautou por muito empenho, rigor e perseverança, mas sobretudo, foi o trabalho e o apoio de toda a minha equipa que muito contribuiu para o sucesso da nossa governação.

A freguesia de S. Mamede ganhou connosco um novo rumo, uma nova dinâmica e sobretudo vitalidade. 

Leia a reportagem completa na edição desta semana d’ O Notícias da Trofa, disponível num  quiosque perto de si ou por PDF.

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S. Martinho de Bougado tem novo padre

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Marco Cunha foi ordenado presbítero a 29 de junho e no dia seguinte celebrou missa nova em S. Martinho de Bougado.

Apesar do cansaço, o orgulho estava estampado no rosto de Inês Cunha. Na manhã de domingo, já o sol ia alto, olhava com vaidade para o esplendoroso tapete de flores, artisticamente decorado no largo fronteiriço à Igreja Nova, local onde cerca das 16 horas, o sobrinho Marco Cunha ia celebrar a sua missa nova. O trabalho começou 15 dias antes, na preparação “dos verdes” e a semana seguinte foi dedicada às flores, colhendo os girassóis plantados exclusivamente para esta ocasião. Foi desta forma que Inês, juntamente com “a família toda” e “amigos”, cerca de 35 pessoas, mostrou “a consideração, carinho e amor” que tem pelo sobrinho, o novo presbítero trofense.

Marco Cunha recebeu a “imposição das mãos” do Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, na noite anterior, no Colégio das Caldas da Saúde, em Santo Tirso, tornando-se mais um presbítero ao serviço da Igreja Católica. Familiares e amigos estiveram presentes na cerimónia que também contou com dezenas de sacerdotes da Ordem da Companhia de Jesus e do pároco de S. Martinho de Bougado, Luciano Lagoa.

No domingo à tarde, na Igreja Nova, em plena terra natal, Marco Cunha celebrou a missa nova, assistida por centenas de pessoas, e animada com solenidade pelo coro paroquial. A celebração foi acompanhada por dezenas de sacerdotes, entre os quais o Superior da Ordem dos Jesuítas.

Após o “beija-mão” – gesto tradicional dos cristãos ao novo padre -, seguiu-se um lanche convívio aberto a todas as pessoas que quiseram participar.

Para Marco Cunha foram “dois dias de grande consolação e de grande intimidade com o Senhor Deus”. “Foram dois dias em que vi muito do que é a minha vida concentrado no amor de Deus. Senti Deus muito próximo, enquanto estava ajoelhado na ordenação. Na missa nova, depois ver este empenho das pessoas da paróquia, com o tapete de flores lindíssimo, o coro, os acólitos e outras pessoas, nem consigo encontrar palavras para descrever a emoção que senti”, referiu em declarações ao NT.

“Esta é uma ocasião muito importante na renovação da fé, pois vemos alguns dos nossos a assumir responsabilidades na vida da Igreja”, afirmou Luciano Lagoa sobre a ordenação de Marco Cunha. O pároco agradeceu “a todos os grupos que trabalharam, desde a liturgia à festa”. “Toda a gente viveu esta missa nova de um dos seus filhos e, para mim é muito grato salientar este facto de em dois anos seguidos termos dois filhos desta terra a assumir o sim a Jesus Cristo na vida sacerdotal”, sublinhou. Recorde-se que, em 2012, S. Martinho de Bougado também celebrou a missa nova de Pedro Miguel Rodrigues, natural de S. Martinho de Bougado.

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Formado em Engenharia Civil, Marco Cunha ouviu o “chamamento de Deus”, aos 27 anos, entrando para o Noviciado da Companhia de Jesus, em Coimbra, em setembro de 2002. “A vida foi-se encaminhando e a certa altura, quando já estou a trabalhar, vejo que a minha vida está a caminhar, mas percebo que há alguma coisa que me falta. Aí, procurei um padre jesuíta que me ajudou a perceber para onde é que Deus me estava a chamar”, contou.

Já enquanto estudava no Porto, Marco Cunha conheceu o Centro de Reflexão e Encontro Universitário dos Jesuítas, onde travou amizade com alguns jesuítas, percebendo que “aquelas pessoas tinham em Deus o fundamento da sua vida”. Este foi um dos primeiros passos para perceber que também ele tinha em Deus o fundamento da sua existência. Depois de frequentar o Noviciado, Marco Cunha estudou Filosofia, em Braga, rumando de seguida para Moçambique, onde deu aulas de matemática e ajudou a paróquia. Daí, foi para Roma, onde estudou Teologia na Universidade Gregoriana. Nessa cidade, foi ordenado diácono a 10 de abril, na Igreja de Gesú.

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