A Unidade de Farmacovigilância do Porto (UFPorto) lançou um apelo aos doentes infetados pelo novo coronavírus para que reportem “qualquer suspeita de reações adversas ocorridas em associação com a toma de qualquer medicamento”.

Esta ação de sensibilização surge na sequência do alerta já lançado pelo Infarmed, juntamente com a Agência Europeia do Medicamento, para a importância de se divulgar alguma reação a medicamentos “destinados ao tratamento da Covid-19, bem como medicamentos habitualmente utilizados para tratamento de doenças crónicas pré-existentes”.

“As suspeitas de reações adversas a medicamentos poderão ser notificadas diretamente ao Sistema Nacional de Farmacovigilância, utilizando para isso o Portal RAM ou, no caso particular dos trofenses, uma vez que estão na área abrangida pela UFPorto, poderão preencher o formulário de notificação disponível no site da nossa Unidade”, sugeriu Inês Ribeiro, Coordenadora Técnica desta unidade regional do Sistema Nacional de Farmacovigilância. O endereço do site da UFPorto é http://ufporto.med.up.pt/.

Os utentes com suspeitas de reações adversas a medicamentos podem, ainda, reportar ao médico de família, enfermeiro ou farmacêutico, que “encaminharão essas informações ao Infarmed”.

“Numa altura em que a comunidade científica procura evidência sobre o tratamento adequado para a COVID-19, é de crucial importância conhecer – na prática – todas as reações adversas provocadas pelos tratamentos que estão a ser experimentados”, sublinha Inês Ribeiro, revelando que “apesar de começar a surgir alguma evidência sobre o efeito de algumas classes de fármacos no curso da infeção, os resultados são ainda muito prematuros e inconclusivos”. “Continua a existir um desconhecimento profundo de possíveis interações medicamentosas que possam estar a ocorrer com a terapêutica ou mesmo a influência da medicação no curso da infeção”, acrescentou.

Sediada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, “a UFPorto tem estado envolvida em trabalhos de investigação, sobretudo nas áreas da farmacovigilância e da farmacoepidemiologia, contribuindo para o ecossistema da segurança do medicamento que constitui uma prioridade para saúde pública a nível global”, explicou, por sua vez Renato Ferreira da Silva, aluno de doutoramento na UFPorto.