Um Cabaret em palco, com adereços. Figurantes em conversa amena. Estava criado o ambiente perfeito para grande noite dos Dead Combo.

Tó Trips, em êxtase logo ao primeiro tema, como se as mãos de deus descesse sobre as suas encadeando um trenar de cordas que entra nos ouvidos de quem ouve até atingir a alma.Sons de maviosidade etérea, numa película cinematográfica a preto e branco, a fugir para o sépia soturno dos westerns clássicos.Ainda assim, sons revestidos de uma portugalidade que corre como sangue nas veias.

As cordas a má fama interligam-se em perfeita sintonia ou distonia, conforme os casos, ao coração guitarreante dos Dead Combo, ajudando a enfatizar a profundidade dos sons que emanam das cordas de Tó Trips e Pedro Gonçalves. Profundo, fulminantemente suave e subversivo, abre com clareza as portas da alma mais dormente, em aconchegos e beliscadelas ora suaves e longas ora curtas e penetrantes. 

Em momento a solo, as cordas da má fama explodiram em sons que se construíam e desconstruíam em ataques cerrados dos arcos às cordas do violino, viola e violoncelo. Enquanto isto acontecia, Os Dead Combo repousavam no bar deste Cabaret de palco.

Ao longe, quase despercebido, o barman deste Cabaret ia servindo bebidas a um público com olhar atento e a música adensava-se em ritmos que perduravam entre as melodias da guitarra de Trips e o violino de Denys Stetsenko e viola de Bruno Silva. Cabe aqui também o violoncelo de um também magnífico Carlos Tony Gomes, que completava este curioso trio das Cordas da Má Fama.

Som cru, quase sem filtro e brilhante. As vibrações são de uma intensidade tal que ecoam nas cabeças de quem ouve. 

E tudo se acaba em apoteose enquanto se apaga a última luz da última luz deste Cabaret…

Texto: Ângelo Ferreira
Fotos: Miguel Pereira

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