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Foi apresentado o novo livro da Delegação da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa, que retrata os temas da violência e da exclusão. Receitas das vendas revertem, integralmente, para a atividade da instituição.

história de um rapaz que se interroga com os objetos do mundo e não percebe por que é que a mãe o impede de mexer nas terrinas de vidro, nas facas grandes e nas fichas elétricas. Este é o ponto de partida para o texto “A Inocência das Facas”, de Marta Bernardes, cujo título dá nome ao novo livro da delegação da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP).

A obra, que foi lançada no dia 2 de maio nas instalações da editora Tcharan, no Porto, conta ainda com um texto inédito de José Saramago, Prémio Nobel da Literatura. Naquele escrito, Saramago transmitiu uma “Inesgotável Esperança” sobre o poder da paz perante o poder da guerra.

O texto inédito é um dos muitos contributos que compõem o livro, no qual também participaram valter hugo mãe, Adélia Carvalho, Manuel Jorge Marmelo e outros sete escritores.

O livro traça um caminho de continuidade do projeto “A Outra Face”, que a delegação teve em mãos e que deixou de ser financiado. A igualdade de género e a violência são os temas dominantes. “Sentimos que muito haveria a fazer nestas temáticas e assumimos o compromisso de dar continuidade ao trabalho”, explicou Daniela Esteves, presidente da delegação da CVP. O livro, admitiu, “foi a forma mais digna de perpetuar a mensagem”.

Daniela Esteves mostrou-se satisfeita com a dimensão que o projeto atingiu. “Os escritores e ilustradores sentiram que tinham um compromisso para com a delegação, pelo trabalho que desenvolve”, frisou.

A escritora e representante da editora, Adélia Carvalho confessou que, inicialmente, o livro teria apenas um autor, mas devido às várias vertentes da temática, entendeu que a mensagem “ganharia mais força se mais autores mostrassem um plano da violência”. Conseguiu juntar “autores cujo nome já está bem marcado no panorama nacional da literatura e outros menos conhecidos, que estão a começar”.

O lançamento do livro contou com a presença do vereador da autarquia portuense, Manuel Pizarro, que considerou que “a luta contra as várias formas de violência” é uma “causa muito nobre” da Cruz Vermelha. “E torna-se mais especial por ser feita através de um livro muito bonito pelo seu conteúdo e pela parte gráfica”, acrescentou.

A escritora Marta Bernardes afirmou que se lançou “de cabeça” numa “experiência completamente nova”, da qual saiu “revitalizada” e “muito bem acompanhada tanto ao nível da escrita como da imagem”. “Fiquei muito contente porque o título do meu texto acaba por dar o nome ao volume inteiro, o que me dá felicidade acrescida”.

O livro também contou com a participação de vários ilustradores, como o espanhol David Pintor, que se sentiu “muito honrado” pelo “privilégio” de ilustrar o texto de Saramago e “por colaborar com uma instituição que tanto ajuda nos sítios de conflito e onde falta ajuda”.

A edição de cinco mil exemplares só foi possível graças ao apoio das empresas Altronix, D’accord, Falual, JPC Contabilidades, Panike e Parque da Cidade Clínica e da disponibilidade da editora Tcharan.

O livro, que pode ser adquirido online ou na sede da Cruz Vermelha por dez euros, vai também ser apresentado a 30 de maio, na Biblioteca Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, e a 5 de junho, na Fundação Saramago, em Lisboa.